Não é filantropia, assistencialismo ou favor. A responsabilidade social significa, na verdade, lucro para as empresas e até mesmo a própria sobrevivência num mercado concorrido. Responsabilidade social pode ser uma maneira de agregar valor ao produto, tornando-o mais simpático às pessoas, e por isso mesmo mais procurado pelos consumidores. Mas, se de um lado o retorno financeiro é um dos objetivos das empresas ao se tornarem socialmente responsáveis, não é possível negar que a comunidade também se beneficia dos projetos, que podem abranger áreas desde educação, geração de renda, emprego, lazer e desenvolvimento local, até questões ligadas à preservação do meio ambiente.
Para a coordenadora do curso MBA Gestão da Responsabilidade Social Corporativa do Instituto do Desenvolvimento Humano e Gestão Empresarial, Márcia Neves, investir no social é um grande negócio. Ela cita como exemplo o índice americano Dow Jones, de sustentabilidade, que aponta que as ações das empresas socialmente responsáveis cresceram 44% em média na bolsa, nos últimos 10 anos. As outras, 21%.
Em Londrina, pelo menos duas empresas se dedicam à responsabilidade social, de olho no incremento dos negócios. Mas o diretor de assuntos coorporativos da Milênia Agro Ciências S.A., Luiz Cesar Auvray Guedes, aponta ainda outras vantagens de ser socialmente responsável. ''Bancos e seguradoras já estão vendo as empresas que praticam responsabilidade social como de menor risco e por isso reduzem juros e o valor do seguro. A empresa também passa a ser vista de forma diferente pelo consumidor. A responsabilidade social gera um valor não tangível, mas percebido pelos empregados, clientes, fornecedores e comunidade, que passam a confiar mais no produto.''
Um dos aspectos positivos já gerado depois que a Milênia começou a investir em projetos com a comunidade (leia texto nesta página) foi o aumento de produtividade dos funcionários, segundo Guedes. ''O primeiro retorno é o orgulho dos funcionários em trabalhar numa empresa transparente, ética, que promove ações positivas na comunidade onde atua. E satisfação com a empresa resulta em produtividade'', afirma.
Segundo o diretor da Rondopar Chumbos e Derivados, Ary Sudan, existem pesquisas que comprovam a preferência do consumidor por produtos de empresas socialmente responsáveis. ''Uma pesquisa do Instituto Ethos aponta que 26% dos consumidores preferem adquirir produtos de empresas que têm responsabilidade social, mas por enquanto só 16% desses consumidores concretizam essa opção. Não pensamos em retorno imediato, mas a longo prazo. A responsabilidade social melhora a imagem da empresa e aumenta a auto-estima dos funcionários'', analisa.
Com tantas vantagens, não é à toa que o investimento em responsabilidade social faz parte do orçamento dessas empresas. A Rondopar, por exemplo, investe em média R$ 350 por mês por cada integrante do projeto Bom Aluno, além de usar a estrutura da empresa e ter contratado uma psicóloga para gerenciar o programa. A Milênia também contratou uma assistente social para fazer a ''ponte'' com a comunidade do Conjunto Eucaliptos, onde está sediada; publica um jornal mensal e patrocina projetos. ''Mas é preciso quebrar a idéia de que só se promovem coisas com dinheiro, às vezes basta mudar atitudes'', ressalta Guedes.

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