Carnaval no Litoral
Como leitor assíduo deste jornal, gostaria de participar desta belíssima reportagem intitulada (e com uma bela foto) ‘‘Samba na Areia - Sol leva foliões ao litoral’’. Há anos o carnaval em Curitiba desapareceu em função da evasão para o litoral. Reparem que clubes tradicionais como o Curitibano, Thalia, Juventus, Circulo Militar, entre outros, já não fazem seus tradicionais bailes por falta de público. Talvez agora, com a escola de samba evangélica, o carnaval de Curitiba se reanime e volte a ter um público na avenida, mas, que fique bem claro, só ficam em Curitiba os evangélicos e alguns plantonistas da vida. O resto vai ao litoral.
Discordo quando vocês citam que apenas Curitiba e Região Metropolitana levaram dois milhões às nossas praias. Esses dois milhões eram formados por milhares de paranaenses de todas as regiões.
Os paranaenses estão prestigiando há anos o nosso litoral e, apesar do nosso esforço, sentimos vergonhosamente a falta de apoio do governador. O nosso litoral é primitivo, é ridículo, é sujo, é cheio de mato e principalmente anti-higiênico. O que nosso governador faz com a campanha ‘‘Lixo Que Não É Lixo’’ é pura demagogia, é balela para inglês ver, pois a infra-estrutura no litoral é ridícula.
Deus queira que no final do ano o governador esteja inaugurando estradas com acostamentos, quiosques a beira mar, ruas asfaltadas no litoral, avenida beira mar, o canal navegável e outras centenas de obras que venham trazer o bem estar aos milhares de paranaenses que acreditam neste estado.
- EDSON FINCK , de Curitiba
Atenção políticos
Vereadores, prefeitos, deputados, governadores, senadores, ministros (principalmente o dos Transportes) e presidente da República: embora sabendo ser este um dos principais jornais do país, creio que apenas uma minoria de vocês o leêm, mas para esta minoria gostaria de pedir alguns minutos de atenção. Gostaria que os senhores, muitos dos quais só se locomovem de jatinho, se transformassem em simples mortais, como um motorista de caminhão ou de ônibus ou um simples viajante que necessita circular por algumas de nossas estradas diariamente.
Vou mais longe, gostaria que estivessem de pé às 5 horas da manhã e, após dirigirem o dia todo, quando fosse noite, mais precisamente às 22 horas, tomassem a estrada que liga o final da rodovia Castello Branco a Ourinhos e depois à divisa com o Estado do Paraná (SP-225 e 270), para a aventura ser completa deverá estar chovendo, e então sentirão na carne o que sofrem os pobres motoristas deste país. Sentirão alguma coisa, se sobreviverem para isso, pois acidentes neste trecho são inevitáveis, a quantidade de buracos na pista é tamanha que dificilmente se consegue chegar ao final da viagem sem as rodas do carro amassadas, ou quebradas, pneus cortados e amortecedores estourados.
Srs. políticos, se algum dia fizerem esta experiência, certamente alguns sentirão vergonha de terem sido eleitos pelo povo deste país que é campeão mundial em impostos, e que deixa suas rodovias como verdadeiras armas, para assassinar pais de família que por elas trafegam e nunca sabem em que condições chegarão a seu destino. Vamos olhar mais para o povo. Falei desta rodovia mas temos muitas outras nas mesmas condições e providências precisam ser tomadas.
- WILSON DUARTE, Londrina.
Agradecimento
Agradecemos à Folha de Londrina e à sua equipe de trabalho quanto à cobertura relativa à enchente que abalou nosso município. Certos de podermos contar sempre com sua valiosa colaboração no sentido de divulgação, reiteramos votos de elevada estima e consideração.
- CLAUDIONI BRAGA, de Castro.
O pior cego
É sabido por todos que um país de famintos não pode ter um povo educado, onde não exista discriminação. Recentemente em um vestibular tive a curiosidade de verificar na sala as pessoas e suas origens. Fiquei tão chocado com minha experiência que resolvi escrever sobre o assunto.
Pasmem, em uma sala de aproximadamente oitenta pessoas tínhamos bem distribuídas em proporções quase todas as raças, menos a negra. Sabendo que os negros são a maioria do nosso povo, lá estava representado por apenas uma única pessoa. Logo, isto deixa claro que vivemos em um apartheid disfarçado, pois tal discrepância só é possível graças à omissão de toda a sociedade, que finge não ver o que estamos fazendo com este povo que tanto contribuiu, e contribui para a existência do nosso grande Brasil.
- PAULO EUGÊNIO DE AQUINO, de Goioerê.
Preconceito
Espero que o diretor da Prisão Provisória do Ahu (Curitiba), sr. José Guilherme de Assis, reveja a injustiça que cometeu contra o preso José Antônio Generoso da Silva. Por despedir-se de seu companheiro (com quem se relaciona há quatro anos), ao final do horário de visita, com um beijo na boca, esse preso foi punido e teve que passar dez dias na solitária. Gostaria de lembrar ao diretor da prisão que, enquanto homem da lei, ele deveria saber que, conforme a Constituição brasileira, o preconceito é crime inafiançável.
- BARBARA ENEIDA SALES, de Londrina
Reféns do ditador
Nos primeiros dias era manchete de todos os jornais. Hoje, 59 dias depois, muita gente esqueceu e a notícia tornou-se nota. Mas, o fato existe: há dois meses 72 pessoas são mantidas como reféns por terroristas no prédio da embaixada japonesa em Lima, no Perú.
Como um governo aceita uma situação dessas e por tanto tempo? Os terroristas são terroristas e ponto. Mas Alberto Fujimori é o presidente daquele país e tem nas mãos a decisão que poderia libertar aquelas pessoas. Entretanto, a posição assumida por Fujimori reafirma seu caráter de ditador. Na realidade, por não ter resolvido ainda esse drama e, mais ainda, por não estar empenhado na solução do problema, aquelas pessoas passaram a ter dois algozes. São reféns dos terroristas, mas também reféns do ditador.
- CARLA SANMARTIN, de Curitiba
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.

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