O LEITOR ESCREVE
Falta de leitos
O que fazer com esta ‘‘doença’’, que vem se manifestando em Londrina na forma de superlotação dos hospitais, falta de leitos, de espaço nas UTIs e risco de vida para os pacientes graves? Esse assunto foi debatido com intensidade recentemente e a principal resposta foi dada pelo médico José Eduardo Siqueira, diagnosticando a necessidade de fortalecimento do sistema público de saúde, com mais verbas para o setor. Sem dúvida, esta é a questão central. No entanto, dela decorrem situações que acabam por agravar o problema. Uma delas está no fato de que o sistema macrorregional de saúde ainda padece de uma efetiva regionalização e hierarquização.
O fluxo das cidades próximas é muito centralizado por Londrina, ainda de forma desordenada. A saúde pública dos municípios deve ter mais investimentos e apoio oficial e, infelizmente, não adiantam somente novas e vistosas ambulâncias para as prefeituras. Muitos problemas seriam resolvidos se, por exemplo, a Santa Casa de Cambé recebesse investimentos para implantar sua tão sonhada UTI Pediátrica, para desafogar Londrina.
É preciso fortalecer a malha de retenção em torno de Londrina, para que os pacientes possam ser atendidos o máximo possível de seu domicílio.
- GILBERTO MARTIN, Cambé
Menores infratores
Se você começou alguma coisa e percebeu que o resultado não era o esperado, deve ter parado e recomeçado. Afinal, um sábio provérbio diz que errar é humano, persistir no erro é burrice. E outro ressalta a ingratidão e a incompreensão, lembrando que não se pode dar a mão que logo vão querer o braço.
Qualquer cidadão de mediana inteligência já deve ter percebido que, cheios de boas intenções, criamos um monstro que, longe de nos colocar lado a lado com as nações desenvolvidas, tem nos colocado nas estatísticas mais trágicas da criminalidade e da impunidade legalizada, protegida e subvencionada.
Não há como comparar nosso estágio cultural com o de nações mais desenvolvidas. Por isso, leis modernas e avançadas são inócuas em nosso meio, como comprovam diariamente os crimes perpetrados por menores que circulam pelas nossas ruas, sem consciência de que a proteção que lhes dá uma lei não objetiva legalizar sua impunidade nem os autoriza a afrontar a sociedade com seu comportamento agressivo, destrutivo e impune.
O espírito da lei do menor é excelente, mas o que dizem os professores e educadores sobre ela? Não os de gabinete, mas aqueles que dia a dia enfrentam a realidade em suas salas de aula. E o que dizem nossos policiais, cansados do prende-e-solta? E como se sentem os cidadãos, violentados em sua liberdade de ir e vir, pela ameaça de segurança?
Ora, a lei é uma regra de direito para manter a ordem e o desenvolvimento. Se ela não cumpre o seu papel, deve ser aperfeiçoada ou revogada, sob pena de legalizar a desordem e estimular o retrocesso. Quem quer ser responsável por isso?
- FÉLIX RIBEIRO, Londrina
Questão de sobrevivência
A classe dita média está totalmente esfacelada, destruída. A figura do profissional liberal praticamente já deixou de existir. A pequena e média empresa, falida ou concordatária sobrevive aos trancos, barrancos e tropeços. Os salários estão à míngua e os juros insustentáveis! A economia informal e a sonegação, em patamares incríveis.
O desemprego galopante é um dos fatores responsáveis por uma crise social subterrânea sem precedentes. E daí para mais... Somente uma perguntinha ingênua: diante de todos os fatores sobejamente conhecidos, quando é que Brasília vai acordar para esta triste e grave realidade e começar a votar e pôr em prática, com urgência, as reformas necessárias? Isso já se trata de uma questão de sobrevivência dos brasileiros e, consequentemente, da própria nação...
- OCIMAR MARTINS, Londrina
O pé de eucalipto
Um homem da cidade plantou, no quintal da sua casa, um pé de eucalipto. Como queria vê-lo crescer belo, aprumado e forte dedicava-lhe, sempre, o maior cuidado. Porém, ficou extremamente aborrecido quando percebeu, certo dia, que a pequena árvore crescia com o tronco completamente torto. Desde então, passou a dar conselhos ao eucalipto, todos os dias pela manhã e ao anoitecer.
E dizia com carinho, mas com firmeza: ‘‘Você deve crescer direitinho, com o tronco bem reto. Assim você será bonito, admirado, e no futuro desempenhará, com certeza, um papel importante e necessário em alguma obra. Se não for assim, terminará os seus dias apenas como uma reles lenha alimentando fogueira’’. Naturalmente, o homem, na sua ingenuidade, perdeu o seu tempo, pois não percebia que somente a coação, e a necessidade premente, ou mesmo algo incompreensível como o destino, atuando como causas, são capazes de mover a natureza, inclusive a humana.
- RICARDO SATHLER, Londrina
Ronaldinho
O comentário de todos os noticiários da Europa é este: ‘‘Ronaldo é o típico brasileiro: humilde, alegre, sincero e não precisa apelar no jogo. É aquele que com o dinheiro e a fama que já ganhou não mudou a cabeça’’. São muitos e muitos aqui que não só apreciam o seu jogo como também, admiram a sua beleza interior. Ronaldo, mostre a todos que o Brasil não é só corrupção e violência! Que como você, há milhões de brasileiros!
- Pe. PEDRO ODAIR MACHADO, Roma, Itália
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‘‘Deram um sopapo nelle’’
Lendo o artigo de José Antonio Pedriali na Folha do dia 6, percebi quanta satisfação pela agressão ao ex-presidente Fernando Collor. Entendo que haja gente que não goste de Collor, e eles são muitos. Só que o ilustre jornalista, como muitos, não analisa como se deu a cassação do ex-presidente. Collor foi cassado porque pertencia a um partido nanico. Se fosse filiado a um grande, como PMDB ou PSDB, não acredito que fosse cassado.
Ele foi julgado em 27 de setembro de 1992, às vésperas das eleições, que envolviam diretamente aqueles que o cassaram. Na sua maioria, eles não pretendiam perder as mordomias que estavam sendo diminuidas no governo, pois não funcionava o famoso toma-lá-dá-cá, que acontecia antes e acontece hoje. Ainda bem que os que o cassaram, em boa parte lá não mais estão: Ibsen Pinheiro, Genibaldo, João Alves, entre outros.
Hoje nós vemos tentarem cassar mandato daqueles que se vendem, mas não se fala em punir ou até mesmo saber quem são os que compram, pois está provado que fazem parte do governo.
Na época, fizeram dos jovens de 14 a 20 anos, os caras-pintadas, através da mídia o grande instrumento de cassação. E o que eles ganharam? Segurança? Saúde? Nada disso, hoje estão se marginalizando, se prostituindo, se drogando, morrendo e matando nas ruas, nas escolas, e sem nenhuma perspectiva de uma vida decente, como emprego, moradia, transporte, segurança, etc.
- CLAUDIONOR PEREIRA DE OLIVEIRA, Lidianópolis
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