O LEITOR ESCREVE
Unesco e educação
Em relação à matéria ‘‘ONGS ocupam vazios do Governo, aponta Unesco’’, publicada pela Folha em 29 de julho, devo esclarecer que o título induz o leitor em erro na medida em que me referia a ‘‘governos’’ - da América Latina - e não a ‘‘Governo’’. A Unesco, como agência do sistema da ONU, especializada em educação, ciência e cultura, trabalha em parceria com os governos de seus estados-membros. No Brasil, âmbito de educação, o parceiro por excelência é, em nível federal, o MEC. Ambas as instituições identificam-se em seus objetivos, metas de ação e têm desenvolvido dinâmico programa de atividade.
Portanto, esse título não procede. Além disso, foram extraídas partes isoladas da palestra que apresentava resultados de estudos e pesquisas sobre educação rural na América Latina e Caribe, alterando assim, completamente, o seu sentido por não consideração do contexto em que estavam inseridas.
Em vários artigos nacionais e internacionais, a Unesco tem sempre apresentado os êxitos alcançados nesses últimos anos pelo Brasil no âmbito da educação. O representante da Unesco no Brasil, Jorge Werthein, tem publicado em vários jornais, artigos que demonstram o reconhecimento internacional desses avanços.
Por outro lado, no Relatório da Unesco sobre Educação para o Século XXI, o conceito de educação ao longo da vida coincide com a idéia de uma ‘‘sociedade educativa’’, em que tudo pode ser ocasião para aprender e desenvolver as capacidades do indivíduo. A educação rural e a educação dos jovens e adultos, em sociedade civil, organizações não-governamentais setor privado - e nesse empreendimento, todos devem participar e somar esforços. O Brasil tem no Programa Comunidade Solidária - no qual a Unesco tem desenvolvido um trabalho inovador - o exemplo cabal dessa união de vontades e metas.
- MARIA DULCE BORGES, coordenadora de Educação da representação da Unesco no Brasil
NR. O título de maneira alguma ‘‘induz a erro’’ pois está coerente com o texto do repórter Evandro Éboli, da Agência Estado. O repórter reafirma as declarações da coordenadora da Unesco, segundo as quais as ONGs estão ocupando o ‘‘vazio’’ deixado pelo governo no atendimento à população rural do País.
Correção de fluxo
Na reportagem ‘‘Correção de Fluxo atinge 200 mil alunos’’, publicada pela Folha em 20 de junho, todas as informações são para nos convencer do sucesso do programa, desde a citação de estatísticas até a escolha da linguagem (‘‘Encarando de frente o problema’’). Não se ouviu nenhuma voz discordante, não se questionou custos do programa, não se indagou se há alguma área do conhecimento não contemplada na correção de fluxo.
O programa foi criado para resolver o problema da evasão escolar, cortando o mal pela raiz, ou seja, a repetência. De modo semelhante aos comerciais de sabão em pó, ficamos sabendo que ‘‘essa era a situação que enfrentavam 200 mil alunos do ensino fundamental antes do projeto’’, ou seja, uma mancha de molho de tomate na camisa branca. Todos os depoimentos são favoráveis, depois de terem passado pelo programa.
Como o ‘‘branco se tornou mais branco’’? Com uma didática diferenciada e com uma avaliação contínua que ‘‘respeita os progressos individuais’’. A Secretaria de Educação fornece apoio técnico para turmas de no máximo ‘‘30 alunos, capacita professores multiplicadores e fornece material de apoio a 100% dos alunos matriculados’’. Com tal eficiência, é agora de se esperar que tais princípios, tão caros a um ensino de qualidade, sejam estendidos às turmas regulares. Era isso, no mínimo, que a reportagem deveria questionar.
- TELMA NUNES GIMENEZ, Londrina
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Silêncio dos políticos
O artigo na Folha intitulado ‘‘Agricultura e desenvolvimento’’, de autoria do ex-deputado Helio Duque (página 2, do dia 2) retoma o crescimento agrícola registrado na Argentina. O assunto foi abordado recentemente pelo jornal e parece que, aos poucos, a sociedade começa a se dar conta da importância que a agricultura tem para o desenvolvimento do País.
Só nos causa espanto o silêncio que vem da classe governante e a insistência desta em ignorar a realidade. Finge que não há problemas, que os produtores não precisam de uma política agrícola para viabilizar o plantio em nosso País.
Parece ter virado moda a definição de que vivemos na ‘‘maior reserva de terras agricultáveis’’ do Mercosul (na opinião de alguns) ou até do mundo (para os mais otimistas). Coisas de um país que está sempre procurando títulos para sentir-se maior do que é. Sem esta visão ufanista, a Argentina apresenta índices muito mais concretos para o País.
Enquanto isto, nós, os representantes de entidades rurais, economistas, jornalistas, prosseguimos com análises coerentes sobre esta situação. Quem sabe, a classe política nos ouça e pare de fingir que não enxerga o que está ocorrendo no campo. Improdutiva é a política do governo para a agricultura, que fez com que um expressivo número de produtores brasileiros se transferissem para o Paraguai, Argentina, Uruguai e Bolívia.
- FRANCISCO GALLI, presidente da Sociedade Rural do Paraná, Londrina
O nome Sasha
Sobre a reportagem da Folha ‘‘Juiz de BH proíbe o nome Sasha’’: o problema que vejo na questão do nome Sasha, é o envolvimento da religião afro-brasileira. Esse nome é um dos dados a uma entidade chamada vulgarmente de ‘‘pomba-gira’’. Ora, essa entidade é responsabilizada pelo avacalhamento da família, pois, quando uma mulher é tomada por ela, e se apaixona por alguém, não mede esforços para ter o amado(a) ao seu lado. Notem que fiz referência também ao homossexualismo. Daí um pai e uma mãe dar esse nome a uma criança, apesar do profundo desconhecimento, é uma prova irrefutável do mau gosto. Desculpem os que pensam o contrário.
- CARLOS ROBERTO METTITIER, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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