O mapa do tesouro
Observando a história de nosso país podemos perceber que desde a sua colonização passamos por épocas bastante conturbadas. Depois de quinhentos anos de várias administrações desastrosas, verificamos problemas graves em diversos setores. Hoje, vivemos uma grande crise. Porém, não é a crise da falta de emprego, a crise da falta de justiça, a crise da falta de energia, a crise da falta de segurança, mas sim a crise da falta de educação, que vem se formando desde o surgimento de nossa nação e atualmente acarreta grandes problemas.
Algo está errado com o que estamos aprendendo em nossas escolas. Quantos ôJuízes Lalaus# existem por aí? Pessoas que passaram pelo menos quinze anos de suas vidas nos bancos escolares e tornaram-se bandidos mau caráter, doutores que utilizam todo o conhecimento e influência que têm de má-fé, em benefício próprio e prejuízo alheio. Por que, apesar de tamanha evolução e tecnologia, há tanta miséria, violência e ainda corremos o risco de nos autodestruir? Como bem define Pierre Weil, em seu livro A arte de viver em paz, ô...vivemos agora uma espécie de dor do crescimento. Deixamos de ser crianças mas ainda não sabemos nos portar como gente grande. Acumulamos muitos conhecimentos mas não adquirimos sabedoria para usá-los.#
A educação é o principal alicerce para se construir uma nação forte, justa, pacífica e o meio mais eficaz de se alcançar o desenvolvimento sustentável e combater a pobreza, a exclusão e a violência. Um novo modelo de educação, que vem sendo discutido principalmente através da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), implanta o conceito da educação holística, e propõe tratar o ser humano como um todo, como seres que pensam, têm sentimentos, emoções e que interagem e dependem do meio em que vivem. Esta educação deve, portanto, contribuir para o nosso completo desenvolvimento: físico, mental, social e espiritual. A mais valiosa consequência desta revolução educacional é a paz, mas a ôpaz verdadeira#, que não significa apenas ausência de guerra e sim um estado de consciência, um sentimento de plenitude, amor altruísta, um desarmamento do espírito, uma convivência harmônica entre homens e natureza.
O sistema de ensino vigente no Brasil é ainda bastante precário e falho, mas vem mostrando sinais de recuperação. Há, entretanto, muito caminho a percorrer para se chegar perto do ideal. O ensino básico curricular que é atualmente aplicado nas escolas não deve de maneira alguma ser abandonado, mas precisa sim, ser modernizado e organizado.
Os principais pilares da educação holística são o estímulo do ôaprendizado através da vida#, o ensino do ôaprender a aprender#, do ôaprender a conviver#, o ôdesenvolvimento da espiritualidade# e a nobre função de ôdespertar a consciência da responsabilidade social#. A implementação de um sistema educacional de nível elevado e tão abrangente e complexo, não é tarefa fácil nem rápida. Requer muito planejamento, estudos metodológicos e ainda é preciso transformar valores, conceitos, opiniões e sentimentos. Ademais, problemas como a fragilidade política, a inexperiência, e a falta de recursos financeiros e humanos especializados, atrasam em muito as tentativas de mudança. A UNESCO acredita que para se alcançar o sucesso na reforma educacional é necessário o envolvimento, em primeiro lugar, da comunidade local, incluindo pais, professores e líderes escolares; este é o mais importante estágio. Em seguida, destaca-se a necessidade da participação das autoridades políticas e, em terceiro lugar, da comunidade internacional. As experiências mostraram que nos países onde faltou a participação de uma das bases deste tripé, as reformas falharam.
É hora, portanto, de cada um fazer a sua parte. Devemos nos conscientizar de que somos os agentes da mudança e de que apenas lamentar a situação não gera progresso. Cada cidadão deve refletir e começar a revolução dentro de si, deve participar de sua comunidade, discutir os problemas e ajudar a encontrar soluções. Nossos governantes devem investir em estrutura educacional, promover conferências para discutir e modernizar a metodologia da educação, e, o mais importante e urgente, dar o valor e o reconhecimento que nossos professores merecem, pois sem eles o país estará fadado à involução. É necessário que o Brasil eleve o seu nível de conhecimento para podermos discutir com outros países as maneiras de melhorar o mundo através da educação. Este é o momento de o planeta fortalecer as instituições internacionais como a ONU, e a UNESCO, e caminhar para a formação de uma espécie de governo mundial, para que os problemas que têm uma dimensão global possam ser solucionados de maneira justa e democrática. Não é mais possível vivermos completamente em paz e felizes enquanto em cantos sombrios do planeta reinarem a miséria, a violência e o sofrimento.
A educação não é um fim em si, ela é um meio, uma árvore que dá deliciosos frutos, um mapa que nos mostra os caminhos para se chegar ao maior tesouro que é viver a ôpaz verdadeira#. Vamos plantar esta idéia e lutar por esta grande causa! Nas palavras de John Lennon, ôdê uma chance à paz#.
MARCOS HEIDY GUSKUMA é cirurgião-dentista em Londrina





