Norte do Paraná
Como paranaense, do Norte e do Sul, Leste e Oeste, junto-me ao movimento de solidariedade ao prefeito de Londrina, Antonio Belinati. O governador Jaime Lerner tem em Belinati o seu sustentáculo político-eleitoral, porque foi o Norte do Paraná que contribuiu muito para sua eleição, aliado ao carisma e à sensibilidade da vice-governadora Emilia Belinati. Por essa razão, não vejo nenhuma dificuldade para que o governador até participe desse movimento, onde ficará politicamente correto atendendo aos pedidos e às reivindicações desse povo tão sofrido, como os bóias-frias, milhares de desempregados em toda a região. Sem esquecer que o governador poderá ter um apoio político ainda maior inaugurando uma unidade do CEFET nessa cidade que muito contribui com as verbas estaduais com o pagamento de impostos.
A atitude do prefeito Belinati é politicamente correta, porque somente com investimentos estaduais e federais é que Londrina e região terão de volta a chance e a oportunidade da geração de milhares de empregos para sua população, na maioria jovens que tem que emigrar para Curitiba e São Paulo em busca de um futuro melhor. Com o movimento ganha o governador, que irá precisar dos votos do Norte. Ganham os políticos, e os principais beneficiados serão o comércio, indústria e todos os segmentos da região.
- JOSÉ PEDRO NAISSER, Curitiba
Gays e lésbicas
Temos lido nos últimmos dias sobre a pressão que vem sendo exercida pela Igreja Católica, na pessoa do dom Lucas Neves, e por parte de outras entidades ‘‘defensoras da moral’’, junto ao atual presidente da Câmara dos Deputados, Luis Eduardo Magalhães, para que ‘‘empurre com a barriga’’ o projeto 1151/95 - Parceria Civil Registrada entre pessoas do mesmo sexo. Diante desta situação é importante se nortear pelos princípios fundamentais da Constituição Federal, que garantem que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Às pessoas que têm orientação sexual homossexual são exigidos os mesmos deveres e lhes são garantidos os mesmos direitos. Por que os homossexuais devem enfrentar tratamento diferenciado pela lei no que diz respeito ao reconhecimento da sua união? É evidente que a legislação que o projeto propõe modificar não está atualmente em sintonia com os preceitos constitucionais.
A homossexualidade não é crime no Brasil e tampouco classificada como doença. Baseado nestes princípios, é injustificável que os homossexuais não possam ter os mesmos direitos que os demais cidadãos. Não queremos nos casar, conforme definido pelo matrimônio tradicional. O que queremos é a possibilidade de legalizar nossa parceria estável, permitindo assim que os nossos direitos sejam de fato garantidos. Em um estado democrático, é muito querer ser tratado com igualdade?
- TONI REIS, secretário geral da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis, Curitiba
FILO
Em rápida passagem por Londrina, cidade que já faz parte do meu roteiro afetivo e intelectual, tomo conhecimento do burburinho causado nos meios culturais da cidade por entrevista do Secretário de Estado da Cultura do Paraná. Participei, há quase 10 anos, da 1ª Mostra Latino Americana de Teatro de Londrina, em 1988. De lá para cá tenho ampliado a minha participação, inclusive com a apresentação do espetáculo por mim dirigido, ‘‘Te Casarás en América’’, no FILO 96. Sou testemunha dos beneficios que o Festival produz para esta população e para nós, de outros países, que nos acostumamos a aportar em Londrina e acompanhar, mesmo de longe, a trajetória do Festival.
O FILO tem sido objeto de críticas elogiosas, artigos, ensaios e entrevistas em várias das mais importantes revistas e jornais do mundo inteiro. Suponho que esta informação o Secretário de Cultura já conheça, assim como a importância do FILO na rede de festivais internacionais de maior trajetória e a projeção para os grupos estrangeiros que participam dele. Espero ainda que tenha havido algum equívoco de comunicação e que o FILO receba, novamente, o apoio oficial do Estado. O FILO é patrimônio universal, não tenham dúvida.
- MARIANA PERCOVICH, diretora teatral e jornalista, de Montevidéo, Uruguai.
Jacqueline
Sessenta dias sem você! Sessenta dias sem seu sorriso amigo, sem sua voz querida a chamar-me de mãe! Infinitos esses dias, essas horas, esses minutos que tenho passado sem você, meu amor. Doeu
passar o Natal sem você, receber o
presente que com tanto carinho você
comprou para mim antecipadamente e não ter o seu abraço apertado e o seu
olhar carinhoso. Nada que eu faça consegue preencher o vazio deixado por sua ausência, essa ausência doída que só mãe de verdade pode sentir. Você não foi levada pela vontade de Deus, o Deus em quem você tanto confiava, filha. Você foi levada pelas mãos assassinas, maldosas, impuras, de quem nem mãe parece ser. Será que este mundo, que já havia nos tirado o chefe, o amigo, o companheiro, seu pai, teria também que nos privar de você, tão bela, tão moça, tão amada? Tirar você da vida e do amor?
Hoje, mais calma, mas com uma saudade grandiosa, orgulho-me de você, filha amada, embora haja quem a calunie, quem a difame. Orgulho-me de você, que teve a nobreza de querer doar seus órgãos para que outros vivessem através de você! Que ironia! Você preocupando-se em doar-se, sem sentir que o orgulho, a inveja e o despeito a rondavam e estavam prestes a nos tirar você! Que Deus a abençoe, filha! Sua mãe, que a amará sempre!
- SILMARA CARNEIRO LOBO, mãe de Jacqueline Carneiro Lobo, assassinada dia 22 de novembro de 1996, em Londrina
Atendimento médico
Sou médico do Pronto Socorro do Hospital Santa Rita, de Maringá, e vivencio, estarrecido, a confusão que está sendo feita entre atendimento de urgência/emergência em Pronto Socorro e a falta de leito para pacientes em estado grave que necessitam de internação em UTI. São duas situações diferentes. Na primeira o paciente necessita do primeiro atendimento em razão do risco imediato de vida que ele corre. Na segunda o paciente necessita de transferência para um serviço de maior complexidade. O Hospital Santa Rita nunca se negou ao atendimento em situações de urgência/emergência, pois estaria cometendo omissão de socorro e seria passível de interpelação judicial, o que não está acontecendo. Nesse ano e meio que trabalho neste serviço não ocorreu qualquer morte por falta de atendimento e assim continuará sendo, apesar da manipulação política dos fatos. A situação é grave, porém a solução é política e social, não jurídica. Espero ter colaborado para melhor compreensão dos fatos.
- LUIZ CARLOS MACHADO, médico em Maringá

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