O Leitor Escreve
Tomaso
De repente, ficamos sem ele. Era uma dessas pessoas cuja morte nunca passa pela cabeça da gente; claro, tivera sua luta imensa com a leucemia, que Gustavo Corção chamou ‘‘este monstro líquido que me devora’’, em seu tocante ‘‘Lições do Abismo’’. É um livro que Tomaso parece ter escrito, sob certos aspectos. Não é doença aguda, vai se insinuando em todos os recônditos, lentamente demolindo a estrutura, e de um certo modo, permite ao paciente que suba lentamente a longa escada de sua despedida. Corção, com tocante sabedoria, comparara a situação a dos pedreiros de edifícios altos. Os que participam da construção desde o solo, sobem com a obra, em suas instáveis realidades provisórias, e chegam ao topo, e de lá descem para subir com outros projetos.
Mas, os que entram na construção em fase mais adiantada, correm perigos frente a um abismo cuja altura não foi sentida suavemente a cada dia. Ao saber de seu médico que tem tantos dias à frente, e que seria incapaz de vencer a força que o atraía, relembra aquele fato, e sobe a cada dia, procurando perder o temor do abismo. É uma obra de imensa beleza; vejo Tomaso nela. A diferença é que o paciente do livro é pessoa mais severa, analítica, diria amarga. O contrário do Tomaso. Este italiano que nos foi emprestado por tantos e tão poucos anos, era todo sorriso, e este sua leucemia não pôde lhe tirar.
Fica para todos, seu sorriso aberto, sincero, feliz, maneira de comentar a cada um o quanto lhe fazia feliz. Seu olhar bom, envolvente, amigo, o sorriso que alegrava a todos, entretanto, ficam com tantos quantos tiveram a felicidade de o conhecer. E, como quem não tem luz deve emprestá-la de quem a tem, se iniciei com um escritor, me permitam fechar com o gato Ceshire de ‘‘Alice no País das Maravilhas’’, de Lewis Carrol. A imagem é de grande beleza. O gato se vai, mas seu sorriso fica magicamente suspenso no ar. Acho que Tomaso merece, no mínimo, uma estátua.
- LINCOLN BRASIL E SILVA, médico, Londrina
Educação especial
A assistência ao portador de deficiência física ou mental e à terceira idade, em particular no que diz respeito à saúde, vem finalmente crescendo em importância dentro dos setores públicos responsáveis. Isso é muito bom e devemos entender que, como em todo processo de expansão, existem obstáculos e depende-se de estrutura bem montada, funcional e da disposição das pessoas envolvidas. O atendimento ao paciente especial existe em algumas entidades, mas ainda não é abrangente à comunidade em sua demanda.
No meu caso, a experiência com essa clientela especial em odontologia teve início há três anos e meio, quando comecei a trabalhar nessa APAE. Pensava que iria me adaptar e dar conta do recado, pois existe para todos nós o receio, além da inegável barreira para tudo que é diferente daquilo que consideramos ser normal.
Deu certo porque acreditei em mim e encontrei ali esse mesmo crédito. Dificuldades existiram e existem, compensações também, constituindo-se então num aprendizado. Aqui, como na vida, sabemos que para se desenvolver o trabalho com eficácia e responsabilidade são precisos dedicação e respeito, sem piedade. É um trabalho digno e importante, como tantos outros que nos permitem passar pela vida cumprindo com o compromisso que temos com o Criador de valorizar a vida que Ele nos concedeu.
- TANIA MARA CANDREVA RINSCHEDE, Rolândia
LEC
A Folha poderia reviver a história do Londrina Esporte Clube, através de reportagens que mostrassem os heróis que fizeram a história do clube. Só para citar: Gauchinho, Zé Miguel, Brandão, Garcia etc. As novas gerações não conhecem o passado do clube e ‘‘ninguém ama o que não conhece’’. As emissoras de rádio poderiam seguir o exemplo. Outros Estados fazem isto e dá um resultado fantástico. Vi esta experiência no Recife. Sou Londrina de coração desde criança e quero vê-lo brilhar novamente. O Tubarão é eterno.
- CLÁUDIO SILVA, Apucarana
NR: A sugestão do leitor foi encaminhada para a Folha Esporte
LEC 2
O Londrina Esporte Clube sempre foi administrado por cartolas que não visavam a estrutura da equipe. Dorival Pagani sempre montava uma equipe competitiva mas não estruturava o clube. Venderam o Élber, e o clube recebeu apenas uma porcentagem. Aí veio o Iran Campos, com a mesma política. O clube vendeu jogadores para a TAM do Rolim e muito pouco ficou no seu caixa. Depois veio o Caldarelli, que acabou de enterrar o time e o clube.
Outra coisa é o mando dos jogos. Outro dia, passeando em Londrina, fui assistir a um jogo no Estádio do Café, em que havia pouco mais que 800 torcedores. Se fosse no VGD daria o dobro. E mais: um time de futebol que fica dependendo de prefeito para ser tocado pode fechar as portas. Imagine o Atlético, o Coritiba, o Paraná ou o União Bandeirante ficar dependendo do prefeito. Não dá para imaginar esta aberração para uma cidade como Londrina.
- JOÃO HENRIQUE MACHADO, Foz do Iguaçu
Pastoral
Como professor e educador, só posso parabenizar a iniciativa de D. Geraldo Majella e da Dra. Zilda Arns (‘‘Aniversário de pastoral reúne 5 mil’’, noticiado neste jornal), que com perseverança estão à frente de um projeto (em Florestópolis) que busca preencher o vazio deixado pelas nossas autoridades no combate à desnutrição e à mortalidade infantil, pois só com ações deste nível e com a solidariedade é que seremos capazes de ter um Brasil melhor. A D. Geraldo e à Dra. Zilda os sinceros votos de sucesso por esta iniciativa e que sirva de lição aos nossos políticos e administradores públicos. Que Deus dê a ambos muita saúde para perseverarem nesta caminhada.
- RONALDO JOSÉ NASCIMENTO, Faculdade de Motricidade Humana, Lisboa (Portugal)
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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