O leitor escreve
Cadê o emprego?
A nova Carteira de Trabalho e Previdência Social, com sofisticadas características, como papel moeda, folhas com linha dágua, foto por computador etc, não condiz com o descaso da política oficial pela crescente e grave redução dos postos de trabalho no país. Cada vez mais pessoas são descartadas do mercado de trabalho com a justificativa de modernização da economia. Ora, isto explica, mas não justifica a quantidade enorme de empresas que fecham as portas, por falta de sensibilidade do governo federal, que insiste em manter um câmbio artificial igualando o nosso glorioso real à moeda mais estável do mundo.
A nova CTPS é ótima, bonita e merece elogios. Só que a realidade do trabalhador brasileiro é desesperadora e requer preocupação urgente dos nossos dirigentes. O fato de existirem 65 milhões de carteiras de trabalho no país não é relevante, quando as estatísticas divulgadas nos mais renomados veículos de comunicação nos informam que mais da metade não estão assinadas. Ora, trocar as carteiras é fácil, difícil é manter os postos de trabalho e criar condições para que o capital crie novos empregos, pelo menos em proporção ao crescimento demográfico. Este é o maior desafio da sociedade brasileira neste final de século. E só será vencido se o problema for encarado de frente, proporcionando melhores condições ao capital e ao trabalho. Ao primeiro, condições de obtenção de lucro condizente ao risco da atividade a ser desenvolvida, e ao segundo condições de adaptação frente aos novos desafios, com investimento maciço em educação, formação profissional e novas fontes de renda. Assim estaremos caminhando a passos largos rumo à justiça social.
- TITO VALLE, Londrina.
Invação anunciada
O Movimento Nacional dos Trabalhadores Sem-Terra - MST planeja acampamento para cinco mil famílias na região de Londrina. É o que noticiou, no dia 21, a Folha de Londrina. O MST está reunido em Bela Vista do Paraíso para, entre outras coisas, agendar datas e endereços onde rasgarão constituições e códigos penais: invadir propriedades ainda é proibido no Brasil. A sociedade precisa tomar posição enérgica diante de tal fato. O desrespeito às leis é grave, mesmo que aparentemente não nos traga consequências imediatas.
Precisamos nos posicionar urgentemente contra atos que, como esse, desmoralizem a organização da nossa sociedade. Não podemos, claro, lutar contra o direito do MST de ter suas bandeiras de luta. O MST tem todo o direito de ser contra a reeleição de FHC, contra a privatização da Vale do Rio Doce e contra o que chama de projeto neo-liberal do governo FHC. O que o MST não tem direito, sob hipótese alguma, é de desrespeitar a lei para atingir seus objetivos. A sociedade, por sua vez, tem, mais que o direito, tem a obrigação de exigir que as instituições legalmente constituídas punam com o rigor da lei aqueles que praticarem atos ilícitos, sejam quais forem e quaisquer que sejam seus objetivos.
- ALEXANDRE LOPES KIREEFF, Londrina.
Fim do vinil
Que destino terão nossos discos, pobres discos, eternos discos, quando o CD reinar absoluto e nenhuma agulha, uma sequer, pudermos encontrar para ajudar a saciar nossa vontade de ouvir um velho 78 de Chico Alves, um 33 de Caetano, anos 70, ou um bolachão dos anos 40? Quem vai salvar nossas discotecas particulares? Onde serão cultuados os discos riscados de Cartola, Pixinguinha, Noel Rosa? Que cresça o CD, mas não deixem morrer o vinil. Que se prensem dez, quinze, de cada 500 mil CDs dos grandes cantores, mas o façam sem desolar os colecionadoress, que poderão morrer de banzo. Que tristeza o dia em que o vinil sumir de vez das casas de discos. Derramarei um rio de lágrimas. O vinil serviu ao povo brasileiro durante quase 100 anos. Sugiro à Folha de Londrina uma matéria sobre os velhos colecionadores.
- JORGE BALEEIRO DE LACERDA, Francisco Beltrão.
Londrina F.C.
Estou com medo! Logo, logo vai começar o Campeonato Paranaense de Futebol e o Londrina Futebol Clube continua na mesma. Meu coração não vai aguentar se o meu time fizer feio de novo.
- DAVID MENEGRAN, Londrina
Baixo clero
Sensacional a luta dos nossos parlamentares em busca de posições pessoais. Muitos querem a presidência da Câmara Federal. A elite busca votos no baixo clero. Que quer isto dizer? Além de atingir diretamente a composição sacerdotal da hierarquia católica, deixa entender que a maior parte dos congressistas apenas fazem número. O termo baixo, exceto em seu significado literal, de comparação de medidas, é desprezível, podendo ser substituido por ralé, vil, inferior, barato, grosseiro etc. Alguém disse no Congresso que O grosso dos votos está no baixo clero. Assim os legisladores se dividem: Os de grande expressão - a elite (a nobreza) e o baixo clero - os plebeus (os que precisam de salário). Estamos de volta ao feudalismo.
- NELSON ARAÚJO DE OLIVEIRA, Londrina
Chaves do reino
Presença constante do nosso amigo e colega Pedro Vasconcelos. Certo nas horas incertas, na análise laboratorial, no momento do diagnóstico que salvaria ou determinaria a evolução da doença. Quanta responsabilidade! Gabarito, além do necessário para a rotina. Já tinha sido do Instituto Oswaldo Cruz (Manguinhos), técnico do Ministério da Saúde, onde conheceu e trabalhou com o grande sanitarista paranaense Hudson de Barros Silva (meu amigo e quase irmão) - este que colaborou com Barros Barreto na elaboração do clássico tratado de Saúde Pública (das bibliotecas de Higiene e Saúde Pública). Com Gilda, sua esposa, trouxeram ao mundo Ronaldo e Ricardo, ambos brilhantes nas suas respectivas carreiras. Um médico patologista, outro engenheiro, ocupando cargo de relevo na capital do Estado.
Como os irmãos Gracco, as jóias da família, e como nos versos de Longfelow, seguindo as pegadas do pai no rumo certo. Assim Pedro, a missa de sétimo dia celebrada na nossa Catedral, dia 21, foi pela palavra eloquente e sábia do padre Bernardo, reportando-se a Jesus, que disse a Mateus: Meu Reino não é deste mundo, mas tem muitas moradas. Pedro, o seu, o nosso amigo lá do outro lado lhe abriu as portas, o Pedro do lado de lá, porque tem as Chaves do reino e elas estavam abertas para a sua recepção. Meu caro Pedro. Você e Heber Soares Vargas demarcaram com nitidez as brilhantes trajetórias neste vale de lágrimas e de esperança, ensinando, pesquisando, sorrindo de maneira altaneira para a descrença, para a ignorância, mas construindo sempre.
- JOÃO DIAS AYRES, Londrina.
Hospital esclarece
Em relação à reportagem publicada ontem na Folha de Londrina informamos que, no caso da paciente Amailde M. da Silva, 22 anos, a cesariana e consequentemente a
anestesia foram realizadas no Hospital de Paiçandu. Após o ocorrido nos foi encaminhada para tratamento da meningite.
- RICARDO A. YAEDU, diretor clínico do
Hospital João de Freitas, de Arapongas





