Agora vai
A passividade nacional é inquientante. Não sei bem como definir minha sensação. Revolta ou vergonha? Alguém precisa fazer algo por este país. Quinze dias de dezembro, trinta e um dias de janeiro e mais quatorze de fevereiro, total: 60 dias em que muito pouco foi efetivamente realizado num país onde o sol brilha 14 horas por dia, não neva e as contas de todo mundo estão negativas - inclusive as do governo. Nada acontece durante este tempo de orgia, erotismo e prazer nacional. Enquanto a expectativa reinante entre o reveillon e o carnaval arrebata a consciência de toda a nação à ilusão de que o ano será miraculosamente bom, a Ásia, a Europa, a América do Norte corre atrás da produção, da qualidade, dos negócios e da riqueza. Riqueza que significa solução aos problemas com os quais todos convivem 24 horas por dia, mesmo os menos informados. É questão de consciência.
O povo brasileiro é trabalhador. É um povo de garra. É um povo dócil e dado a soluções coletivas de grande sacrifício. Prova matemática irrefutável: ninguém suportaria o aperto por que toda a nação passou ultimamente. O povo brasileiro aguentou tudo sem derramar uma só gota de sangue dos autores das loucuras e devaneios econômicos de meia dúzia de perversos ‘‘cientistas’’.
É preciso trabalhar. Comprar, vender, planejar, crescer fazer dinheiro, modernizar. Veja o que fez FHC na Itália nestes últimos dias. Belo exemplo. Mas se não fossem as pressões comerciais americanas e européias dos últimos dias - gente falando grosso com a ‘‘pátria amada, salve, salve’’ - o presidente estaria, é claro, na Sapucaí ou em Búzios. Afinal, ninguém é de ferro. Acho que diante disso tudo, resta-me apenas um voto - bastante óbvio, por sinal. Vai lá: ‘‘Agora é hora: Feliz 97, Brasil!!!’’
- ABY HAVER, de Londrina.
Renda mínima
Sei que o governo não vai aumentar o salário mínimo em 200%, o que melhoraria a vida dos trabalhadores e dos aposentados. Mas, pelo menos destes últimos, ele deveria melhorar, criando uma renda mínima para aposentados - digamos uns 300 reais por mês. As aposentadorias menores receberiam uma complementação até chegar neste valor.
Sei que todos os trabalhadores merecem uma renda mínima, que todos os aposentados merecem ganhar mais. E apesar do INSS estar quebrado, isso deveria ser feito, para se fazer justiça com aqueles que já trabalharam tanto. Gostaria que algum deputado tomasse conhecimento desta carta e tentasse fazer isto tornar-se realidade.
- LOUIR DE OLIVEIRA, de Londrina.
Polícia Militar
Com respeito a nota publicada pelo jornal Folha de Londrina, edição nº 13.649, página 4, sob o título ‘‘Famílias pedem justiça contra PM’’, este comando tem a informar o seguinte:
a) o comandante do Policiamento da Capital instaurou Inquérito Policial Militar para apurar os fatos, tendo encarregado o capitão Everson Martins, do Batalhão de Trânsito, para procedê-lo;
b) as armas utilizadas pelos policiais militares, assim como as encontradas em poder de Cleverson Maciel, Carlos Roberto Wiginewski, Israel Schmitt Alves e Paulo Roberto Martins, os quais entraram em óbito após o confronto, foram encaminhadas à Perícia Técnica, assim como foi periciada a viatura da Companhia de Polícia de Choque, alvejada pelos disparos;
c) além da testemunha dos assaltos praticados pelas pessoas já citadas, residente à Rua Visconde do Rio Branco, outras três vítimas de assaltos à mão armada que reconheceram seus algozes, através das imagens levadas ao ar pelo programa ‘‘Alborghetti’’, no dia 10 de fevereiro de 1997, vieram declarar estes fatos espontaneamente, no Quartel do Comando Geral, propondo-se fazê-lo igualmente no IPM e na Justiça. Tais assaltos ocorreram em ônibus do transporte coletivo, estações-tubo e supermercado, segundo as vítimas.
Finalizando, esclarecemos que o objetivo da Polícia Militar do Paraná, instituição com 142 anos, é manter a segurança pública, sendo que, diariamente, são efetuadas inúmeras prisões de marginais, os quais são encaminhados à Polícia Judiciária para os procedimentos legais; as situações de confronto, com perdas para a Polícia Militar ou com óbitos de marginais, são eventuais e ocorrem somente quando os policiais militares não são obedecidos na abordagem e há reação armada contra a força policial que, como qualquer cidadão, tem o direito à vida, preservado pelo instituto jurídico da legítima defesa, capitulado no Código Penal Brasileiro.
- CORONEL LUIZ FERNANDO DE LARA, comandante geral da Polícia Militar do Paraná
Quando folhas caem
Muito triste, apesar de repetitivo, observar o outono que engatinha, furtivo, atravessando estações com a repugnante imutabilidade. Quando Vivaldi se empenhou para demonstrar a alegria primaveril, o calor do verão desejado ou as cores melancólicas que as almas percebem nos invernos, apenas de leve arranhou mas intensificou ainda mais o vazio da estação estranha, não conseguindo reter-lhe a expressão do fim, que desvenda segredos e mistérios. Acordes transitaram pelas folhas, inertes e esverdeados pingentes, e renderam-se ao toque real da gravidade que seduz. O homem, folha que só é vivificada na seiva do amor e na plenitude da doação, torna-se vítima desta imensa força gravitacional, que não se importa com cor de olhos, pele, bondades ou maldades; ela, a gravidade pouco a pouco faz vergar reis, fortes ou fracos, levando-os ao chão.
- LUIZ EDGARD BUENO, Londrina.
Carnaval
Foi de uma felicidade invulgar a Folha da Sexta do dia 7/2, em pleno Carnaval, ao mostrar tudo que acontece nos clubes de Londrina e região. Mas o que chamou mais a minha atenção foi o anúncio publicado na penúltima página - ‘‘SOS Espaço Esperança’’-, sobre a campanha em auxílio aos nossos irmãozinhos desabrigados pelas enchentes - que fizeram muitos perderem tudo de suas residências, ficando só com as roupas do corpo e a vontade de viver.
Campanhas como essas e a parceria valorizam o ser humano e nos ajudam a prosseguir nesta luta diária mais confiantes e esperançosos de um futuro onde as pessoas menos favorecidas pela sorte e pelo destino sejam amparadas, amadas e acima de tudo respeitadas como seres humanos. Valeu Folha de Londrina. Valeu SOS Esperança.
- JOSÉ PEDRO NAISSER, Curitiba.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.

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