O milagre brasileiro
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de janeiro de 1997
Sady Ricardo dos Santos 
Há anos, quando o General Charles de Gaulle veio ao Brasil, e já no aeroporto, para retornar à França, ao ser entrevistado pelos repórteres e indagado sobre a opinião que tinha formado a respeito de nosso país, respondeu jocosamente - É... gostei do Brasil, mas infelizmente este não é um país levado a sério.
O tempo e o degaullismo passaram, e a França continua com suas lutas internas; o povo sempre com muita garra, trabalhador, porém, com todas as dificuldades que enfrenta aquele país europeu, pouco tem apresentado que sirva de modelo de fartura, facilidade de empregos, estrutura ecológica ou outras condições representativas de uma qualidade de vida invejável.
Em parte, De Gaulle tinha razão, quando na ocasião achava que o Brasil não era levado lá muito a sério. Tanto não era que de lá para cá temos sempre passado por experiências dolorosas em todo nosso contexto político, social, econômico, ecológico e principalmente com relação à precariedade da qualidade de vida do povo brasileiro.
Entretanto, o vulgo sempre considerou que Deus é brasileiro, e devo até acrescentar que tenho plena certeza de que Papai Noel, além de brasileiro, existe de verdade e isto é também fácil de confirmar: até agora, e inclusive neste Natal, presenciei dezenas deles distribuindo presentes às crianças - e se elas, que são totalmente puras, acreditam nele, quem sou eu para descrer?
Por outro lado, no Congresso Nacional nunca se viu a Branca de Neve porém os anões estavam lá. Descobriram os pequeninos desordeiros e os retiraram do reino da fantasia. Agora de quando em vez aparece um novo parlamentar demonstrando sérias tendências de se tornar anão e, caso não consiga crescer como homem, poderá ser conduzido como os demais anões ao freezer dos desonestos.
Quanto ao fato de Deus ser brasileiro estou realmente convencido disso. Vejam bem: Tínhamos um presidente que morava nos jardins babilônicos da casa da Dinda, e que apesar de não ser considerado fantasma, foi comprovadamente, tido e havido, como ligado a um considerável número deles.
Entretanto, alguns dosfantasmas vinculados ao ex-presidente, parece que não se conformando com o apelido de fantasmas, conseguiram numa medida sumária e não muito provisória se transformarem em fantasmas de verdade e por castigo definitivamente.
A coisa não ficou por aí. Para um país levado pouco a sério, porém com um Deus brasileiro, o governo tem conseguido, pelo menos até agora, transformar água em vinho.
Num passe de mágica, transformou Cr$ 1.793,00 cruzeiros, que na época valiam 1 dólar, em 1 real. Em última análise, transformou 1 dólar em 1 real. Se isto não é um passe de mágica...
Agora, pasmem. Uma das maiores lutas que os comunistas, socialistas e outros istas sempre tiveram e que incluíam como suporte das reivindicações que aguçaram a revolução de 1964 era justamente a luta pela terra, nos moldes de uma autêntica Reforma Agrária.
O tempo passou, o comunismo de Moscou caiu, os comunistas do Brasil foram liberados e atualmente são até reconhecidos como verdadeiros mártires. Ficou, no entanto, claro que foram iludidos e traídos pela falsa posição de um país (antiga URSS), ironicamente estruturado com base no individualismo, sectarismo, desorganização, belicismo, culto à personalidade e um falso posicionamento para com os princípios que deveriam nortear um regime socialista, que deveria se voltar aos interesses populares.
Mas Deus é realmente brasileiro!
Contrariando a assertiva de De Gaulle, de que as coisas aqui não eram levadas a sério, o atual governo tomou corajosamente nas mãos o destino heróico da tão apregoada e necessária Reforma Agrária.
Num país de origem feudal, com pruridos de falso capitalismo, a grande maioria das terras brasileiras está nas mãos de uma extrema minoria de proprietários. Entretanto, quando Deus fez o mundo, com certeza pretendia que a terra fosse um bem destinado a cada um que quisesse produzir e tivesse capacidade para torná-la produtiva. Isto porque é da terra e somente dela que tiramos o nosso sustento e damos vida à nossa vida.
A luta ainda vai continuar. Os prepotentes vão querer se manter sentados nos seus latifúndios improdutivos, mesmo vendo ao seu redor florescerem os trigais, nas terras cultivadas pelas mãos daqueles que sabem que o pão nosso de cada dia deve ser repartido entre todos aqueles que têm fome e querem trabalhar.
A fome ainda campeia em nosso país, porém está com os dias contados, através de projetos como os do governo Fernando Henrique, que promovem assentamentos dos sem terra e aumentam os impostos dos latifúndios improdutivos, tornando a terra um peso morto e dispendioso nas mãos daqueles que dela fazem mal uso.
A Reforma Agrária está se tornando uma realidade em nosso país. A terra é uma dádiva de Deus, pertence a todos nós e representa o futuro, a fartura, a qualidade de vida e a felicidade nossa e de nossos filhos.


