É sempre ruim para a população de uma cidade assistir a denúncias de irregularidades de seus governantes. Londrina tem sofrido duros revezes nesse campo, com grande desgaste para a imagem da administração pública e gerando baixa de auto-estima por parte da população e mau exemplo. A manchete mais destacada de ontem deste Jornal foi a ação do Ministério Público denunciando o atual prefeito e seu ex-secretário de Gestão Pública por improbidade administrativa. A acusação é de irregularidade em pregão eletrônico realizado em 2003 para compra de equipamentos de informática. Uma anomalia técnica na licitação, que envolve R$ 849 mil. Londrina que já fez ministros, governadores, senadores, deputados, e guindou outras lideranças para funções destacadas da vida nacional, também teve um prefeito cassado por corrupção, abriga no momento um deputado federal que é frequentador das manchetes dos jornais por acusação idêntica, e agora tem mais uma vez o atual chefe do Executivo figurando no noticiário pouco lisonjeiro das acusações de ilicitudes. Administradores públicos de uma cidade do porte de Londrina não podem ignorar dispositivos legais que regulamentam as práticas públicas, caso da questão ora levantada. A denúncia é de ''mácula na competitividade do certame''. Algo que não poderia ter havido, com tanta assessoria jurídica de que se cerca a administração pública de Londrina. Ademais tendo uma Câmara de Vereadores à qual incumbe (também) vigiar os atos do Executivo e o fluxo da gestão pública. E se houve má fé, isto agora a investigação processual irá apurar. São momentos pouco agradáveis da história político-administrativa de Londrina. Há vários meses o prefeito é pouco visto e parece evitar aparecimentos em eventos públicos. Também não é encontrado em canteiros de obras, porque estas foram poucas para os seus 6 anos contínuos de administração. Contabilizam-se a favor as casas populares, com recursos federais. A queixa das ruas é que, ao contrário, houve marchas à ré, como o impedimento da vinda da multinacional Wal-Mart e a perda do ranking de Londrina como 3 cidade do Sul do Brasil, por conta de vários fatores, que não apenas o populacional mas também a baixa no índice de desenvolvimento humano. Algo que tem a ver com o desempenho do poder público. E isto acontece num momento político em que a administração petista local conta com um presidente da República do mesmo partido e com um governador de linha ideológica idêntica. Tudo tem sido favorável para um melhor aproveitamento da privilegiada situação. E agora, em tempo de greve dos servidores municipais, semeando prejuízos a toda a comunidade, levanta-se mais este caso, o da ação do MP por irregularidade em licitação. A cidade precisa ser poupada de mais transtornos.

mockup