O medo é geral
A declaração da atriz Regina Duarte de que tem medo de um possível governo petista, manifestada na propaganda eleitoral de José Serra, fez mais barulho do que devia. Primeiro porque a artista, como qualquer cidadão, tem o direito de ter medo do que bem entender, seja quais forem as suas razões. E é livre para manifestar as suas apreensões, naturalmente.
Da mesma forma que Regina Duarte tem arrepios em imaginar Luiz Inácio Lula da Silva no comando do País, há quem trema só de pensar em mais quatro anos de governo tucano se José Serra for eleito. Pode dar pavor a muita gente imaginar que será a extensão de um período de arrocho salarial dos mais perversos, com os preços administrados pelo governo, como gasolina, energia, gás, água, luz e telefone subindo como foguete, enquanto o ganho do cidadão cai feito raio.
Também deixa milhões de brasileiros apavorados a idéia de conviver mais quatro anos em um cenário de fartos lucros para o sistema financeiro, enquanto o cidadão comum se espreme e o setor produtivo engata marcha-à-ré, cortando custos e abandonando projetos de investimentos.
É compreensível que o brasileiro de classe média tenha calafrios ao vislumbrar mais quatro anos de economia estacionada e projetos de vida arquivados, como nos anos FHC. O cidadão de baixa renda talvez também esteja paralisado de medo diante da idéia de passar quatro longos anos sem perspectiva, fazendo malabarismo para honrar o aluguel, abastecer a dispensa e preservar o raro emprego. Para os muitos brasileiros empurrados para o mercado informal, é mais que medo. Imaginar que tudo ficará como está pode ter efeito parecido ao de filme de terror.
É possível que a continuidade do programa tucano pelos próximos quatro anos esteja apavorando milhões de eleitores que votaram contra o governo no primeiro turno e que manifestam aos institutos de pesquisa a intenção de repetir nas urnas, dia 27, a opção pela oposição. E é natural que os tucanos estejam com medo disso.
Ruth Meira





