O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Política de casuísmo
O povo brasileiro continua pagando caro pela irresponsabilidade no tratamento das contas públicas, que são o grande entrave do plano de estabilização, sufocando a enorme potencialidade da sociedade para o desenvolvimento. A retração econômica, sustentada a ferro e fogo por uma política de juros sem paralelo em todo o mundo, também se acentua com a elevada carga tributária que alimenta o dragão insaciável da despesa pública, fazendo com que o país inteiro praticamente trabalhe para essa finalidade.
Agora no âmbito de uma reforma ministerial, de cunho essencialmente eleitoral, pretende-se que a CPMF, o imposto do cheque, saia da transitoriedade para se tornar permanente. Isto é um absurdo moral e inconstitucional, pelo seu caráter de bitributação. Imoral, porque não cumpre a finalidade de ser o instrumento de recuperação de uma das mais importantes políticas sociais, de base, a saúde pública. Essa é mais uma manobra de casuísmo, de pura esperteza, que contrasta com a idéia original do então ministro da Saúde, Dr. Adib Jatene, que, de maneira desprendida, motivou a sociedade brasileira a apoiar a CPMF como meio transitório de saneamento de uma área humanística mergulhada no maior caos.
Qualquer pessoa humilde, sem recursos suficientes para bancar um plano de saúde, sabe muito bem que a saúde pública continua no mesmo lugar, na mesma situação de caos. Nada mudou. Ao contrário, tudo piorou. Os volumosos recursos arrecadados pelo imposto do cheque, cerca de R$ 6 bilhões anuais, estão servindo para mascarar o falso equilíbrio das contas públicas, que também falsamente mantêm a inflação em níveis baixos, mas ao custo dos vergonhosos juros que financiam os famigerados capitais externos especulativos e voláteis, porque o país não tem poupança própria para investir no processo de desenvolvimento.
- FARAGE KOURI, presidente da Faciap, Curitiba
Ridículo paletó
Se há um costume que tinha tudo para não pegar aqui em Brasília é o tal do paletó. E aquela tirinha ridícula chamada gravata. Mas pegou, porque tudo que os bestas deste mundo mais desejam na vida é status social. Todos morremos de medo de parecer o que realmente somos: só mais um indivíduo da espécie e nada mais. Já viu coisa mais ridícula que um sujeito todo suado dentro de um paletó? Pois em alguns locais de trabalho o ridículo é obrigatório.
Desde 27 de março, servidores do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia estarão obrigados a usar paletó ou blazer e as mulheres também terão de adequar-se a determinado figurino. Sobrou até para os visitantes, que não poderão entrar de calças jeans (pasme você!), nem de tênis, nem de sandálias, nem de minissaia, nem de miniblusa. Quem aparecer por lá fora dos conformes será embargado pelo desembargador Amadiz Barreto, presidente do TRE, em nome do decoro, do respeito e da austeridade do Poder Judiciário (sic). Se bem me lembro, coisa desse jaez aconteceu com o nosso querido Juruna, na Câmara dos Deputados. Foi obrigado a vestir o ridículo terno, com gravata e tudo, em nome também do decoro. Você se lembra de como o Juruna, que era até bonitinho, ficou feio e ridículo dentro daquela porcaria?
- ISMAR PEREIRA FILHO, Brasília
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O menino da cana
Um repórter de TV entrevistou, em 1996, um garoto de pouco menos de nove anos de idade e perguntou: Se pudesse escolher entre cortar cana e estudar, o que preferiria? Resposta: Preferiria estudar porque o estudo dá vida. Passei a meditar sobre a frase do garoto e veio-me o pensamento: Deus meu, se o estudo dá vida, por que a nossa Pátria ainda possui tantos milhões de analfabetos? Estudo, no pensar do garoto, é a vida do espírito, assim como o pão é a vida do corpo. Por que, então, nossos governos não cuidam com mais racionalidade a causa do ensino? Se isso fosse feito, com seriedade, espírito patriótico e racional, por certo milhões de brasileiros (analfabetos e anônimos) poderiam desabrochar múltiplas potencialidades, tal como a do garoto cortador de cana. Infelizmente, não dá para entender a omissão quando a própria Constituição Federal impõe aos governos o dever de proporcionar acesso à cultura, à educação e à ciência.
- JOSÉ ÁLVARES DELFINO, Londrina
O melhor
Moro em Nova York e tento acompanhar os acontecimentos no Brasil. Entre todos os jornais brasileiros que possuem um web site, a Folha é o melhor de todos. Bem organizado, fácil de procurar matérias e tem classificados. Parabéns e continuem assim.
- TEREZA COSTA, Nova York, USA
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Receitas
Nesta Semana Santa, não poderiam ser melhores as saborosas receitas da Folha da Sextapara deixar nossas mesas mais apetitosas. Parabéns
- EDGARD VEIGA JR, Goiânia, GO.
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