O LEITOR ESCREVE
Folha Ano 50
A Folha de Londrina/Folha do Paraná comemora em novembro 50 anos de atividade. Como não poderia ser diferente, as comemorações já estão em curso. Qualquer empresa construída em solo firme pode atingir uma vida longa. Quando isso ocorre merece que seja reconhecido e comemorado. Sabemos que o alicerce da Folha foi bem estudado e que os materiais empregados foram de primeira qualidade. As grandes empresas tiveram árdua trajetória, com momentos difíceis e tempestuosos. Esses momentos, quando a construção é bem alicerçada, são facilmente contornáveis. Não conhecemos bem a história da Folha, mas estamos cientes que não foge à regra.
Um jornal não se constrói com tijolos, cimento e areia. É construído de talentos. Por isso sua construção e trajetória são sempre mais sujeitas à intempérie. Durante estes anos a Folha de Londrina tem demonstrado que o talento, sua matéria-prima principal, não tem faltado e por isso sua expansão foi e continua sendo realidade. Muitos jornais surgiram nestes 50 anos. Alguns desapareceram ou desmoronaram em função dos alicerces, enquanto a Folha continua sendo o jornal mais lido do Paraná.
- WELLINGTON SAMPAIO, Londrina
Concha Acústica
Reclamaram outro dia aqui nesta seção sobre o problema causado pelas pessoas que acampam na Concha Acústica. Há um mês, um grupo ficou ali uns quinze dias, impunemente. Claro que são uns coitados, que o País não lhe dá chance, mas ali não é lugar de residência, mesmo de passagem, até porque eles fazem necessidades fisiológicas por ali, espalham o fedor, fazem bagunça. Até que veio alguém da Prefeitura, da ação social não-sei-de-onde e retirou o pessoal. Dia seguinte, lavada e perfumada, a Concha foi palco de uma apresentação de músicos. Quando o show foi embora, novamente um grupo se aboletou ali. E aí a Prefeitura ou quem quer que seja, apareceu e os retirou. Vale a pena registrar e elogiar.
- VERNER OLIVARES, Londrina
Falência
A Folha de Londrina/Folha do Paraná publicou ontem notícia de que poderá ser decretada nos próximos dias a falência de duas indústrias de confecções em Londrina. A situação vem se arrastando há meses, estando elas vivendo em regime de concordata preventiva. Falência significa que não existe mais alternativa a não ser o fechamento definitivo das duas empresas, o que é de se lamentar, principalmente agora que parecia estar dando certo para indústrias em Londrina. Duas fábricas fechando as portas têm significado mais amplo: centenas de homens e mulheres perdem o emprego e vão às ruas engrossar o expressivo contingente de preocupados e desiludidos. Esperamos que as autoridades desenvolvam esforços no sentido de assegurar o pleno funcionamento daquelas indústrias. Existem saídas, que precisam ser encontradas. Quem sabe entregá-las ao controle de uma cooperativa dos próprios empregados.
- OTAVIANO DE OLIVEIRA ANDRADE, Londrina
Diálogo dos dedos
No passado vimos uma campanha política em que o candidato à presidência erguia o braço com a mão fechada. Simbolizaca ele a austeridade contra a corrupção e os famosos marajás. Virou em nada. Queria ele o filé maior do gigante retalhado. Após ele surgiu outro, que também erguia os braços com a mão aberta. Os dedos dessa mão representavam as prioridades de sua campanha ao Planalto. Como todo o prometido em campanha política é história, mais uma vez o direito do cidadão fica na história. Como tudo que vem de boca de um político não tem crédito - são raras as exceções - os dedos comprometidos passaram a questionar um ao outro: o polegar, que disse representar a educação, foi logo dizendo aos demais que infelizmente a educação piorou, inclusive que o salário de fome e a falta de condição de uma vida digna fizeram com que os educadores de mais cultura e mais conscientes fizessem um levante contra aquele que o comprometou junto à opinião pública durante a campanha política.
Em seguida este perguntou ao seu vizinho indicador: ‘‘E você, o que tem a dizer?’’ Este foi logo dizendo: ‘‘Antes disso tudo começar minha função era de apontar as coisas e algumas vezes limpar o nariz do meu dono e agora represento a segurança. Esta não vai nada bem e caminha de mau para pior. Nunca roubaram tanto, ou mataram tantos, como agora. Eu continuo sem oferecer nada de bom àqueles que pagam’’. Após estas respostas, a pergunta foi feita ao próximo, o dedo médio que simbolizava a saúde, o qual foi logo dizendo: ‘‘Eu também não melhorei nada. Inventaram um imposto para tomar dinheiro dos trouxas e meu atendimento piorou. A corrupção que me assolava aumentou. Os atendimentos pioraram. A mortandade, por falta do meu atendimento, extrapolou índices de normalidade. Continuo ainda fazendo as mesmas coisas de sempre, ou seja, exames de próstata nos brasileiros’’.
Em seguida passou o questionamento ao próximo, o dedo anular, que simbolizava a habitação. ‘‘E você, conseguiu cumprir as prioridades da sua área?’’. E ele respondeu: ‘‘Eu? Nem pensar. A única coisa que fiz foram as casas populares para formar currais eleitorais. Noventa por cento dessas casas estão com as prestações em atraso. Tiraram o homem do campo para, numa semi-escravidão de trabalho, dar lucro às grandes empresas. Na realidade estou sendo usado para limpar lágrimas desse povo sofrido e enganado’’. Passando para o último dos dedos da mão, o mínimo, que simboliza o emprego, este foi logo dizendo: ‘‘Nunca pensei que eu era tão inútil. Não consegui novos empregos e o desemprego aumentou assustadoramente. Estou derrotado pela minha insignificância. Continuo pior e tendo que tirar a cera dos ouvidos brasileiros’’.
- JOSÉ CARLOS SIMIONI, advogado, Jaguapitã
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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