O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Olhares
Pegando rabeira no oportuno artigo Marcos Losnak sobre o mestre Haruo Ohara, registramos a nossa grande felicidade pela exposição Olhares. Parabéns ao Filo. Um agradecimento especial ao poeta Rodrigo Garcia Lopes, que nos deu a trilha para o mundo silencioso do sr. Haruo, mestre do instante, da dignidade, da beleza. Que nossas mentes cliquem bem raro exemplo de verdadeiro artista.
- WALTER NEY ALMEIDA RÊGO, Londrina
([email protected])
Acesso difícil
Sou aposentado na Copel, onde trabalhei 23 anos. Entre não fazer nada ou me distrair fazendo contrabando, ou fazer parte do comércio de drogas, optei por um negócio de confecções, onde pago meus impostos, tudo de acordo com a lei. Entretanto, talvez por eu ter sido trabalhador, nunca ter sido preso, nunca ter roubado, o acesso a financiamento é difícil ou impossível. Será que devo caminhar junto aos sem-terra? Fazer ponto de drogas nas escolas? Dedicar-me ao contrabando?
- CLÁUDIO NUNES DE SOUZA, Paranacity
Direitos e deveres
Em um bosque, uma árvore pequena e mirrada queixava-se a uma árvore de grande porte: - Como eu gostaria de ser grande e receber, livremente, o sol em minha fronte... E sentir a chuva fina acariciar-me as folhas... Mas não, estou à sua sombra, e você me oprime de todos os modos. Suas raízes envolvem as minhas raízes e pouco tenho para retirar da terra. - Ora, estou aqui primeiro que você - respondeu a árvore grande - e, na verdade, nem mesmo sei a razão disto, assim como desconheço porque nasci neste local. E, por que você está junto de mim, e não em outro lugar? - Seja como for - suspirou a árvore pequena - penso que também tenho direito ao crescimento, à vida plena... - Você pode achar que tem este ou aquele direito - atalhou a árvore grande - mas se não existir alguém ou alguma coisa para garantir o que pensa serem seus direitos, na realidade você não tem direito algum.
- RICARDO SATHLER, Londrina
FILO e Nitis
Na noite de sábado, penúltima de funcionamento do Cabaré do Filo, boa parte dos envolvidos na organização estava devidamente paramentada com botons onde constava o nome da professora Nitis Jacon de Araújo Moreira, candidata a deputada estadual. E pela primeira vez na história do Filo, era ela, Nitis, que todas as noites pela TV mostrava a cara e chamava todos para o evento. Pergunta inevitável: a mãe do teatro londrinense não resistiu e aproveitou o embalo teatral para fazer campanha eleitoral? Nada impede que os simpatizantes da pretensa deputada usem boton ou outro instrumento de campanha. Nem que Nitis vá à televisão incentivar a adesão ao Filo, festival que certamente não
aconteceria sem a sua valorosa dedicação.
No entanto, há que se registrar que o Filo é muito mais importante que qualquer interesse particular. Personalidades do mundo artístico do Brasil e do exterior vêm a Londrina e, com certeza, nem lhes passa pela cabeça estarem sendo utilizadas como instrumento de propaganda eleitoral por quem quer que seja. As pessoas envolvidas com a cultura em Londrina passam o ano na expectativa da chegada do Filo, uma das poucas opções para os apaixonados pelo teatro. Seria justo envolvê-las, a reboque, num projeto político-eleitoral? Não se quer aqui condenar Nitis Jacon. Nem se deve afirmar que ela usou o Filo como trampolim para crescer nas pesquisas de intenção de voto. Mas há como afirmar que em 1998 foi essa a impressão que ficou. Tomara que tenha sido só impressão.
- MARCELO ROCHA FERREIRA, Londrina
Cardiologia
Não há dúvida que a cardiologia e a psiquiatria são especialidades médicas totalmente distintas. A primeira chama a atenção por sua lógica, objetividade e por dispor de enormes recursos para o imediato diagnóstico e tratamento das enfermidades cardiovasculares. A segunda enfrenta os desafios da misteriosa e complexa mente humana, não dispondo da mesma lógica e objetividade. Apesar destas diferenças, cardiologia e psiquiatria são especialidades exatamente próximas. Sintomas como dor no peito, falta de ar e cansaço estão entre as queixas mais comuns nos consultórios de cardiologia. Angina do peito? Infarto do miocárdio? Insuficiência cardíaca? A resposta, grande parte das vezes, é não. Resposta correta: estresse, neurose de ansiedades, depressão, distimia, doença do pânico, etc.
Estes sintomas funcionais, que não traduzem uma doença orgânica, e que fazem parte do florido quadro clínico dos distúrbios psiquiátricos, são hoje responsáveis por enorme contingente das consultas cardiológicas. Curiosamente, existem períodos em que a fluência destes pacientes aos consultórios cardiológicos aumenta significativamente. Recentemente tivemos o efeito Magalhães, decorrente da morte prematura do ilustre político baiano. Nunca vi tanto paciente com dor no peito. É clássica, na segunda-feira de manhã, a síndrome do Fantástico, pois certamente a doença do domingo à noite era realmente assustadora.
- TUFI DIPPE JÚNIOR, cardiologista em Curitiba
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