O mestrado de Arquitetura - Luís Salvador Gnoato
Luís Salvador Gnoato
O interesse pelo estudo da Arquitetura tem aumentado nos últimos anos, como pode ser observado, pela procura por mais vagas nos cursos de graduação. Em contrapartida, existe maior exigência pela formação dos professores. O aprofundamento pelos problemas relacionados à ocupação do espaço pelo homem, questões essenciais da arquitetura, tem sido também objeto de preocupação de profissionais e de estudiosos não relacionados diretamente com a área de ensino.
A primeira turma do mestrado em Arquitetura, efetivada através de convênio entre a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), abriu caminho para uma segunda turma e o reforço de uma idéia.
Moderno, pós-moderno e depois do pós-moderno, o debate da arquitetura continua intenso e fascinante, e neste quadro o mestrado se apresenta como um fórum de discussão para estas idéias.
O que chamamos de arquitetura pós-moderna surgiu no final da década de 1970, como reação ao funcionalismo e padronização dos edifícios. Buscou-se uma maior sofisticação e comunicabilidade na arquitetura utilizando-se recursos estéticos, que por sua vez acabaram se apresentando excessivos. A discussão contemporânea procura caminhos mais equilibrados, por uma arquitetura de mais durabilidade no tempo e sem ser radical com nenhuma tendência.
Utilitas, firmitas e venustas utilidade, tecnologia e estética, são os elementos que inter-relacionados, compõem a formação do espaço arquitetônico, desde os tempos do romano Vitruvius. Sobre este tripé deve-se acrescentar ainda o estudo do contexto urbano no qual o edifício está inserido. A compreensão deste contexto passa pelo estudo da formação das cidades e do perfil sócio-econômico do usuário, pela utilização de tecnologias adequadas e enfim, pela escolha de uma linguagem estética criteriosa e duradoura.
Consequência de fortes desequilíbrios sociais, as cidades se apresentam hostis a um convívio humano saudável. Condomínios residenciais fechados e shopping centers construídos de forma a imitar uma cidade destinada um público selecionado, são exemplos onde se buscam saídas artificiais para problemas de abrangência mais ampla.
A boa cidade ainda é aquela em que o espaço público e o espaço privado se apresentam de forma equilibrada e, onde a circulação de veículos e transporte coletivo, não impedem a possibilidade de se caminhar com conforto pelas ruas. Este projeto de cidade, quase utópico, não deve sair de nossas mentes.
As questões relacionadas com o meio ambiente e com o conforto ambiental, também são alvo de interesse de estudo deste programa de pós-graduação. A necessidade de se construir um pensamento sobre a arquitetura de um lugar e a busca por uma identidade cultural, são questões para estas e muitas outras turmas de um mestrado de Arquitetura.
A boa cidade ainda é aquela na qual se pode caminhar com conforto pelas ruas, concepção de urbanismo que não deve sair de nossas mentes.





