O mundo passou por grandes mudanças nas últimas décadas, com ênfase especial após a Segunda Guerra mundial. Em 1945, o mundo se dividiu em duas frentes. Uma delas era representada por aqueles que acreditavam na ideologia marxista, onde a melhor forma de governo era aquela conduzida pela mãos de governos socialistas, liderados pela União Soviética. Do outro lado, encontrava-se outro bloco, liderado pelos Estados Unidos, baseado nos valores da livre iniciativa, estado de direito, mercado livre e liberdade de expressão.
Passados 45 anos do final da segunda grande guerra, o mundo viu a queda de praticamente todos os regimes socialistas do mundo. A falência deste modelo começou pela União Soviética, núcleo do poder comunista mundial, e rapidamente se alastrou pelos outros países influenciados por sua política, levando a derrocada dos regimes comunistas do Leste Europeu, Ásia e África. Logo, a queda do muro de Berlim em 1989, representou o fim de uma era. O totalitarismo havia sido vencido e novas idéias começaram a circular nos ex-países socialistas, baseadas principalmente em dois princípios: liberdade e democracia.
Entretanto, os conceitos de liberalismo e democracia não ficaram estanques, simplesmente aguardando a derrocada socialista. Enquanto as idéias de pensadores socialistas eram divulgadas pelo mundo, existia pelo menos um núcleo de pensadores sérios e dispostos a estudar um outro modelo de sociedade, baseada em um valor: a liberdade. Formou-se então, pelas mãos do professor Friedrich A. Hayek, a ‘‘The Mont Pelerin Society’’.
Fundada em 1947, logo após o final da Segunda Guerra, em Mont Pelerin, região perto de Montreaux, na Suíça, a sociedade formou-se com o intuito de discutir o modelo de Estado e o destino do liberalismo na teoria e na prática, face a experiência totalitária vivida em países como a Alemanha, Itália e União Soviética. Os princípios defendidos por este grupo, formado inicialmente por historiadores, economistas e filósofos, baseavam-se pontualmente na defesa do estado do direito, democracia, liberdade de escolha, liberdade econômica, incluindo um mercado aberto e consequentemente competitivo, assegurando desta forma, a liberdade em sua mais ampla e irrestrita forma.
A sede de seus encontros é variada, pois possui membros de mais de 40 países diferentes. Como seus membros encontramos alguns prêmios Nobel em economia, como Gary Becker, James Buchanan, Milton Friedman e seu fundador Friedrich A. Hayek. Na última semana, os membros da The Mont Pelerin Society se encontraram em Santiago do Chile. Os temas discutidos foram variados, desde a eventual liberalização das drogas, passando por mercados competitivos, a natureza da lei em uma sociedade aberta, a decadência da regulação estatal, blocos econômicos regionais e livre mercado, meio ambiente, direitos autorais, democracia e liberalismo.
Ali se discute o que realmente é liberalismo. Liberdade de mercado e de escolha, que por fim gerarão riqueza e inclusão social. Os países que adotaram esta fórmula liberal estão em ótima forma, ao contrário dos países que experimentaram o modelo comunista. Logo, a liberdade econômica e democrática mostra-se como a melhor fórmula do sucesso. Aos que não concordam, é só traçar um paralelo entre o Chile de ontem e o de hoje, resultado da prática de um mercado aberto e livre. Aplausos a The Mont Pelerin Society por seus estudos e contribuições para a formação de sociedades verdadeiramente livres e democráticas.
- MARCIO C. COIMBRA é advogado em Brasília
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