Começa a assumir um tom exasperado e radical a reação da classe médica contra os pagamentos ínfimos das seguradoras e proprietárias de planos de saúde. O descredenciamento de profissionais em algumas especialidades como a da pediatria ou ainda em situações massivas como a adesão de quarenta médicos em Ivaiporã à suspensão dos trabalhos ganha um tom de ruptura, ainda mais com as declarações contundentes do presidente da Associação Médica do Paraná, Fernando Macedo, feitas à Rede Globo e a outros meios de comunicação, ele que vem liderando manifestações no espaço nacional e regional.
  É chocante o que se paga por serviços médicos diante pelo menos da elevação dos preços desses planos ao longo dos últimos anos. Se é verdade que se torna indispensável reduzir, o quanto antes, essa defasagem é necessário levar em conta que todo o sistema público ou privado, conveniado ou não, se encontra no auge de uma crise. Ainda ontem em Arapongas a Santa Casa suspendeu o atendimento de pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS), quando o hospital estava de plantão conforme o revezamento acordado com outras casas de saúde.
  Ainda ao Norte há situações complicadas nas santas casas de Cambé quando o custo médio mensal do Pronto Socorro é de R$ 500 mil enquanto as verbas repassadas pelo município e Estado atingem o máximo de R$ 260 mil. Repete-se o drama em Uraí em que o Pronto Socorro despende R$ 70 mil mensais e os repasses não ultrapassam R$ 54 mil. A situação é endêmica e generalizada em todo Paraná.
  Se a resistência civil é uma arma histórica da democracia, e nesse caso passa a revelar uma ‘‘ultima ratio’’ como nas greves, urge evitar que o diálogo seja interrompido e é evidente que todas as áreas envolvidas o retomem o quanto antes. O temor é que isso venha a servir de ‘‘background’’ para a recriação do monstro, a CPMF, que agora serviria, supostamente como sempre, para atender esse setor e também à grita dos municípios e estados membros em crise. Na primeira vez tungaram os recursos da saúde e agora, pelo jeito, se faria o mesmo na compulsão da gastança pública, velha deformação brasileira.

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