O meio ambiente e a fábrica de baterias
Primeiro indaga-se porque o Município de Londrina está se dispondo a doar 15 alqueires de terra a uma futura fábrica de baterias se apenas 1 ou 2 alqueires já devem ser suficientes. Questão idêntica foi levantada recentemente pelo Clube de Engenharia e Arquitetura, que denunciou a generosidade em doação de terreno público, quando uma área menor seria suficiente. Logo a seguir explodiria o escândalo dos vereadores acusados de pedir propina para aprovar projetos de zoneamento, que têm a ver também com a doação de áreas.
Agora, com respeito à indústria de reciclagem e posterior fábrica de baterias de veículos automotores, é o protesto de moradores do Distrito de São Luiz, que não desejam esse estabelecimento em suas terras.
Os empreendedores em questão (argentinos e uruguaios) afirmam que não há risco de poluição das águas (no caso, a nascente de um rio), mas em dado momento ocorre uma negligência e lá se vão os resíduos químicos para as correntes. Aí o noticiáio se ocupa do fato, os organismos de preservação ambiental se pronunciam e podem tomar medidas punitivas, mas o mal já está feito. Isso acontece com frequência.
Também as usinas nucleares são instaladas mediante todos os sistemas de segurança, mas um dia ocorre um vazamento e gente morre ou fica com sequelas para toda a vida. Óbvio que precisam se instalar em algum lugar as fábricas de baterias e outras indústrias que manipulam agentes nocivos ao ambiente e às pessoas, porém o mal é que as estruturas de segurança não oferecem garantia plena, e as instituições fiscalizadoras são sabidamente falhas.
Moradores do Distrito de São Luiz reagem, mesmo ante a promessa de a indústria oferecer 420 empregos diretos e, naturalmente, movimentar capitais e promover desenvolvimento. Ainda tramita na Câmara de Vereadores o projeto de doação do terreno, por isso é oportuno examinar se são necessários todos os 15 alqueires e aferir a adoção dos requisitos ambientais e a garantia que a fábrica irá dar - o que de qualquer modo será sempre uma incógnita.
Aquela localidade tem muitas belezas naturais, e próxima dali está a Mata dos Godoy, extenso e rico patrimônio vegetal. Por isso tem mais vocação para o turismo do que para indústrias, ademais se estas lidam com ingredientes perigosos que venham a propiciar danos, por eventual descuido. Esse ponto da Zona Sul do Município tende a ser continuador futuro de empreendimentos residenciais de mais padrão, e uma administração pública também deve tomar esse cuidado estratégico numa cidade como Londrina, que não pára de crescer. Os urbanistas e os vereadores têm de pensar seriamente no que propor para essa região.





