O LEITOR ESCREVE
Londrina-Curitiba
Com a privatização, a rodovia que liga Londrina a Curitiba está melhor sinalizada, os buracos já são exceção e as margens ou acostamento são mantidas com um mínimo de vegetação. Mesmo com estes pequenos sinais, ainda há muito por ser feito. Em viagem, por volta das 16 horas os automóveis em sentido contrário sinalizavam, piscando os faróis. De repente, som de sirene se aproximando. Bato o olho no espelho e vejo um veículo verde, indicando que passaria por nós. Diminuí a velocidade (eu era o último) deixando espaço para o maluquinho, caso resolvesse frear. Torcíamos para que não viesse ninguém em sentido contrário. Vinha. Pintou a síndrome de acidente iminente.
De repente, vimos um velho Corcel freando forte e balançando a carroceria. Uma ambulância passou. Logo adiante o motivo da pressa: uma batida feia entre um Monza velho e um Santana e as pessoas ainda estavam dentro dos veículos. Chegamos ao lugar segundos depois do veículo de socorro. Os motoristas das ambulâncias são treinados? No caso, o condutor da van de placa AHU-9427 cometeu séria imprudência, colocando em risco a própria vida e a de terceiros de forma injustificável.
No pedágio próximo a Ponta Grossa, enorme fila se arrastava nos dois lados do estrangulamento. Foi anunciado que grandes congestionamentos nas proximidades das praças de pedágio, motivados por acúmulo de veículos seriam evitados, pois as cancelas seriam abertas. Por que o procedimento não foi adotado?
- JOSÉ ÁLVARO DA SILVA CARNEIRO, Curitiba
ONU
Não se pode admitir que a ONU divulgue com sete anos de atraso relatórios sobre pesquisas de desenvolvimento humano dos municípios. Números conhecidos através da imprensa, semana passada, são de 1991 e, portanto, sem nenhum valor científico ou humanitário, pois a atualidade hoje é outra. Relatar fatos do passado é tarefa da história e não de uma instituição como a ONU, em se tratando de pesquisas. Fenômenos desfavoráveis coletados deveriam ser imediatamente publicados para o conhecimento de autoridades competentes, para uma tomada de decisão.
A ONU está sempre desatualizada em se tratando de pesquisas no campo social. A saúde, educação e a miserabilidade dos países do Terceiro Mundo não lhe são prioridade. Prioriza a permissão de venda a esses países de milhões de toneladas de pesticidas há muito banidos dos países do Primeiro Mundo. Esse descaso em relação a pesquisas ficou evidente nos relatórios dos municípios brasileiros de 1991, só publicados agora, quando os fatos localizados já pertencem a um conjunto de nova realidade. O nosso tempo exige dinamismo e rapidez na divulgação de pesquisas de comportamento humano. Neste campo as transformações são rápidas e o atraso serve apenas de engodo ou para registro histórico.
- NELSON ARAÚJO DE OLIVEIRA, Londrina
Igreja x dinheiro
‘‘... Talvez porque o índio é um selvagem e não entende...’’ (Trecho de carta escrita pelo chefe Seathl, da tribo Suwamisch, Washington, em 1855). Muitos nativos não entendiam e não entendem até hoje por que o Deus dos homens brancos, ditos civilizados, permite que sejam tão gananciosos atrás dos metais e pedras preciosas e tudo que se possa converter em dinheiro.
Os índios, na grande maioria, tiveram drástico fim porque não se convertiam à religião, crença ou costumes da sociedade dos invasores. Guiados por símbolos de cruzes, os homens ávidos por riqueza, saquearam, violentaram, mataram e destruíram. Restaram poucos e até hoje ainda são desrespeitados.
Por que se tem que pagar dízimos ou contribuições para se ter bênçãos divinas? Deus é dono de tudo e é de graça. Para que Ele precisa de dinheiro? Dinheiro e bens materiais são para o ser humano e a única riqueza que Deus quer de nós é a nossa fé Nele e as nossas boas ações. Mas a religião dos homens brancos não vive só de palavra. Ela precisa de dinheiro para não morrer. Ou o dinheiro é mais poderoso do que a fé?
Ela se tornou meio de vida para muitos, que fizeram e estão fazendo verdadeiras fortunas em nome de Deus. É a ganância humana que faz essa metamorfose do indivíduo. Talvez eu também seja selvagem e não entenda.
- FRIEDRICH SCHERCH, Rancho Alegre
‘‘Gorki, Voltaire e o desempregado’’.
Gostaria de manifestar minha enorme satisfação pela leitura do artigo do jornalista José Fernando da Silva, quinta-feira, na seção Espaço Aberto, sob o título ‘‘Gorki, Voltaire e o desempregado’’. Despertaram gargalhadas as alfinetadas irônicas do autor e sensibilizaram a sua visão da realidade em face dos paradigmas apontados. Li o artigo para o Glaudio, presidente do Sindserv, que reagiu do mesmo modo. Espero que outras pessoas tenham lido, porque as pessoas parecem cegas! Ou será que querem ser cegas? Platão talvez tenha a resposta no ‘‘mito da caverna’’. Entretanto, o final da estória é trágica! Do conteúdo à forma, é irretocável.
- CÉSAR BESSA, advogado do Sindserv (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina)
([email protected])
Correção
A montadora francesa Renault irá reduzir 20% na sua comercialização de veículos este ano nos países do Mercosul e não sua produção, como informou incorretamente a primeira página da edição de ontem.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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