X., 17 anos, fez o teste de Aids depois que um trabalho escolar o alertou para o assunto. ''Comecei a achar que estava com sintomas, umas manchas pelo corpo, e fui fazer o teste'', diz. As manchas sumiram, mas o resultado, três meses depois, deu inconclusivo, para depois se confirmar a doença. ''Foi um baque, não tem nem como falar, você se revolta com tudo, se revolta com a vida, acha que a vida vai ser uma desgraça'', relata, temendo o preconceito que a doença ainda acarreta.
Nas festas e ''baladas'' que frequentava, X. disse que por muitas vezes transou sem usar preservativo. Ou porque não tinha, ou porque não conseguiu ''arrumar''. E diz ainda que o comportamento é comum entre os adolescentes. ''Na hora acaba rolando, homem não pode ver rabo de saia'', cita, repetindo a ''frase feita'' tão disseminada mesmo entre meninos.
A vida sexual começou cedo, aos 13 anos, e X. já teve inúmeras parceiras ''pelo menos dez'' , meninas da mesma idade, mais velhas e até ''uma vez'' uma garota de programa. Com uma namorada que teve durante alguns meses usava preservativo. ''Tinha medo por ela, porque sabia que transava com outras pessoas'', revela.
X. conta que depois do teste sua vida mudou completamente, ele parou de estudar pela segunda vez (estava no primeiro ano do ensino médio), entrou para uma igreja evangélica, deixou de ir a festas. Sua preocupação hoje é cuidar da saúde, dormir bem e pelo menos oito horas por dia e ter uma alimentação saudável. As visitas ao médico são semestrais e as consultas com a psicóloga, semanais. Ele está com o índice de defesa do organismo alto e a carga viral do HIV baixa, e por isso ainda não precisa tomar o coquetel. ''Com o tempo, a defesa do organismo cai e a carga viral aumenta, mas isso depende de como eu estou me cuidando''.
Bem informado sobre a doença, X. faz muitos planos para o futuro, quer voltar a estudar e fazer uma faculdade, e tem esperança de cura. ''Hoje não é mais como há dez anos, tem tratamento, remédio, e eu tenho esperança de descobrirem uma cura. Meu sonho é ser jornalista, eu sou muito 'conversador', gosto de saber as coisas e de escrever, mas também penso em estudar hotelaria e turismo ou direito.''
Hoje, depois de um ano, só a família sabe que ele é portador do vírus HIV. A namorada, uma menina de 13 anos, não sabe e ainda não ''rolou'' sexo entre eles. ''O meu maior medo é de contar para a minha namorada que eu tenho Aids e ela não me aceitar. Também tenho medo de não encontrar ninguém que me aceite para casar e formar uma família. O maior medo é do preconceito''. C.P.

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