O lixo administrativo
Curitiba e alguns municípios da região metropolitana estão preparando o que está sendo chamado de Consórcio do Lixo. Nós, pobres mortais, quando ouvimos falar em consórcio, imaginamos logo aquele monte de prestações que temos que pagar quando queremos comprar um carro, um computador, uma geladeira, um telefone celular, etc. Mas a idéia é reunir a coleta e destinação do lixo destas cidades, que deverão ser feitas por uma só empresa e um só critério.
O que fica um pouco estranho é o critério anunciado até agora, de que o pagamento do serviço será feito pelo volume do lixo de cada residência. Nossas casas ou apartamentos são chamados na linguagem tecnocratês de unidades geradoras que não poderão gerar mais que 30 litros de dejetos por dia para pagar a tarifa mínima, que ficará entre R$ 10,00 e R$ 12,00. Quem gerar mais vai pagar mais em seis tipos de tarifas diferentes.
Não foi explicado até agora como é que a empresa ou a prefeitura vai medir isso. Os contribuintes esperam, ansiosos, uma ressporta. Será que o caminhão do lixo vai com algum tipo de medidor embutido e quando pega o lixo da casa, ou unidade geradora, emite uma nota com o volume recolhido? Você tem que estar presente para conferir o que está sendo medido pois o vizinho, espertamente, pode ter colocado um saquinho a mais no seu lixo para tentar manter-se na tarifa mínima. E aquele outro vizinho, para não pagar mais, jogou um pouquinho de lixo no chão. E se jogar diretamente no rio, aí não paga nada? Ninguém mais vai querer varrer a calçada e recolher o produto da varrição pois agora é melhor jogar tudo no bueiro ou no terreno baldio.
Luiz Claudio Oliveira





