O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
O cabo mais caro
O general Montgomery, herói de duas guerras mundiais e comandante do Exército inglês, com mais de 50 anos de serviço ativo, escreveu um livro sobre a Segunda Guerra Mundial. Foi um best seller e logo ele começou a receber os direitos autorais. O general escreveu então ao governo inglês pedindo que ele cancelasse o pagamento da sua aposentadoria como general, pois os proventos autorais do seu livro lhe eram suficientes para levar uma vida condizente com suas necessidades.
O ex-ministro Reinhold Stephanes fez contar, para efeito da sua aposentadoria (aos 37 anos), além dos cinco anos de serviços efetivos na Prefeitura de Curitiba, mais dois anos como cabo do Exército brasileiro. Se o ex-ministro tiver uma longa vida, como todos esperamos, ele terá sido o cabo mais caro do mundo, mais caro até que o general Montgomery.
- GUSTAVO LESSA FILHO, Londrina
Londrina e o Lixão
Dia 19, na Folha, li com preocupação a notícia sobre a péssima situação do Lixão de Londrina. Como diretora da Associação dos Geógrafos Brasileiros, seção Londrina, desde 1989 venho acompanhando o aumento desse problema e, por vezes, estive junto com outras pessoas e entidades brigando por uma solução mais saudável para a população e menos impactante no ambiente. Em 1989, com a supervisão do doutor em Geografia Cláudio Di Mauro (atual prefeito da cidade paulista de Rio Claro), foi elaborado um laudo técnico ambiental, enviado à Promotoria do Meio Ambiente naquela época por nossa associação, no qual já apontávamos para as péssimas condições do local. Durante esse tempo já ouvimos muitas soluções, mas de concreto só a piora do local e das condições do que deveria ser um aterro sanitário. Ora, não se podia trocar o local do Lixão porque uma verba internacional estava chegando e já havia um projeto de engenharia pronto (gestão Cheida), quando o Lixão ficou durante um ano sem receber terra para cobrir o material lá exposto. Isso foi averiguado pela então Promotora do Meio Ambiente.
No final da gestão Cheida foi aprovado pela Câmara Municipal uma lei (apresentada pelo Tercílio Turini) em que estabelecia a escolha de um novo local para o aterro sanitário e estabelecia um ano de prazo para a sua implantação. Passou este ano e nada! A Prefeitura pediu mais um ano para fazer o levantamento de novos locais possíveis e acho que ele acaba em dezembro e nem a primeira fase terminou. Com certeza será pedido mais um ano para a elaboração do EIA/RIMA! Falta vontade política mais uma vez para resolver isso?
- MÁRCIA SIQUEIRA DE CARVALHO, diretora da Associação dos Geógrafos Brasileiros - Seção Londrina
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Agitação social
Diariamente vemos o MST saquear caminhões que levam mantimento aos famintos do Nordeste. Esta semana, em Brasília, pequena minoria que diz representar o povo, recrutada em diversos Estados, com todas as suas despesas pagas com o dinheiro que os sindicatos, compulsoriamente, arrancam dos trabalhadores anualmente, tentou, com violência, invadir órgãos públicos, e ainda por cima diz que a culpa é do governo. Será esse o Brasil que Lula e seus comandados querem? Que democracia é essa? O PT, rechaçado nas urnas em duas eleições presidenciais seguidas, tenta criar o caos no País, apenas com fins eleitoreiros.
Quando Lula ofende o presidente Fernando Henrique ofende todos os seus eleitores, tratando-os como idiotas que foram enganados por mentiras. Se foi isso, por que o próprio Lula reconhece sua inferioridade nas pesquisas e que será muito difícil derrotar FHC? Ao orquestrar os roubos no Nordeste, prejudicando, assim, a todos os necessitados, a invasão de prédios públicos, sequestros e violência, as ditas oposições apenas demonstram que tipo de governo fariam. Um governo onde uma minoria radical imporia sua vontade, como se o povo fosse incapaz de manifestá-la por si só. E como disse, nos protestos em Brasília, um dos arregimentados do PT e da CUT, líder de uma suposta Liga Bolchevique Internacionalista (Bolcheviques?), Não acreditamos em eleições.
- HWIDGER LOURENÇO FERREIRO, Ibiporã
Pró-Álcool e propinas
Os três últimos aumentos no preço da gasolina, autorizados pelo governo neoliberal de FHC, respectivamente em 2/4/96, 17/12/96 e 15/11/97, representando um aumento acumulado para o consumidor de 73%, mesmo com grande risco de desestabilizar o plano Real, tinham por objetivo eliminar o subsídio de R$ 1,5 bilhão/ano concedidos aos usineiros, o que deveria ocorrer em maio/98. No entanto, os jornais noticiaram que o governo neoliberal decidiu manter a atual situação até novembro/98, até depois das eleições, significando que, até aquela data, o subsídio, em virtude dos aumentos supracitados, praticamente dobrará, ou seja, passará a ser R$ 3 bilhões/ano. E mais, a mídia está noticiando que o governo neoliberal de FHC está preparando medida provisória para aumentar o teor de álcool na gasolina em 2%.
O que isso significa? Significa mais subsídios para os usineiros. Em outras palavras, a Petrobrás terá de abrir mão de 300 milhões de litros/mês de mercado de gasolina em favor do mercado de álcool. Mais incrível é que esse derrame de mais de 3 bilhões de reais/ano de subsídios aos usineiros acontece em um país onde o governo neoliberal, alegando a falência do Estado, nega recursos para a educação - as escolas estão destruídas e não há professores; não investe na saúde do cidadãoá - doentes morrem nos corredores dos hospitais por falta de medicamentos, médicos e leitos; não investe em segurança, relegando a proteção dos cidadãos às balas perdidas, aos sequestros e assaltos para a segurança.
- JOSÉ CONRADO DE SOUZA, diretor da AEPET - Associação dos Engenheiros da Petrobrás, Rio de Janeiro
([email protected])
Esclarecimento
A pesquisa comparativa de preços em grandes supermercados e mercadinhos de bairros que a Folha publicou na página 10 do primeiro caderno, na edição de domingo, foi feita exclusivamente em estabelecimentos comerciais de Curitiba.





