O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Sociedade Rural
O prestigiado e prestigioso jornalista Walmor Maccarini, um dos expoentes da imprensa londrinense, em artigo publicado ontem na Folha, mais uma vez exerceu com a maestria e conhecimento habituais, seu lado de defensor de nossa cidade e das instituições mais importantes que ela abriga. Concordo com ele, em quase 100 por cento das afirmações. Mas não posso deixar passar em brancas nuvens algumas incorreções - talvez por obra do desconhecimento - que ele cometeu. Enumero e argumento: ao citar, logo no começo de seu artigo, que desde os tempos de Omar Mazzei Guimarães não se ouvia no seio da Sociedade Rural do Paraná um brado de despertar... comete a primeira delas. Onde estaria o prezado jornalista, que não ouviu, quando o então presidente Neco Garcia fazia soar em alto e bom som sua indignação contra o assassinato de um segurança em fazenda aqui próxima? Naquele momento o MST não ousou mais porque Neco - para usar termos de Walmor - articulou seu berro e deu murros na mesa, em cenário nacional.
Mais adiante, outra incorreção - quase uma injustiça: A Sociedade Rural do Paraná tem que assumir um papel político e batalhar pelas causas da agricultura... Lembraria ao jornalista que meses antes do MST invadir, torturar e assassinar, Neco (ainda e sempre o guerreiro Neco) reuniu-se com os líderes do MST, diretores do Incra, pequenos, médio e grandes proprietários e conseguiu uma trégua nas invasões e chegando a movimentar grandes parcelas da classe ruralista, que cedeu camas, cobertores, roupas, cestas básicas, barracas, para dar aos sem-terra - além de esperança do assentamento - um mínimo de dignidade. E enquanto fazia isso, peregrinava na companhia de Luiz Leme, atual presidente, em Brasília e Curitiba, na busca de soluções para a crise. Isso não é ter atuação política?
Finalmente e ainda reconhecendo o imenso talento do jornalista, quero lembrar que só pode despertar quem está dormindo. E posso garantir-lhe que ali, na Rural histórica, como ele mesmo reconhece, não existem dorminhocos...
- JOSÉ EDUARDO CARVALHO CHAVES, diretor Administrativo/Financeiro da Sociedade Rural do Paraná.
Descaso social
Enquanto líderes políticos fazem costuras, tentando ajeitar-se da melhor forma possível às eleições 98, somos cúmplices de um descaso geral por parte do governo federal. Todos os dias, enquanto diversos meios de comunicação nos apresentam como manchete a seca no Nordeste, outros tantos órgãos de imprensa enfocam o que está acontecendo no meio político. Por sinal, um lastimável sinal de mediocridade e irresponsabilidade por parte dos nossos governantes. Enquanto milhares de pessoas são vítimas da pior seca dos últimos anos no Brasil, líderes políticos tentam negociar suas candidaturas para as próximas eleições.
O que me deixa completamente desconsolado é que a solução, muitas vezes, fica à mercê de prioridades a serem definidas pelas autoridades competentes. Essas autoridades deveriam honrar os cargos que ocupam, lutando pelo povo que o elege e não enchendo este mesmo povo de mentiras ou falsas declarações. Enquanto esses falsos líderes políticos não se conscientizarem do descaso para com o quadro social, continuaremos sendo vítimas de um desrespeito às leis que nos asseguram direitos individuais e coletivos e a violação dos princípios fundamentais da Constituição. A única coisa que nos resta é a certeza que saberemos responder a todo este descaso nas urnas!
- HEVANDRO GAZOLLI FERREIRA, Ubiratã
([email protected])
Partidos políticos
No Brasil, os partidos políticos não passam de mera exigência legal. É uma verdadeira piada. Tanto é verdade que todos os políticos antigos - sem exceção - já passaram por no mínimo meia dúzia de partidos. Dizer que os filiados a este ou a aquele partido seguem a mesma linha de conduta, de pensamento ou filosofia partidária, é no mínimo infantilidade ou bobeira. Como prova do que falamos são as coligações partidárias - verdadeira miscelânea - nos mais diversos pontos do país. Os políticos defendem, isto sim, interesses particulares, o seu lugar ao sol (ou à sombra). Como tudo neste mundo, nas mais diversas atividades humanas, são raríssimos os políticos confiáveis.
- FRATERNO MARIA NUNES, Campo Mourão
Solução
Hoje o Brasil importa de tudo para alimentar a nação. Uma dura lição aos nossos cegos governantes, que têm em suas mãos o poder de corrigir este erro, porém não o fazem. Saibam que um país agropecuário auto-suficiente é estratégico. Uma nação com famintos é um perigo. Com os diversos planos para segurar a inflação fez-se da agropecuária um caos, pensando que ela é como uma indústria, desliga-se hoje liga-se amanhã. Para produzir leva-se tempo, se for desativada leva tudo ao caos.
Todos perdem, desaparecem profissionais e trabalhadores da área, as tecnologias e o mais grave sem sementes e matrizes, a nação fica à deriva, todos com fome. Leva-se anos para produzir novas sementes e matrizes e a nação estará moribunda, à mercê das nações mais ricas, tirando proveito deste erro estratégico. Agropecuária incentivada é emprego imediato, solução dos nossos muitos problemas, temos clima e solo fértil, mas governantes cegos. A agropecuária é a nossa solução.
- MANFRED SCHERCH, Rancho Alegre
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