O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
A seca e as eleições
Aproximam-se as eleições e a história se repete: a seca no Nordeste. A rotina não muda um milímetro: a imprensa, principalmente a televisão, focaliza cenários de pobreza, nenhuma lavoura à vista, paupérrimos casebres com algumas pessoas miseravelmente vestidas, principalmente crianças, normalmente barrigudinhas, provavelmente em razão de verminoses. Depois vêm as campanhas de doações aos flagelados, dirigidas às populações dos Estados mais ricos que, com um inocente espírito de solidariedade, remetem àquelas regiões toneladas de donativos, especialmente mantimentos que, não será surpresa, forem usados para eleger políticos locais inescrupulosos. Até alguns não locais.
No entanto, se nos detivermos mais acuradamente nas imagens mostradas observaremos: 1) Os flagelados não são normalmente magros. Alguns são gordinhos até além da conta, inclusive as crianças. E o gado vivo não é tão magro assim. 2) As esporádicas extensões de terra cultivada são apenas algumas pequenas roças de milho, mandioca, etc. 3) Ainda não vi a falência de nenhuma grande fazenda, o que deveria ser também normal, por maiores que fossem os recursos disponíveis a enfrentar tais situações. 4) O que mais me impressiona é o viçoso verde de todas as árvores de grande porte que aparecem nas reportagens, inclusive as das cidades. Isso demonstra que há muita água na região, depositada, talvez, apenas nas camadas um pouco mais profundas do subsolo, o que requer não uma política de custosas perfurações de poços para, ao final, servir mesmo aos ricos, mas uma mudança de cultura agrícola, pois o milho, a mandioca, o algodão, a batata etc. têm raízes pequenas e curtas, não alcançando o lençol freático, o que torna aquelas culturas extremamente vulneráveis a essas ocorrências, ao passo que os vegetais de grande porte, de raízes maiores e mais profundas, as enfrentarão com muito mais eficiência
- NILTON DE FREITAS GUIMARÃES, Rio de Janeiro
Penúria do servidor
O Banco Mundial tece, em documento recente, largos elogios à política governamental de contenção de gastos à custa do arrocho no funcionalismo. O relatório lembra que a folha de salários do governo federal diminuiu 2,6% entre março de 1996 e fevereiro de 1997. Na outra ponta encontram-se 940 mil servidores ativos da União (civis do Executivo, Judiciário e Legislativo e os militares) sufocados no seu cotidiano. Mais do que mera rubrica do planejamento orçamentário, atrás de cada matrícula funcional está um cidadão com família e compromissos pessoais estrangulados por serem causa e consequência do déficit público, segundo os frios tecnocratas da Corte brasiliense.
Se por um lado a estabilidade proporcionada em termos pelo Plano Real trouxe a possibilidade de melhor organização caseira para cada um dos habitantes deste país, permitindo que a grande massa, que ganha até três salários mínimos, tenha um pouco mais de arroz, feijão, massa e frango na mesa, por outro as circunstâncias não são alvissareiras. O funcionalismo sente na carne e no bolso os aumentos de 157,98% na mensalidade escolar, de 101,44% nas tarifas públicas, de 172,41% na habitação, além de os médicos e dentistas terem alterado suas tabelas de serviços em mais de 100%, desde janeiro de 1975. Com isto, o saldo devedor tem aumentado nos estabelecimentos bancários, os filhos têm sido transferidos da escola privada para a escola pública (quando há vaga) e o sufoco e a penúria achatam o crédito do holerite mensal. Será que a morte lenta é o que resta ao funcionalismo neste governo elogiável pelo Banco do Mundo? O aniquilamento do serviço público é premissa do sucesso deste governo? Cadê o túnel?
- VILSON ANTONIO ROMERO, Brasília
Pedágio
Nós, usuários da BR-323 (Porto Charles Naufal-Londrina), vamos ter que pagar R$ 2,80 por viagem à concessionária que irá administrar a rodovia. É rodovia simples, construída há anos pelo povo do Paraná. Ora! Pagamos o IPVA para conservação de rodovias e agora para onde vai este imposto se as concessionárias irão cobrar pedágio para o mesmo fim? Não importa se são taxas ou impostos. Vão sair do mesmo bolso. Nesta transformação vemos postos de pedágio de primeiro mundo, rodovias pintadas, mesmas curvas e mesmo leito.
Viajar e pagar pedágio em rodovias como a Anhanguera, Dutra, Washington Luiz, Imigrantes etc., no Estado de São Paulo, é uma coisa. Pagar pedágio a terceiros em rodovias simples, que já são nossas, é outra. Qual a garantia de que essas rodovias serão duplicadas e não só pintadas?
- JOSÉ LUIZ GOMES, Primeiro de Maio
Sercomtel
A Sercomtel foi sempre uma empresa que honrou Londrina. É um exemplo de boa administração, estando sempre à frente em qualidade de produto, atendimento ao cliente e participação na comunidade. Apesar de sócia minoritária, a Copel deve assumir um compromisso junto aos cidadãos londrinenses: nunca interferir de forma a prejudicar qualquer uma das qualidades citadas, mas apenas somar, ajudando a Sercomtel a ser um orgulho não só para Londrina, mas também para o Paraná.
- GILCEANA SOARES M. GALERANI, Londrina
([email protected])
Correção
A fotografia publicada na edição de ontem na página 3 da Folha Economia, mostrando a visita de técnicos da Suzuki a empresas da região de Londrina, refere-se à metalúrgica Giacomini, e não à fábrica de estofados citada na reportagem.
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