Nardir Antonio Sperandio
As agressões crescentes ao meio ambiente estão emergindo de forma acelerada, principalmente nos grandes centros, levando a temática ambiental a um destaque de nível global. Críticas são feitas constantemente ao foco do marketing tradicional, no sentido de que este não pode permanecer atrelado aos clientes e aos produtos tão-somente. A visão de longo prazo requer um pensamento consciente e responsável com as futuras gerações, envolvendo questões ambientais como poluição, esgotamento de recursos, efeito estufa, fome, miséria etc. Não podemos considerar a satisfação do consumidor sem considerar as questões de seu bem-estar social e qualidade de vida. Seria uma miopia em marketing.
A busca da satisfação de suas necessidades leva o homem a empreender, a trabalhar, empenhando-se em busca do crescimento e desenvolvimento econômico individual e social. Buscamos qualidade de vida e saúde. Não chegaremos a ela respirando um ar poluído, vivendo num ambiente que apresente riscos diversos à saúde e ao bem-estar de todos.
Segundo Philip Kotler, o papa do marketing, é importante o ecologismo, que é um movimento organizado de cidadãos e governos preocupados em proteger o meio ambiente de vida do homem, contra aqueles que o destroem. Em síntese, os ecologistas defendem o consumo e o marketing, porém com formas alternativas de evitar a degradação ambiental, considerando conceitos mais sensatos.
Kotler afirma que os ecologistas defendem os objetivos do marketing como algo que deve gerar a maximização da qualidade de vida traduzida não só pela quantidade e pela qualidade dos bens e serviços de consumo, mas também pela qualidade do meio ambiente. O marketing teria não só foco no cliente, como forma de desencadear o consumo exagerado, mas no seu conteúdo ético, visando à preservação da saúde e do bem-estar social pela preservação da qualidade ambiental para estas e para as futuras gerações de forma sustentável. Para Kotler, o ecologismo deverá tornar-se um forte aliado do marketing, pelas tendências de reconhecimento da responsabilidade social das empresas.
São vários os problemas ambientais que se apresentam. O efeito estufa, a inversão térmica, a chuva ácida, a degradação dos recursos hídricos, o crescimento acelerado da população, o buraco na camada de ozônio. Estes fenômenos não respeitam fronteiras políticas, tornando-se problemas mundiais. Dentre eles, a explosão demográfica possui um dos aspectos mais preocupantes.
Segundo H. Jöhr, autor do livro ‘‘O Verde é Negócio’’, a tendência da população mundial é duplicar a cada 50 anos. Isso irá gerar um aumento substancial na demanda por produtos e serviços, promovendo, também, um consumo de recursos naturais muito acima do sustentável. Os impactos ambientais serão ameaças sérias decorrentes deste fato. Será uma rica oportunidade de aumento do mercado consumidor, mas o homem precisa saber reavaliar e reestruturar completamente o modelo sócio-econômico. Deverá existir um gerenciamento correto de fatores sociais, políticos, econômicos e ambientais.
Dos quase 6 bilhões de habitantes do mundo de hoje, a grande maioria carece de alimentação adequada, água, moradia, educação e emprego. Qualquer avanço real no bem-estar e na qualidade de vida tende a não ser alcançado nos atuais ritmos de crescimento populacional. Estas constatações comprometem as futuras gerações, pois hoje estão sendo exauridos os recursos naturais de forma descontrolada. Os desafios estão em conciliar economia e meio ambiente a um estudo detalhado de todos os riscos e danos que a atividade da empresa pode causar ao meio ambiente.
Agregar valor ao produto e à empresa sempre será o desafio maior, e futuramente, só terá seu espaço garantido no mercado quem conseguir, não somente a maximização dos resultados da produção/prestação de serviços, mas a agregação de valores ao seu produto, baseada no bem-estar social, na moral e na ética dos negócios. Adequar o produto às reais necessidades dos consumidores é um desafio que nunca será esgotado.
Neste desafio, devemos considerar quais serão as necessidades e crenças dos consumidores do futuro. A comunidade européia está trabalhando no sentido de formar uma coalizão de governos, indivíduos e consumidores, visando estabelecer compromissos para a preservação do Planeta. É necessário, segundo estudos da mesma comunidade, uma mudança de hábitos de consumo.
A busca de vantagens competitivas que venham a agregar valores aos produtos, preservação da saúde e bem-estar social, será sempre valor relevante e desafio para as atividades estratégicas do marketing empresarial. O uso de estratégias empresariais apoiadas no marketing ecológico facilitará cada vez mais as relações comerciais, modernizando a gestão de negócios da empresa, melhorando sua imagem diante de seus clientes internos e externos. O marketing ecológico será cada vez mais um diferencial competitivo para a empresa.
- NARDIR ANTONIO SPERANDIO é consultor de empresas e professor de pós-graduação em Rolândia

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