Denize Cotrim sempre gostou de animais de estimação, mas depois de casada, com os filhos ainda pequenos, nem pensava mais no assunto. Aconteceu, então, de encerrar um negócio que mantinha com uma amiga, do qual sobrou uma mesa de som, que ambas queriam. A amiga resolveu o problema, oferecendo pela meia mesa, à qual Denize teria direito, uma cachorrinha Poodle Toy. Assim, em dezembro de 1995, Maria Carolina, logo apelidada de Kika, entrou na vida da família Cotrim.
No começo, o marido de Denize, Acir, não gostou muito da idéia, mas a cachorrinha, muito esperta, escolheu-o como alvo principal de seu afeto e ele sucumbiu. Tanto que Acir a leva para passear de manhã e à noite, além de conversar com ela e de lhe comprar biscoitinhos especiais. Agora, como conta Denize, ele já avisou que, futuramente, não vai querer outro cachorro, ''porque a gente se apega muito a esses bichinhos''.
Apego também é tônica do relacionamento de Suely Favoreto com Suzy, uma Poodle de 4 anos. Antes dela, houve outra Suzy, que foi atropelada e teve de ser sacrificada. O filho mais velho de Suely, Valdo Henrique, hoje com 15 anos, gostava muito da cachorrinha e ficou doente quando ela morreu. Aí a mãe comprou outra, igualzinha.
Além de acompanhar a família ao supermercado e esperar sua volta obedientemente no setor de vasilhames, Suzy é uma cachorrinha de muita opinião: tira com a pata o boné branco com listras rosas que Suely gostaria tanto que ela usasse, e, embora prefira ficar ''em pêlo'', não se importa de colocar o vestidinho que traz estampado o brasão do Palmeiras. Mas Suzy já enfrentou um sério problema em sua vida. Deixada com outros poodles em uma pet shop, para o banho e tosa, envolveu-se numa briga e acabou levando a pior, tendo de extrair um dos olhos.
Quem a vê passeando na rua, sempre pergunta: ''Ela só tem um olho?''. Cansados de responder que ''não, ela está piscando para você!'', os filhos de Suely andam atrás de um ''tampão de pirata'', para disfarçar um pouco ou não a deficiência. Será que Suzy vai aprovar a idéia?
Therezinha Barcelos Rodrigues também tem um carinho muito grande por seu cachorro, Guilherme, mais conhecido por Guigui ou simplesmente Gui. ''Não fico sem ele'', costuma dizer. É o primeiro que entra no carro, quando a família viaja, e conta com cama exclusiva no quarto do casal, para onde segue, pontual e obedientemente, às 21h30, com o objetivo de assistir tevê, junto com Therezinha e seu marido, Nilson.
Mas a mais importante das funções desse Poodle muito sério e muito meigo e que também, de vez em quando, ''parece uma criança levada'', é, segundo Therezinha, ''preencher todos os vazios''. Um bichinho de estimação, comenta, ''não deixa a gente sozinha''.
Já Nilce Moreno Gibelato prefere os gatos ou será que são os gatos que a preferem? A dúvida persiste porque no bairro onde mora, Vila Iara, os gatos vira-latas parecem saber que ali sempre terão boa acolhida. Eles ou elas vão chegando e se acomodando, e logo cativam a afeição das crianças Laís, de 13 anos e Álvaro, de 11 , e acabam atraindo a atenção, mesmo de quem não se mostra muito fã de animais de estimação, como é o caso de Antônio, o marido de Nilce.
Ele mudou, conta, quando apareceu um novo visitante que, a princípio, julgaram ser um gato e a quem deram o nome de João. Mas, na verdade, era uma gata, logo renomeada para Joana, e estava prenhe. Na hora do parto, que foi difícil, quem a ajudou a ganhar os gatinhos? Antônio, o marido da Nilce. Desde então, segundo ela conta, Antônio ficou mais sensível e afetuoso. ''Nada como um bichinho de estimação'', filosofa, ''para amolecer o coração das pessoas''.

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