A primeira mulher eleita presidente do Brasil tomou posse ontem. A passagem do cargo do torneiro mecânico Luiz Inácio Lula da Silva para a economista Dilma Rousseff, ambos do Partido dos Trabalhadores (PT) é um marco na história do País.
O ambiente festivo, no entanto, deve durar pouco. Dilma vai enfrentar muita pressão por assumir um governo deixado por um presidente campeão em índices de aprovação. Para obter aceitação pelo menos próxima da obtida por Lula, ela terá de promover avanços significativos, de preferência em um curto espaço de tempo. Mas Dilma pode buscar seu diferencial. Se estancar a corrupção, por exemplo, será um dado importante.
A sombra de Lula não é o único desafio para a nova governante. O preconceito contra as mulheres ainda existente no País representa mais um obstáculo para Dilma Rousseff. Qualquer fracasso da ex-guerrilheira que agora está no poder será um prato cheio para que se ''desfilem preconceitos'' contra a primeira brasileira a chegar ao cargo mais importante do País.
A avaliação é feita pelo cientista político Leonardo Barreto, professor e pesquisador do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), em entrevista à repórter Érika Gonçalves, publicada hoje na página 3 deste jornal.
Barreto considera que a presença de uma mulher na presidência é um importante cartão de visitas para o País. Este fato, defende o cientista político, é uma prova de que a sociedade brasileira é ''amadurecida'' e está em ''evolução.''
A discussão de gênero não é a única novidade neste início de gestão presidencial. O passado de Dilma Rousseff, que entrou na luta armada contra a ditadura e chegou a ser torturada, também representa um divisor de águas para a política nacional.
Este histórico, de acordo com análise de Leonardo Barreto, não será empecilho para o desempenho da presidente. No jogo político e econômico mundial não há espaço para este tipo de preconceito. Os países, destaca o cientista político, são ''muito pragmáticos'' em suas relações. Por isso, o que vai valer é o fato de que Dilma Rousseff é a comandante de uma das maiores economias do mundo. Uma nação que ainda é uma das campeãos mundiais de desigualdade social. E são esses desafios que ela terá que enfrentar nos próximos quatro anos.

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