O LEITOR ESCREVE
Apelo do reitor
Quando a greve das universidades federais alcança seu 90º dia, vislumbra-se alguma solução para o impasse através de um projeto de lei no Congresso. A Universidade Federal do Paraná faz um balanço e um apelo. Assumimos a Reitoria já com o movimento grevista em curso e consideramos justas as reivindicações. Apoiamos a suspensão do calendário escolar no sentido de uma reposição de aulas com qualidade; nos negamos, com os demais reitores, a enviar ao MEC listagem com nomes de grevistas. Fomos em busca de alternativas quando da suspensão do pagamento de salário.
Estivemos informando a comunidade sobre o movimento. Dialogamos com as lideranças dos grevistas; estivemos em Brasília, na Associação Nacional dos Reitores das Universidades Federais; debatemos com ministros e assessores e, no Congresso, com integrantes da Frente Parlamentar em Defesa do Sistema de Ciência e Tecnologia, na procura de soluções para os impasses surgidos. Também mantivemos na Universidade os seus serviços essenciais, em especial o atendimento à saúde.
Esse impasse que a Universidade enfrenta afeta diretamente a sociedade que a mantém e à qual ela serve. O movimento não se restringe a reivindicações corporativas, mas na defesa da universidade pública e gratuita. E daí o apelo que fazemos para que o governo e o Congresso incluam no projeto em tramitação na Câmara também os professores de 1º e 2º graus, e apresente proposta efetiva para os servidores técnico-administrativos.
- CARLOS ROBERTO ANTUNES DOS SANTOS, reitor da Universidade Federal do Paraná
Sem-estrada
Esta encrenca do pedágio lembra a história de esperto político mineiro, respondendo ao assédio da mídia sobre assunto ardidamente complicado, no qual estava pessoalmente envolvido: ‘‘Fiquei rouco de tanto ouvir.’’ O silêncio oficial, post-pedágio, é igual ao silêncio pré-pedágio. Modesto neurologista, acho que temos aqui um caso único na longa história da Medicina: o paciente era mudo antes e ficou surdo depois (ou rouco de tanto ouvir...). Estranha moléstia, pois continua escrevendo e muito, a ler a tonelagem de tinta derramada em propaganda, na qual tal obra marcante, a de pagar e por 24 anos, os que usarem velhas, já pagas e desleixadas rodovias, sequer tem sido citada como ‘‘mais um exemplo do primeiro mundo’’.
Desconfio que, se isso ocorresse lá no primeiro de verdade, as coisas não ficariam tão roucas assim. Quem tem Internet, aliás, pode saber. Ficarão pasmos: estão atrasados nesse tipo de ‘‘progresso’’, franceses, americanos, alemães... No próximo século nossos netos e bisnetos ainda estarão pagando aos netos e bisnetos dos atuais empreiteiros pedágios que ficarão na história paranaense como marcante e humanitária obra em prol de seus patrióticos avós, bisavós. Confesso que eles podem ser poucos, mas ficaram bem atendidos. Neste ponto preciso conceder, a bem da verdade: aqui no Paraná, doravante, não mais existirá a triste chaga social dos sem-estradas. Seu movimento foi um sucesso.
- LINCOLN BRASIL E SILVA, Londrina
Pedágio 1
A cobrança do pedágio se justificaria se houvesse realmente algum benefício em contrapartida. Ocorre que a pista em que trafego diariamente, há dois anos, no trecho Cornélio Procópio/Londrina, foi totalmente recuperada, há cerca de seis anos, pelo governo do Estado, ou seja, por nós, contribuintes. A estrada, nem de longe se encontrava no estado de conservação que a publicidade do governo vem alardeando para justificar a cobrança do pedágio. A cobrança da tarifa nos dois sentidos é também outro escândalo. Além disso, o preço é alto demais. Basta considerar a estimativa de arrecadação mensal em cada praça de pedágio e avaliar quanto aslfato é possível fazer com esse dinheiro. Maquiar a estrada com ‘‘olhos de gato’’ e placas informativas de finalidade duvidosa não justifica a cobrança de pedágio e também não torna a estrada mais segura. O que se percebe é que se está montando um esquema altamente lucrativo. Abaixo o pedágio!
- JOSÉ AUGUSTO GALERA, Cornélio Procópio
Pedágio 2
Acho que o valor do pedágio está exageradamente alto. E está alto quando se compara aos valores cobrados no Estado de São Paulo, de R$ 4,20 só em um sentido. Além disso são rodovias de pista dupla e não pistas simples. Ou seja, o Paraná cobra mais caro e em rodovias de pistas simples. Sou a favor da cobrança do pedágio, mas tem que existir bom senso no preço. No mundo de hoje deve-se cobrar pouco de muitos e não muito de poucos como está acontecendo com a tarifa dos pedágios. Cobrando pouco e em um só sentido economiza-se mão-de-obra, e mais gente sai para viajar, e a receita aumenta. Será que é tão difícil entender? Quem diz isso é o Joelmir Betting.
- CELSO DE CASTRO FILHO, Londrina
([email protected])
Pedágio 3
Creio que a maioria dos que se manifestam contra a cobrança e o valor atual do pedágio provavelmente mudaria de opinião, entre os quais me incluo, se houvesse participação da população sobre o assunto, e se as atuais rodovias fossem duplicadas. As simples melhorias alardeadas nas atuais condições das rodovias não é mais que uma obrigação do Estado, pois para isso ele arrecada impostos. Se ele gasta mal, isto é outro assunto.
- NIVALDO WILMAR BARONE, Londrina
([email protected])
Correções
- Por falha técnica, a Folha repetiu ontem a matéria ‘‘Câmara aprova plebiscito para autorizar funcionamento de praça’’, que já havia sido publicada no dia anterior. O texto que dá sequência ao assunto está sendo publicado hoje na página 5 do caderno Folha Cidades.
- Por falha técnica, parte da tiragem do caderno especial Cooperativismo, encartado na edição de hoje, está com uma distribuição incorreta das páginas.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

mockup