O modelo está mais velho que a população
Não é nenhuma novidade que o Brasil deixou de ser uma nação de jovens. A queda rápida das taxas de natalidade e o aumento da expectativa de vida promoveram uma vertiginosa mudança na pirâmide etária desde os anos 1970. Se nos anos 1960, as autoridades federais perdiam o sono com o risco real de uma explosão demográfica, hoje os dados advertem para outro problema igualmente preocupante, que é o "boom" de crescimento da população idosa.
Não há mais motivos para adiar qualquer medida que alinhe as ações de governo à nova realidade. A população com mais de 60 anos precisa ser alvo de políticas públicas permanentes desde já. Por sua vez, a sociedade também não pode se omitir e deve incluir a causa em sua agenda de prioridades.
No Paraná, o desafio é ainda maior, conforme os números ainda mais contundentes em comparação com os da realidade nacional. Em reportagem publicada hoje, esta FOLHA alerta os leitores e os governos sobre a urgência no estímulo à formação de profissionais especializados para atender esta faixa etária. Já são mais de 1,2 milhão de paranaenses nesta condição. Cidadãos e cidadãs, contribuintes, que sofrem com as carências do sistema e que merecem mais respeito e atenção.
Tanto o governo federal quanto o estadual precisam estimular a formação destes especialistas para reduzir o quanto antes o deficit. A distorção é tamanha que o Paraná tem 13 vezes menos profissionais do que o recomendado pelo Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.
Questão tão urgente que talvez não possa ser resolvida apenas com políticas ortodoxas. É necessário um algo mais, mecanismos que tornem vantajosos, para os governos e a iniciativa privada, o investimento neste tipo de formação. Há de se estudar até mesmo o pagamento de salários diferenciados para a especialidade.
A prevenção é outro caminho. Foi assim que o País reduziu em 67% o índice de mortalidade infantil de 1990 a 2011. Se o sistema se mostrou eficaz em prevenir tantas mortes na infância, por certo será capaz de dar uma vida mais digna à população idosa com programas permanentes e bem estruturados.





