O Leitor Escreve
Mil dias
O atual governo do Paraná proporcionou melhoria salarial para quase todo o funcionalismo. Uns foram aquinhoados com mais, outros com menos. Mas o quadro geral do Estado, nos níveis operacional e médio, ficou a ver navios, apesar de o governo afirmar que são ‘‘a bola da vez’’. Estes servidores excluídos percebem salários que variam de R$ 141,00 a R$ 494,00.
Dá para dizer que hoje há até marajás do Paraná, mas em contraposição, em torno de 42 mil servidores - no mínimo 210 mil pessoas, contando suas famílias - estão há mais de 33 meses, ou mil dias, sem aumento salarial. O último reajuste foi em agosto de 1995, e de apenas 10%.
Dada a gravidade da situação, há iniciativas dos colegas de trabalho desses funcionários no sentido de coleta de doações de alimentos básicos para suas famílias. No Paraná, apesar da propaganda oficial, a administração pública estadual está paralisada e cada vez mais distante de sua missão, e inacessível à maioria da população.
- ROBERTO DE ANDRADE SILVA, Curitiba
FHC e ACM
Primeiro foram os ‘‘vagabundos’’ de menos de 50 anos. Depois, os maus-tratos a prefeitos de todo o País. No dia seguinte, cacetadas em cima dos desempregados e do MST. Ainda por cima, o filme ‘‘Central do Brasil’’ está aí, mostrando para o mundo as mazelas do nordestino, que apanha no Nordeste, em Brasília ou em qualquer lugar para onde vá.
O Plano Real faz água por todos os desvãos dessa enorme embarcação chamada Brasil, e o comandante não toma providências mais concretas. Quando sai de viagem deixa o capitão-do-mato Antonio Carlos Magalhães descendo o pau em todo o mundo.
Assim, FHC pode cair de seu sonho de reeleição e transformar a crise numa crise ainda maior. Afinal, não aparenta que haja outra saída dentro dos programas de oposição que não seja a continuidade do real.
O clima no País é de perplexidade. A recessão atinge níveis insuportáveis. Milhares de famílias de pequenos produtores rurais fazem romaria para as capitais em busca de emprego, já que a pequena propriedade se tornou inviável com o alto custo da produção e o baixo preço na comercialização.
Comerciantes das pequenas cidades, que dependem unicamente da economia agrícola para manutenção de seus negócios, fecham as portas e também sonham com um emprego. E engrossam as fileiras de órfãos do Plano Real.
O futuro dessas famílias é previsível. Outras centrais do Brasil serão criadas em Curitiba e nas outras capitais. E não satisfeitos, os cidadãos vão deixar filhos empregados no marginalismo raso, depois voltando ao campo na forma de sem-terra, sem-teto e sem-emprego.
Enquanto isso, a burguesia instalada em Brasília sonha que o problema social se resolva com a polícia de ACM descendo o porrete.
JACOB BITTENCOURT DE MORAES, Ivaiporã
Quimeras
Quando começo a ver as coisas como elas realmente são, causa-me piedade tamanho automatismo. Quando vejo filhos contra pais, pais contra filhos, pais contra pais, e escolas fazendo parte de tudo isso, sem se dar conta, pergunto-me: de onde vem tamanho automatismo? Nós nos matamos de trabalhar, quando não somos excluídos, para atender nossas necessidades e a de nossos filhos, lutando assim pela condição de fazer parte do clã dos ‘‘privilegiados’’ da vida e nos esquecemos, como autômatos, que a vida é muito mais que essa correria desenfreada para o nada.
Filhos foram feitos para serem amados, não para também tornarem-se vítimas dos dragões do consumismo e do automatismo, que nos colocam uns contra os outros dentro da nossa própria casa, local que, reputo, deveria ser o mais sagrado.
Onde estão os dragões, então? Talvez implantados em nossos corações. Onde a cura? Em nós mesmos, com certeza. A globalização tem que ser interna e não deve ser imposta pelos dragões, que em última instância, ainda não aprenderam a amar.
CARLOS ALBERTO CURY HARFUCHI, Rolândia
Ouvidoria
A Folha veiculou matéria sobre o encaminhamento de minha carta ao ministro da Justiça do Brasil, solicitando que ele intercedesse perante o Poder Judiciário para que o caso sobre o assassinato do meu filho Cristian fosse agilizado junto ao Poder Judiciário.
Cópias desta carta foram também encaminhadas aos secretários de Justiça e à Ouvidoria Geral do Estado do Paraná. No dia 1º deste mês, tive a grata satisfação de receber telefonema pessoal de João Elias de Oliveira, ouvidor geral do Estado que, sensibilizado com o assunto, prontificou-se a tomar medidas cabíveis para o caso.
Além deste telefonema, a Ouvidoria Geral encaminhou-me um fax contendo as providências que foram adotadas, deixando-me uma sensação rara de sentir nos dias de hoje: a de ser tratada como uma cidadã.
Nesta oportunidade reitero meu agradecimento e que esta atitude louvável da Ouvidoria Geral seja um exemplo a ser seguido por outras entidades públicas que, infelizmente, raramente têm tido a sensibilidade e a competência para tomar as providências e medidas que a elas são atribuídas.
- NADIR DE MEDEIROS PEREIRA, Londrina
Matinhos
Vergonha. Esta é a única palavra para definir a situação da praia central em Matinhos. Tudo destruído, tudo parado, o canal que desemboca no mar sendo obstruído na sua saída a cada maré cheia. O custo da draga, que se mostrou ineficiente na reposição de areia na praia, numa obra totalmente fora de propósito, segundo geólogos experientes da UFPR. Para um governo que se vangloria de sua administração, o abandono em Matinhos é simplesmente inexplicável. Gasta-se tanto em propaganda e outras bobagens e as coisas sérias vão ficando de lado.
- CARLOS ROGE CELLA, Curitiba
O salvador da pátria
Demonstrando que vive hoje as síndromes de ganância, materialismo, consumismo e fantasias eróticas, o homem agora está em busca do comprimido milagroso que possa restabelecer a sua capacidade sexual. Não foi nenhuma novidade o vizinho Paraguai ter largado na frente, com relação às importações e à venda avulsa do Viagra. Resta saber se há risco de falsificações do revolucionário produto.
Com o crescente desemprego, o Viagra chegou em boa hora, criando até mesmo uma conexão Brasil-Paraguai para geração de empregos. Para lá debandam milhares de sacoleiros brasileiros, em busca do remédio sexual para ser consumido pelas vítimas do stress urbano da classe média e média alta.
O perigo de tudo isso é o feitiço virar contra o feiticeiro e o efeito colateral vier de imediato. Aí os prejudicados terão que apelar para a catuaba, remédio genuinamente brasileiro. Com a palavra os sacoleiros do Apocalipse e os novos reis e usuários do Viagra.
- JOSÉ PEDRO NAISSER, Curitiba
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