Juro alto do financiamento, queda do poder aquisitivo, redução da margem de lucro das construtoras. Estas as causas da dificuldade enfrentada presentemente pela construção civil em Londrina. Uma das limitações apontadas é o momento igualmente difícil do agronegócio no Paraná pela frustração de safras e pela baixa do dólar, que regula os lucros da exportação e também os preços internos. É dessa fonte que brota grande volume de dinheiro. Essas questões foram levantadas no debate promovido por este Jornal, reunindo empresários do setor. Desde que a agricultura floresceu no Norte do Paraná, a partir do início do século passado, foi sempre esse negócio e os seus desdobramentos que sustentaram a economia e geraram as demais vertentes do desenvolvimento. Quando a agricultura vai bem, tudo o mais irá bem, e o Paraná é testemunho disto. Se este fator é decisivo, a dificuldade na comercialização de um imóvel está ligada também à elevada taxa de juros, fazendo com que, depois de anos pagando um financiamento, o adquirente esteja devendo o triplo do encargo assumido. É um regime perverso, que atrasa o desenvolvimento dos negócios, em qualquer setor. No Brasil, para um financiamento de 30 anos, o juro é de 12%, mais taxa referencial, e aí a renda do mutuário não acompanha essa evolução, como afirmou um empresário presente ao debate que a Folha promoveu. O intermediário ganha mas o construtor opera com lucratividade baixa, e elevar o preço do metro quadrado da construção pode afastar o comprador. As instituições financeiras precisam encontrar formas de atrair tanto o construtor quanto o mutuário. A Caixa Econômica, presente ao debate, afirma aos empresários que ''o financiamento não é bicho-papão'', mas ao tocar na questão do juro diz que ''esta é uma questão de mercado''. A Caixa Econômica disponibiliza mais de R$ 10 bilhões para o setor mas até agora só conseguiu aplicar R$ 3 bilhões. A Medida Provisória 252, conhecida como ''MP do Bem'' e aprovada em junho, criou alguns benefícios mas não resolveu o problema da construção civil. Ontem leu-se neste Jornal que o ministro Luiz Furlan deseja criar ''um ambiente receptivo'', no Governo, a propostas de desoneração tributária, e na pauta também figura o material da construção civil. É um indicativo que a equipe econômica faria bem em adotar, embora baixar tributos não seja o forte da comunidade monetária encastelada no poder e o presidente Lula demonstra não ter força para impor alguma coisa. Furlan, certamente sabendo das dificuldades para a obtenção de uma conquista destas na esfera governamental, está sugerindo aos empresários que enviem proposições ao Governo nesse sentido. É um momento de exercer pressão. Os construtores civis devem aproveitar a oportunidade e deslocar-se até Brasília. Ao menos terão no ministro e empresário Luiz Furlan um aliado.

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