Ensino religioso
Dia 20 de dezembro foi sancionada, sem vetos do presidente da República, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que ainda pode ser alterada nos primeiros meses deste ano. Deverá ser mudado o artigo que trata do ensino religioso obrigatório nas escolas públicas. A religião é necessária para o desenvolvimento harmonioso da personalidade humana. O ensino religioso deve fazer parte da educação que devem receber as crianças e adolescentes. Porém, não entendemos porque o Estado tem o direito de tornar obrigatória a instrução secular e também seja responsável pelo ensino religioso. O Estado não deve imiscuir-se nas consciências, e como em todo o país se pode notar diferenças nas opiniões religiosas, seria impossível decidir-se pelo ensino religioso obrigatório. Além disso, antes de ser ensinada, a religião deve ser vivida.
O lugar mais indicado para ministrá-la é o lar. Aqueles pais que imaginam que só o ensino religioso ministrado pela escola é suficiente para desenvolver nos filhos um perfeito caráter cristão, se eles mesmos não o manifestarem perante os mesmos filhos por palavras e atos, estão condenados a uma amarga desilusão. Será inútil ensinar religião nas escolas quando os pais não a põem em prática no lar. A igreja necessita conquistar os adultos antes das crianças e dos adolescentes, e segundo a expressão do apóstolo Paulo, induzir a todos a reduzir ao cativeiro de Cristo os intentos do coração. Esta conquista só vai se realizar se cada um dos que se chamam cristãos se deixar dominar pelo espírito de Cristo e permitir que este espírito manifeste seus frutos: bondade, benignidade, tolerância e amor na conduta de cada dia e de cada hora.
- ALCIDES SIQUEIRA GOMES, de Maringá
Festival de teatro
Manifesto-me com relação às últimas declarações do Secretário de Cultura do Estado. Quando de recente passagem por Londrina ele declarou que o Filo - Festival Internacional de Teatro de Londrina não terá ajuda do Governo por ser de propriedade de dona Nitis Jacon e da Universidade de Londrina. Se é ou não, não faz diferença, pois sou espectadora. Quero ver espetáculos de bom nível, como sempre aconteceram no Filo, e não ceninhas particulares de política.
Além de tudo, o Secretário, pelo jeito, anda desinformado, pois nem cargo público tenho e, no entanto, sei que o governador Jaime Lerner declarou, há pouco, que o Festival não só acontecerá, como o Governo tem a intenção de despachar na ‘‘terra-roxa’’ durante o festival. Como cidadã e espectadora que aprecia o crescimento da cultura, através do Filo e da Mostra Regional, imploro ao governo estadual para que não deixe que subordinados rebaixem a imagem cultural tão elevada que os paranaenses levaram tanto tempo para construir.
- ADRIANA BRITO GÓS, Londrina.
Bancário indignado
Compareci ao Ginásio de Esportes Vicente Rijo para a apuração dos votos das eleições da direção do Sindicato dos Bancários de Londrina. Palavras proferidas pelos vitoriosos faziam sangrar o ouvido. Bancário com filho menor de idade ouvindo aqueles termos saídos de bocas que até então pregavam união, harmonia e luta para a classe. Terminada a apuração, a chapa derrotada se cumprimentava, agradecendo um ao outro. Festejar vitória significa respeito ao oponente. É aí que reside a consciência dos seres que se dizem adultos. Eram palavras que deixam qualquer pessoa, ao menos, envergonhada.
Terminada a eleição, todos voltam aos respectivos postos para cumprir suas funções, até seu superior decidir o que será feito em relação ao funcionário que participou como candidato. Mas os vencedores passam a ter mais três anos, com salário todos os meses. Deixou-me indignado a pressão que alguns membros do sindicato fazem aos chefes dos funcionários da chapa derrotada para que estes sejam desligados da empresa por terem participado como candidato.
Um dos funcionários participou da chapa opositora foi derrotado e, depois de pressão, não se sabe de onde, foi desligado. Isso demonstra como o sindicato vai lutar pelo direito ao emprego que o bancário tem, a não ser que esteja na situação e que possa, na próxima eleição, tirar o sindicato das mãos de certos dirigentes.
- JOSÉ CARLOS BERALDO, Londrina.
Crime sem castigo
Faz 20 anos que foi perpetrado um crime, em Londrina, que, tudo indica, ficará sem solução. A vítima foi um cidadão briguento, gastador e que causava ira até mesmo do pai adotivo e da mãe. Waldemar Babora foi morto com um tiro na nuca e outro no peito. O corpo foi encontrado no carro dele, na ponte sobre o rio Tibagi, em Sertanópolis. Os assassinos (tinha que ser mais de um, obviamente) mataram o gordo e tentaram jogar o carro na água, sem sucesso. Depois de descer uns cinco metros ribanceira abaixo, o veículo parou numa pedra, permitindo a descoberta do crime logo na manhã de um sábado. Lembro do crime toda vez que passo na ponte, quando vou a Londrina. E neste final de ano não foi diferente; só que agora com um ingrediente a mais: conheci, por coincidência, um sobrinho do Waldemar Babora, que é corretor de seguro em Londrina. Dele soube que o crime ainda não tem culpado; que o pai e a mãe adotivos da vítima já morreram, na mais absoluta pobreza, e que a esposa, viva, é hoje costureira, o que contrasta muito com a mulher endinheirada da época.
Dá uma novela. O crime de Babora nem de longe chocou a cidade como o de Leila Ribeiro, que de tanto falatório acabou elegendo políticos e fez a fama de muito espertalhão. O crime de Babora é mais um que ficará sem solução. Casos como este alimentam as mentes sujas de que a impunidade é possível. Longe de querer filosofar sobre isso. A fogueira não pode apagar. Estamos todos ao lado dela, servindo-nos do seu calor, luz e proteção. Se ela apaga ficamos expostos ao frio e ao medo do escuro. Não deixemos o fogo apagar. A questão, na verdade, não é o assassinato de Babora, mas o que a prescrição do caso representa. É como se nos roubassem um graveto importante da nossa fogueira. A simples menção de que um caso vai prescrever servirá de alerta para os policiais e um incômodo permanente para os criminosos impunes.
- PEDRO PAULO SILVA, Londrina
Apucarana
Comemora-se, na próxima semana, mais um aniversário da instalação do município de Apucarana, desmembrado do de Londrina em 28 de janeiro de 1944. Entendo oportuno a Folha de Londrina falar do abandono no qual se encontra o último Rancho de Pioneiros no Bosque Municipal. Este é o derradeiro pedaço de mata nativa da cidade, hoje entregue às formigas.
- NINGER MARENA, diretor do Museu Histórico de Apucarana.

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