O aumento de apenas R$ 87 no salário mínimo regional – mesmo somando-se a isto os encargos – não é tão alto a ponto de já estar gerando demissões, especialmente de empregadas domésticas. O empregador tem múltiplas razões para queixar-se dos custos com trabalhadores, no domicílio ou na empresa, mas o problema do desemprego e da violência se intensificará se a cada aumento salarial houver corte de empregados. Porque há uma responsabilidade social de parte de todos num país onde são escassas as vagas de trabalho e onde as misérias sociais vicejam. Se existe fundamentada apreensão por causa da violência – marcadamente os atentados contra o patrimônio – colocar mais gente no fosso do desemprego é contribuir para aquilo que a sociedade tanto combate. É dever de todos, povo e Governo, contribuir para a causa da paz social, e esta se nutre da segurança que o emprego e ganho proporcionam. Aquele que despede sem muito pensar, apenas porque teve pequena sobrecarga com o empregado, perde autoridade para reclamar das mazelas sociais e da violência. Porque não incumbe apenas às instituições públicas de repressão combater a delinqüência, sendo também dever da sociedade ela própria não se converter em agente da condenação de alguém ao desemprego. A elevação de ganhos pelo trabalho remunerado, no Brasil, é uma tendência inevitável, porque os salários no geral são baixos. Impossível evitar esse crescimento, porque é certo que isso tende a ocorrer progressivamente, até chegar-se ao patamar dos países adiantados. Se há um ideal de melhoria das condições de vida do povo brasileiro, os trabalhadores estão naturalmente incluídos, e esse crescimento do índice de desenvolvimento humano não ocorrerá sem trabalho e boa renda. Nenhuma nação evoluiu pela recorrência imediatista à demissão, ante a menor turbulência, mas sim pela manutenção do emprego e do salário condizente. Se os encargos sociais são perversos e a legislação trabalhista conspira contra o emprego e contra o empregador, também impera no Brasil o costume, face a qualquer aumento salarial, de reagir pelo ferimento na carne. Ou seja, atingir primeiro onde dói, e esse ponto é o das pessoas. No lugar de rever eventual excesso de gasto e desperdício em outros setores, o comportamento imediato tem sido o de demitir gente, como se fôra um revide ou uma espécie de vingança contra as elevações salariais. Dessa forma, muitos sofrem a cada decretação de aumento, ao invés de beneficiar-se disso, e assim fica mais difícil resolver os problemas sociais brasileiros.

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