Desordem
Está implantada a desordem partidária no país; nenhum partido pode exigir de seus filiados, dos seus representantes legais a fidelidade filosófica e de princípios. O presidente da República, que é o chefe supremo deu mostra cabal e exemplo de um desordeiro, quando devia ser um paradigma no cumprimento da lei que rege a ética dos partidos. Ao conduzir o processo da reeleição, em que é interessado, sacudiu o palanque, ferindo os direitos, as prerrogativas partidárias, a autoridade, incitando à sublevação; comprando a moral dos mais fracos.
De agora em diante ninguém pode falar em obediência aos líderes das bancadas, em nenhuma casa legislativa, se o próprio Presidente da República menoscabou a linha dos Partidos, em proveito próprio. É um ditador, está mais do que demonstrando, na parecência do antigo coronelismo; deixa de ser um estadista isento e imparcial, para ser pífio cidadão comum, contador de votos, sem distinção de partido, preconizando a desobediência em troca de algures. Reeleito, no final do período, ele voltará à carga na modificação do dispositivo, reelegendo-se sempre. E haverá só um Partido político, FHC.
- JOÃO LISBOA DE MACEDO, Ladárioá-MS
Enfim, Maluf
Me passou uma estória pela cabeça. FHC está lá rindo à toa, com a certeza que será reeleito. Enquanto isso, outras forças se articulam em todos cantos do país, inclusive sob as ‘‘barbas’’ do presidente. Em 98 não dá outra, vence o Maluf. O país ouvirá então boas gargalhadas. Será o Maluf rindo da cara de FHC, por ter dado a ele a oportunidade de se instalar no Palácio do Planalto por oito anos e quem sabe até mais. E ainda por ter quebrado, talvez duplamente, sua velha maldição: de nadar, nadar e morrer na praia. FHC, se cuide, porque quem ri por último ri melhor.
- LUIZA SOVIATTI, de Londrina.
Alerta vermelho no campo
O crescente número de invasões de propriedades rurais deve ser visto com preocupação, não apenas em razão da sua ilegalidade intrínseca, mas também e principalmente por constituir um fator potencial de radicalização da luta pela terra. Os juízes, como aplicadores da lei, expedem mandados de manutenção ou reintegração de posse cujo cumprimento, todavia e em razão mesmo do grande número de invasores, exige o concurso de força policial. Em alguns Estados (como é o caso de São Paulo e Paraná) o atendimento dessas requisições passou a depender da autorização do respectivo governador que, preocupado com sua biografia política, via de regra retarda ao máximo - e às vezes até mesmo nega - o cumprimento da determinação judicial. O perigo que se apresenta, e cujos sinais se fazem mais fortes a cada dia, é o de que os proprietários rurais, constatando a inutilidade de recorrer aos poderes constituídos para obter a imediata cessação da violação aos seus direitos, assumam pessoalmente essa tarefa. Estará então instalada a conflagração no campo. Ninguém que tenha bom senso opõe-se à reforma agrária. É preciso que se diga, porém, que ela não pode ser feita em prejuízo do cumprimento da lei - o que significa anarquia - e em detrimento do patrimônio dos proprietários das terras invadidas.
- NELSON TAQUES SOBRINHO, Londrina
Filo porque qui-lo
Voltando de minhas férias de São Paulo fui surpreendida com uma bomba. O desejo mórbido de uma política cultural rançosa fechada em si, de terminar com o FILO - Festival Internacional de Teatro. Depois de ouvir maravilhas do festival no pólo cultural do Brasil - SP, ouço uma infâmia deste tipo. Como vai a cultura em Londrina? Como responder esta pergunta daqui para frente? Vai muito bem, obrigada, temos soja, milho e poucas outras, já que nos caracterizamos pela monocultura. Mas como dizem por aí ‘A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte...’ Gente está na hora de abrir os olhos, está na hora de perceber que sonegação é crime e a pior de todas é a sonegação da informação, criando uma geração de alienados, ilhando cada vez mais a nossa cidade.
Por isto faço um apelo. Já que a política é esta, peço à sociedade civil que se manifeste e que não permita que matem aquilo que nasceu com ser humano, a expressão. Sejamos sempre pela expressão e pela ex-pressão.
- MIRA ROXO, Londrina.
Aborto
É altamente meritória a movimentação do vereador Silvio Antônio Cunha, de Cornélio Procópio, no sentido de encetar uma campanha contra a aprovação da Lei 20/91, que legaliza a prática do aborto no Brasil. Os pais, médicos e parteiras que sacrificam um inocente, são asquerosos assassinos, como Herodes. E autoridade nenhuma pode autorizar ou legalizar tais crimes, em caso nenhum e de maneira alguma.
- FREDERICO HOZANAM DO NASCIMENTO, Cambé
Bons de samba
Através de matéria fico sabendo que o pastor Alexandre José Monteiro da igreja Agape pretende desfilar no carnaval de rua. Na minha opinião o pastor Alexandre deveria orar mais, pois eu como evangélico acredito que não deveria haver essa mistura. Carnaval é a festa aonde se mistura sexo, drogas, bebidas, aonde ninguém fala de Deus. Muito me admira esse pastor colocar irmãos numa avenida para desfilar, em vez de levar o evangélio a todos, esse pastor está misturando as palavras bíblicas. Ide levai o evangélio a todos, essa decisão radical é contra qualquer igreja evangélica que eu sei e que segue os ensinamentos bíblicos. Nossos mandamentos são levar os ensinamentos de Jesus, não inventar coisas, pois está escrito em Salmos: Bem aventurados aqueles que não seguem o conselho dos ímpios e nem se assenta na roda dos escarnecedores.
- VALDEMIR DOS SANTOS, Londrina.
Correção
Na edição da Folha de ontem, na reportagem da página 4 do primeiro caderno intitulada ‘‘61% aprovam governo Belinati’’, o percentual correto é 65,5%, como está informado no texto.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.

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