O LUCRO DO BEM - Empresas cidadãs criam rede e adotam selo
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de dezembro de 2003
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
O simples fato de a empresa escolher fornecedores que, por exemplo, paguem seus impostos em dia, não poluam o ambiente ou cumpram suas responsabilidades trabalhistas, já é uma atitude socialmente responsável, explica o coordenador do Conselho de Ação Social Empresarial da Associação Comercial do Paraná (Casem/ACP), Hudson José. O Casem foi fundado há cinco anos justamente para buscar bons exemplos e estimular as empresas do Paraná a praticar atitudes socialmente responsáveis. O conselho criou, inclusive, um selo que certifica os melhores projetos.
''Cada empresa tem que descobrir o que pode oferecer, usando seu pontencial para o trabalho social. Esse é o primeiro passo'', define José. Como a idéia é de que a responsabilidade social seja uma atitude permanente, o ideal é que a empresa use uma fonte para desenvolver o projeto que venha de dentro da própria corporação, não onerando exageradamente o orçamento. Isso porque, em caso de corte de gastos, o primeiro ponto a ser afetado serão os projetos sociais. Daí, o resultado pode ser pior do que somente acabar com um programa: a empresa pode ficar com uma imagem ruim perante à sociedade.
Os projetos de responsabilidade social exigem atitudes de mudança, portanto os beneficados também devem ter uma postura responsável e não receber a ajuda passivamente. A estudante Diony Cristina Sens, 15 anos, faz parte do programa Bom Aluno, mantido pela empresa paranaense BS Colway. Por ter boas notas desde os 13 anos, Diony tem seus estudos financiados pela empresa. E, se ela continuar indo bem na escola, terá a bolsa até terminar a faculdade e para a pós-graduação, se quiser. ''Cada aluno que entra no programa se compromete a, no futuro, ajudar mais dois alunos. Da forma que for possível. É um compromisso que assuminos para manter o projeto sempre vivo'', conta.
O sócio-proprietário da BS Colway, Francisco Simeão, conta que ele e seu sócio, Luiz Bonacin Filho, tiveram a idéia de criar o Bom Aluno porque vieram de famílias de baixa renda e tiveram a oportunidade de crescer profissionalmente. Por isso, gostariam que o mesmo acontecesse com outras pessoas. ''Nos 10 anos do programa, 100% dos alunos que prestaram vestibular passaram, sendo que 38,7% em primeiro lugar. Eram talentos que, por falta de oportunidade, poderiam não se desenvolver'', afirma.
O Bom Aluno mantém hoje 400 alunos mantidos pela unidade de Curitiba e Região Metropolitana e 600 em franquias do programa, mantidos por outras diversas corporações. Para atender mais alunos, Simeão diz que conta com a ajuda das instituições de ensino, que oferecem bolsas de estudo parciais e até integrais.
Já o gerente-geral da fábrica de tintas Realfix, Márcio Bianchini, diz que quando percebeu que os funcionários faziam uma ''vaquinha'' para doar cestas básicas à comunidade, resolveu criar um programa de voluntariado na empresa e incentivar os trabalhadores a participar. Ele conseguiu a adesão de 43% dos funcionários.
A primeira atitude foi participar do dia da Ação Global. Para o ano que vem, a empresa e seus funcionários já se comprometeram a fazer a manutenção de uma escola (usando o material produzido na própria indústria). ''O nível de conscientização deles hoje é bem maior. Eles reconhecem como é gratificante esse tipo de trabalho'', conta Bianchini.


