O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Direito dos ladrões
No distrito de Alfazema, município de Cabanas, era costume o padeiro entregar os pães aos seus fregueses antes do raiar do dia. Os pães eram transportados em grandes cestas e colocados nas janelas, na soleira das portas, varandas ou outros locais previamente combinados. Aconteceu certa vez que os pães passaram a desaparecer dos seus lugares. Eram roubados. Pouco a pouco a frequência dos roubos aumentou escandalosamente, dando motivo para muitos comentários entre os habitantes do lugar.
Afinal, três ladrões de pães foram apanhados em flagrante. No dia seguinte, mais cinco foram surpreendidos enquanto roubavam. Alguns deles ouviram apenas ameaças e censura severa. Outros, no entanto, chegaram a receber alguns sopapos de populares mais indignados. Mas, por uma razão ou outra, muitas pessoas puseram-se em defesa dos ladrões. - Não é possível - exclamou alguém, revoltado. - Deste modo estão estimulando o roubo. - Você não percebe - ponderou outro - que quando aumenta o número de ladrões surge necessariamente o direito dos ladrões?
- RICARDO SATHLER, Londrina
Formando Cidadão
Durante estes três primeiros anos de instalação do Projeto Formando Cidadão em Cascavel, podemos classificá-los, sem medo de errar, de uma iniciativa que atingiu seus objetivos. Longe da covardia que amesquinha a vida, diminui a sedução que as pessoas exercem umas sobre as outras e enfraquecem a capacidade de resolver coletivamente os problemas da comunidade, o Projeto que funciona junto ao 6º BPM mostrou que as soluções estão ao nosso alcance e podem ser viabilizadas. Não há como negar a importância do Projeto. Seu sucesso deve ser creditado a uma ação assistencial ligada à austeridade dos quartéis. O Projeto soube inovar. Pela competência do Cap. Oscar Monteiro, coordenador local, foi incorporada uma escola modelo de marcenaria, doada integralmente pelo Rotary. Fica o exemplo. Problemas locais, soluções criadas aqui.
- JOSÉ FILIPPON, Cascavel
Caciopar, 22 anos
A Coordenadoria das Associações Comerciais do Oeste do Paraná (Caciopar), que congrega 45 entidades, completou 22 anos ontem. Ela foi criada para ser catalisadora não apenas dos interesses classistas, mas de toda a região, e serviu como referencial para o surgimento de outras coordenadorias no estado. A Caciopar reivindicou, defendeu, interagiu, e obteve vitórias que impulsionaram o desenvolvimento, que, como dizia o saudoso Paulo VI, é o novo sinônimo da paz.
- HYLO BRESOLIN, empresário, de Cascavel, fundador e primeiro presidente da Caciopar.
Folha da Justiça
Uma das grandes queixas do brasileiro é a dificuldade de entender a linguagem aparentemente rebuscada do Poder Judiciário, nele compreendidos os que ali trabalham de modo direto ou indireto. O barroco, o castiço, o anacrônico acabam contaminando juízes, servidores, advogados e doutrinadores. Pois bem. Foi uma grata surpresa ler a nova página da Folha, intitulada Folha da Justiça. Rompendo a tradição de artigos técnicos pesados e herméticos, de desvendável acesso apenas para especialistas, a página demonstra agilidade, simplicidade e acessibilidade a qualquer leitor, independentemente da sua formação acadêmica. A Folha está de parabéns pela iniciativa de tratar assuntos da justiça com uma linguagem que pode, enfim, ser entendida pelo grande destinatário do Poder Judiciário: o povo.
- RICARDO SAMPAIO, juiz aposentado do TRT-PR, Curitiba
Polícia Comunitária
Estou bastante feliz ao ver a idéia da implantação da Polícia Comunitária tomando corpo no município de Campo Mourão, conforme notícias veiculadas pela Folha . A bem da verdade a Polícia Militar do Paraná sempre direcionou sua aplicação operacional neste sentido, com a criação do Sistema Modular de Policiamento Urbano, Projeto Povo, além de ter sido a pioneira em viver uma das experiências mais organizadas e abrangentes de aproximação polícia-comunidade, através de Conselhos Comunitários de Segurança.
Sem dúvida que a Polícia Comunitária é a Polícia que dialoga com a sociedade, a polícia que atende as demandas de segurança dos cidadãos a partir dos processos de participação. É o Estado a serviço do bem estar de todos, a partir de novas parcerias, pois os tempos mudaram. Ontem participávamos de uma sociedade desprovida de espírito comunitário, altamente individualista, e com firme propósito de levar vantagem em tudo; mas hoje assistimos a uma proliferação muito grande de associações de moradores, sindicatos, clubes de serviço, movimentos populares, entre outros, com o propósito de revitalizar uma sociedade fria, amorfa e habituada a aceitar os pacotes fabricados pelos senhores da nação.
- ANTONIO AURÉLIO ALVES CHAVES DA CONCEIÇÃO, capitão da PMPR, Apucarana
Amor pelo LEC
Não se trata de um clube grande; certamente não conta com uma torcida numerosa; pertence à segunda divisão do Campeonato Brasileiro (no qual brilhara em outras épocas); conquistou apenas três títulos estaduais, o que não chega a ser relevante, uma vez que existe há 42 anos; somente é lembrado como o time sensação do Nacional de 77, quando ficara em quarto lugar, atrás de São Paulo, Atlético-MG; atualmente pena para classificar-se no fraco Campeonato Paranaense. Como se vê tenho inúmeros motivos para não torcer por esse time. E, felizmente, infinitos para deixar de fazê-lo. Alguém já disse que paixão clubística não se explica. Portanto, nem as glórias de um Corinthians de Sócrates, de um Fluminense de Rivelino, de um Flamengo de Zico ou de um Santos de Pelé, são capazes de inibir e diminuir o amor pelo Londrina Esporte Clube, de não sei de quem.
DIEGO PRAZERES, Curitiba
([email protected])
Correção
Diferentemente do publicado ontem no texto Tributo a um poeta beat, na FOLHA2, as datas de nascimento e morte do poeta Allen Ginsberg são 1926-1997.
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