O LEITOR ESCREVE
Fúria do leão
Há dias entreguei minha declaração do Imposto de Renda (como se salário de professor fosse renda) e constatei, abismado, que trabalhei mais de três meses só para pagar imposto. Pagar é força de expressão, pois os impostos são descontados diretamente do meu contracheque. Domingo, 26 de abril, um programa de TV mostrou o comércio clandestino de pedras preciosas que pouco ou nenhum imposto recolhe aos cofres públicos. Compreendi por que a fúria do leão é tão intensa e voraz somente contra indefesos funcionários, pois eles não têm como e nem desejam sonegar impostos. Só gostariam de maior justiça quanto ao recolhimento desses encargos. Além do que há mais de três anos as tabelas de desconto não são reajustadas. Desleal, para não dizer desonesto.
Não temos nenhuma defesa e nem adianta reclamar. A quem? Quando muito conseguiremos despertar a ira dos cobradores de impostos do país. Comparando nossa situação, é o mesmo que pescar no aquário. Os pobres peixes não têm para onde ir. Como nós, que não temos como reagir. Se ao menos recebêssemos algum benefício. Se quisermos tratamento diferenciado e melhor temos que pagar por ele. Como este é o país do aqui e agora, é mais fácil aumentar e cobrar impostos dos indefesos, do que educar o povo para o real benefício do correto recolhimento de todos os encargos sociais.
- ESMERALDINO FRANCO, Santa Mariana
Centro Tecnológico
Sempre estivemos a favor da implantação do Centro Tecnológico em nossa Escola Estadual Professora Maria de Rosário Castaldi, no Jardim Bandeirantes, Londrina. Porém, desde 1996 estamos alertando nossos administradores públicos sobre a necessidade de se construir uma nova escola. Dia 15, quando o governador Jaime Lerner esteve em Londrina a fim de celebrar repasses de verbas para reforma e melhoria de escolas, estivemos presentes com uma comissão de pais, a fim de manifestar apoio e levar-lhe nosso problema, sempre tapado com panos quentes por seus representantes em Londrina. Acreditamos nunca ter chegado ao sr. Jaime Lerner a nossa verdadeira realidade.
Criou-se uma situação constrangedora, pois o senhor Secretário da Educação, Ramiro Wahrhaftig, nunca nos recebeu assim, com tanta educação e mal informado. Destratou-nos, criando estratégias para nos retirar do recinto e até nos afastando dos profissionais da imprensa, temendo, talvez, que iríamos destratar o governador, a quem tributamos respeito e admiração.
Nossa escola foi fundada em 1978, em ponto estratégico entre bairros e atendemos clientela com demanda sempre superior a 1.600 alunos, 78 professores e funcionários. Se o Governador pretende construir salas emergenciais em outras escolas, serão no mínimo 6 salas em cada uma delas e logo serão 18 salas. Por que não construir nossa nova escola se já temos até o terreno?
- CIRLANDO DO CARMO CESAR, presidente da APM da Escola Professora Maria do Rosário Castaldi, Londrina
Sercomtel
A mídia tomou a seu cargo espalhar com entusiasmo e alegria - inerentes aos grandes acontecimentos - a venda da Sercomtel, notícia efervescente em Londrina, em todo o Estado e, também, no resto do País. Realmente! O maior negócio já realizado aqui. Muito dinheiro! Agora, isto merece uma profunda meditação: se a Copel tem tanto dinheiro, para surpresa de muitos, que pode comprar 45% das ações da Sercomtel (dizem que com ágio de 40%) e mais ainda, prepara-se para comprar a Sanepar, então pergunto: de onde vem tanto dinheiro? Por que a Copel sempre justificou os aumentos das tarifas em níveis, às vezes, superiores aos índices inflacionários? Por que investir em áreas alheias às suas atividades?
Que pretende? Para a primeira pergunta, tenho a resposta por ser óbvia: Vem das tarifas. Vem do bolso do povo, este que, inexoravelmente, tem que pagar caro pelo seu produto, sem contestação, pois, não há alternativas. Acredita-se que o governo deveria ser administrador da coisa pública para promover o conforto e o bem social e esta crença, se fosse real, deveria prover o cidadão - seus verdadeiros donos - com o menor ônus possível, equilibrando os custos dos serviços prestados com impostos, tarifas ou taxas mais justas. No entanto, não é o que vemos. Ficou patente que o ‘‘caixa’’ está cheio e certamente fruto das altas margens de lucro, a ponto de haver o desejo de investir em áreas alheias. Daí então, a triste constatação de que não elegemos governos. Não elegemos administradores. Mas sim, elegemos patrões.
- PEDRO MORETTO, Londrina
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Correção (1)
O lucro líquido das empresas concessionárias de rodovias no Paraná será de R$ 3,9 bilhões, como está na reportagem ‘‘Deputado denuncia lucro excessivo’’, e não de R$ 9,4 bilhões como saiu no destaque da edição de terça-feira, na página 7 de Cidades.
Correção (2)
O crédito da reportagem ‘‘Seis cidades ganham núcleos de vôlei’’, publicada na página 11 da edição de ontem, estava incorreto. O certo é : ‘‘Valmir Denardin e Da Redação’’.
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