O Leitor Escreve
O LEITOR ESCREVE
Retrocesso
Acontecimentos como aqueles que envolveram o edifício Palace 2, no Rio de Janeiro, num primeiro momento, conduzem à generalização, instaurando-se rapidamente a paranóia de que todo prédio não tem segurança, que qualquer construção está sujeita a cair por terra, porque não existe qualidade nem entre os profissionais nem entre as empresas do setor. Espalhado aos quatro ventos pela mídia, aquilo que seria um fato isolado ganha um dimensionamento fantástico, como se a cada hora houvesse um desabamento a cada minuto um avião espatifasse no solo e se em cada segundo alguém morresse por erro médico numa mesa de operação. Estabelecido o pânico, cria-se o ambiente propício ao aparecimento de propostas corporativistas que, sob o pretexto de prevenir tragédias futuras, acabam trazendo ao público e à questão muito mais confusão do que solução.
No caso Sersan, a fúria regulamentatória já atingiu níveis impressionantes. Uma das últimas propostas nesse estilo veio de uma comissão de professores de engenharia e arquitetura de uma universidade paulistana. Projeto de lei obrigaria os municípios a criar um sistema de auditoria para acompanhamento das obras civis, que atingiria todas as edificações de mais de dois pavimentos e 500 m2 de área construída.
O caso Sersan é uma gota dágua num oceano. Problemas de ruptura estrutural que ocasionam acidentes são raríssimos no País. Segundo o IBGE existem no Brasil 39,7 milhões de domicílios. É impossível calcular o que tais acidentes representariam em termos de estatística. Além disso, a engenharia nacional é reconhecida internacionalmente, em especial no que se refere à tecnologia de concreto armado, onde o Brasil é apontado como dos melhores. É clara e notória a grande capacidade técnica de nossos engenheiros e empresas de construção em produzir edificações dentro dos padrões de segurança estabelecidos.
O que aconteceu no Rio de Janeiro é um caso de polícia. É a apuração rigorosa dos fatos e punição
dos responsáveis que a sociedade exige. Para tanto,
não é necessário criarmos novas regras, normas
ou leis. Basta que cumpramos as que já existem.
- MÁRCIO CHÉDE, São Paulo
Deus
A chegada do ano 2000 tem causado em muitas pessoas e religiões certo desequilíbrio mental e exploração comercial (pessoas de várias classes sociais). Há religiões que afirmam categoricamente que o mundo vai acabar no ano 2000, outras são ministradas pelo próprio Jesus que hoje tem o nome de Inri. Estamos vendo nos noticiários uma seita que afirma que Deus se materializaria já por duas vezes e até agora não apareceu. Deste jeito, acabamos pensando que Deus está com o mesmo costume do saudoso Tim Maia; marca e não aparece. O que mais me intriga, não são estas pessoas ou religiões que afirmam estas coisas, e sim os fiéis que passam a acreditar em tudo que lhes empurram garganta abaixo. Vamos tratar Deus como Deus, e deixar as coisas acontecerem normalmente sem acreditar nas teorias hipócritas de seres mortais e pecadores. Vamos abrir os olhos porque as religiões monetárias estão crescendo muito.
- CELSO LUIZ RUIZ, Campo Mourão
Tarifa
Resido em Rolândia e utilizo transporte coletivo para me deslocar até o local de trabalho em Londrina. Considero discriminatórias as tarifas entre as cidades que irão compor a região metropolitana, sem citar que são poucos os horários disponíveis: Ibiporã - Cambé, R$ 0,70 (25 km); Londrina - Jataizinho, R$ 0,75 (25 km); e Londrina - Rolândia, R$ 1,45 (26 km). As fronteiras entre as cidades, em relação às ofertas de trabalho, qualidade de ensino, opções de cultura, melhores preços para compras etc. foram vencidas pelo livre comércio e pela democratização das informações. Ficam estes questionamentos: O que leva as empresas de transporte coletivo a cobrar tão caro a passagem dos trabalhadores e estudantes rolandenses? A população da região metropolitana de Londrina não precisa ir a Rolândia? Onde estão nossos legítimos representantes? Eles só aparecem em época de campanha?
- JOSÉ JULIANGELI DE CASTRO, Rolândia
Concerto
Os grupos Neuma e Ars Mensurabilis agradecem à Folha pela excelente cobertura que tem dado aos trabalhos desenvolvidos pelo Projeto Concertos Matinais e Projeto da Música Antiga da Casa de Cultura, do Neuma. Além de proporcionar excelente repertório, houve preocupação ímpar de atendimento aos músicos convidados, de Londrina e outras localidades. Para nós foi satisfação apresentar composições medievais e privilégio, dentro de tão importante projeto cultural, de educação e entretenimento, em Londrina.
- ELIMAR PLINIO MACHADO, diretor do Projeto de Música Antiga/Casa de Cultura da UEL
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