O mercado ilegal de remédios para emagrecer
Foram fiscalizados estabelecimentos como laboratórios de manipulação, clínicas estéticas e empresas que atuam à margem da regulação sanitária
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de abril de 2026
Foram fiscalizados estabelecimentos como laboratórios de manipulação, clínicas estéticas e empresas que atuam à margem da regulação sanitária
Folha de Londrina 
O uso cada vez maior das canetas emagrecedoras acende mais um alerta na área da saúde pública. Se anteriormente a preocupação era a possibilidade de comprar sem receita médica, hoje o receio está no comércio irregular desses medicamentos. Apresentadas como soluções rápidas para perda de peso, elas vêm sendo vendidas irregularmente em redes sociais e contrabandeadas de países onde a fiscalização é menos rigorosa.
No sentido de coibir o comércio irregular dessas substâncias, PF (Polícia Federal) e Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deflagraram na terça-feira (7) a Operação Heavy Pen. Os agentes públicos ocuparam as ruas de algumas cidades brasileiras para reprimir a entrada irregular, a produção clandestina, a falsificação e o comércio ilegal das canetas emagrecedoras.
Foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão, além de 24 ações de fiscalização no Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Roraima, Rio Grande do Norte, São Paulo, Sergipe e Santa Catarina.
No Paraná, a operação foi realizada em sete municípios: Londrina, Arapongas, Araucária, Curitiba, Umuarama, Fazenda Rio Grande e Ponta Grossa. Em comunicado à imprensa, a Polícia Federal informou que a ação teve como foco grupos envolvidos na cadeia ilícita desses produtos, desde a importação fraudulenta até a distribuição e a comercialização irregular de substâncias de uso injetável.
Ainda segundo a corporação, as ações se concentram em produtos à base de princípios ativos como semaglutida e tirzepatida, amplamente utilizados em tratamentos para obesidade, além de substâncias correlatas, como a retatrutida, ainda sem autorização para comercialização no Brasil.
Foram fiscalizados estabelecimentos como laboratórios de manipulação, clínicas estéticas e empresas “que atuam à margem da regulação sanitária, com produção, com fracionamento ou com comercialização de medicamentos sem registro ou de origem desconhecida”.
Dados da corporação mostram que as apreensões de medicamentos emagrecedores apresentaram aumento ao longo dos últimos anos, passando de 609 unidades em 2024 para 60.787 em 2025 e já alcançando 54.577 unidades até março de 2026.
O trabalho de fiscalização e de repressão diante do mercado ilegal de canetas emagrecedoras é muito importante, mas é urgente também ações de conscientização da população sobre os riscos envolvidos. A promessa de resultados rápidos e preços mais baratos do que nas farmácias regulamentadas não pode se sobrepor à segurança dos pacientes, sobretudo quando há o consumo de substâncias sem procedência ou aprovação sanitária.
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