O LEITOR ESCREVE
Torcedor sofre
O resultado de uma partida de futebol é neutro. Não é bom nem ruim. É o torcedor quem determina o quanto vai sofrer. O resultado de uma partida não pode ter maiores consequências na vida civil do torcedor. Essa figura de torcedor, de fiel, de isto e daquilo, não deveria existir. Prejudica o indivíduo em qualquer circunstância. Quer na melancolia, quer na excitação da vitória. Analisemos assim: vencedor e perdedor sempre saem perdendo. O vencedor porque a euforia descarrega adrenalina no sangue e pode até matar. O perdedor porque fica abatido, triste, perde a calma. Quanta loucura acontece: briga, ferimento, prisão, vandalismo, etc. Mais inteligente seria apenas apreciar o passatempo, utilizá-lo como distração. Mas ser torcedor faz parte da cultura de um povo. Salve-se quem puder.
Já fui torcedor. Hoje estou com a cabeça no lugar. Em vez de torcer passei a apreciar. Não vou a estádio, pois lá poderia apanhar, ser derrubado num corre-corre, ser insultado, ter um foguete estourando perto da cabeça, tomar chuva, ter meu carro roubado ou voltar para casa de madrugada. O resultado é relativo. Um campeonato ganho não tem mais valor no ano seguinte. Morreu após a comemoração. Para o jogador não tem valor nenhum, pois como profissional não pode torcer. Hoje ele está num time, amanhã estará em outro. Não me preocupo com o resultado do meu time. Quando ele está perdendo passo a torcer por outro time. Se o meu perde é bom para aprender a jogar melhor. Como se dizia antigamente, dane-se o mundo, que não me chamo Raimundo.
- JOSÉ MARIA HAUAGGE, Londrina
Judaísmo
A comunidade judaica do Norte do Paraná está de parabéns pela criação, na Universidade de Londrina, de uma entidade de estudos judaicos. Esta cultura,
que agora nos ficou mais perto, é milenar e influiu muito no mundo ocidental. Deu-nos três grandes religiões e mostra de eterna obstinação no ideal de Pátria, de vida e de defesa da sua cultura. Foi uma comemoração muito feliz no quinquagésimo ano de fundação de Israel.
- LUIZ CARLOS LEME FRANCO, Londrina
Cooperativismo
É preciso mudar. Esta tem sido uma frase muito repetida num mundo em que a globalização avança a passos acelerados. Diante desta realidade, aqueles que resistiam ou continuam a resistir desapareceram ou estão encontrando enormes dificuldades para sobreviver. Empresas não medem esforços para manter suas fatias de mercado, buscando a qualquer custo modernizar suas estruturas. A nova ordem impõe regras e atitudes em busca de uma efetividade que muitos não estavam acostumados a enfrentar. Uma grande mudança que ocorreu em todo o mundo com o processo de globalização foi no segmento bancário. Fusões, incorporações, liquidações ocorreram de forma abrupta, sempre com o objetivo principal de fortalecimento e sobrevivência. No Brasil, o processo não podia ser diferente e muitas ações de liquidação ou fusões foram acelerados por determinação do Bacen, que tem a atribuição de fiscalizar as instituições financeiras. Dentro desta filosofia de maior eficiência e eficácia, estamos verificando que o cooperativismo de crédito vem dando exemplo de atuação no processo de seu fortalecimento.
As cooperativas centrais de crédito, numa atuação disciplinada e pautada em efetivo acompanhamento através de suas filiadas vêm promovendo fusões e incorporações de cooperativas inviáveis, sempre visando a maior segurança e o bom nome do sistema. As cooperativas singulares vêm buscando a profissionalização para, com maior segurança, cumprir com seus objetivos sociais e assim oferecer as vantagens que todas as cooperativas desejam. Os bancos cooperativos começam a demonstrar sua importância no oferecimento de serviços que, por imposição das normas do Bacen, as cooperativas estão proibidas de oferecer. A incapacidade governamental de atender adequadamente a demanda de crédito rural é fator determinante para que as restrições impostas às cooperativas de crédito sejam removidas urgentemente
- JOÃO PAULO KOSLOVSKI, presidente da Ocepar
Sercomtel
A primeira página desse conceituado diário destaca que o Sercomtel está à venda, alinhavando uma série de argumentos em favor da alienação dessa instituição que sempre foi o orgulho dos londrinenses, desde que criado pela dupla Hosken de Novaes & Theobaldo Navolar. Fico pensando, onde estão os políticos, como o ex-prefeito Wilson Moreira e tantos outros que o acompanharam quando, por volta de 1982, revogaram a primeira privatização do Sercomtel, feita pelo prefeito Belinati na sua primeira gestão, sob o argumento de que a autarquia era intocável e que precisaria ser mantida sob o controle do município de Londrina?
Relembro aos esquecidos que aquele primeiro projeto de privatização era, para o povo de Londrina e para os usuários dos telefones, muito melhor do que o projeto aprovado na gestão Cheida, pois garantia a cada um dos usuários - que havia comprado o direito de usar um terminal telefônico - uma cota de ações na Sociedade Anônima que foi devidamente constituída sob orientação do então assessor jurídico Rubens Pavan, chegando a ser o eleito presidente Julio Roehrig. A desconstituição daquela S/A foi o primeiro ato da gestão Wilson Moreira e do seu assessor Gilney Leal, de saudosa memória.
Mas em que toca estarão aqueles que em 1982 tanto se ufanaram da cidadania londrinense, e que se diziam eternos defensores do nosso povo e da nossa instituição? Onde está o sindicato da classe, SINTTEL? E a voz dos funcionários? Londrina está perdendo o Sercomtel e todos aqueles que ajudaram a formar essa empresa de telefonia também estão sendo esquecidos e omitidos, mas podem considerar prejuízo certo porque para eles não está sendo reservada nenhuma parcela de ações ou participações nas futuras empresas que explorarão a nossa telefonia. Talvez não reste nem o nome Sercomtel. Os políticos contam sempre com a pouca memória do povo, mas este não esquece os que o enganaram.
- RUBENS BERTONCINI FILHO, Londrina
Correção
Diferentemente do que foi publicado ontem na Folha Economia, em texto sobre convênio da Sercomtel com a Receita Federal, Maria Aparecida Gerolamo é delegada da Regional de Londrina, e não secretária da Receita Federal.

mockup