O leitor escreve
O leitor escreve
Deflação
Congelados há 3 anos, os salários foram corroídos por aumentos contínuos de impostos, tarifas e preços (remédios, gasolina, etc.) e esta deflação do salário foi decisivamente determinante da espiral deflacionária (salários, preços, produção e emprego) que está se formando, semelhante à que implodiu a República de Weimar, desestruturando a economia e gerando o caos que produziu o nazismo. Documentários e resumos apressados difundiram o equívoco de que a inflação teria provocado o nazismo. Não foi. Derrotada na guerra de 1914, a Alemanha pagou pesados tributos e chegou à inflação galopante em 23, mas, daí até 32, manteve rígida política monetarista ocasionando grave espiral deflacionária. Em 28 havia 8% de desemprego; em 29, 13%, o mesmo dos Estados Unidos na grande depressão de 30.
Em 32, a economia mundial dá sinais de recuperação. Na Alemanha, metade dos empregados tem jornada reduzida, desemprego de 40% (o dobro do americano), 8 milhões de desempregados votam nos comunistas e nazistas. Bruning é substituído por Von Papen, que rejeita a deflação e reduz os impostos dos ricos. Um terço dos votos alemães são para os nazistas. Os partidos de direita entregam a chancelaria a Hitler, que decreta o nivelamento, a censura à imprensa: está instaurado o nazismo. O pior da deflação não é a desorganização da produção, é o distúrbio social que causa. Esqueçam, pois, a inflação derrotada há 3 anos e, à luz da história, meditem sobre o poder de destruição da deflação.
- PAOLO MARANCA, São Paulo
...e nada fazemos
Vivemos numa sociedade de múltiplas contradições. Dentre elas, poucas pessoas dispõem de meios de informação, educação, cultura e poder econômico, vivendo marginalizadas. A maioria não tem o que comer, vestir, estando em completa miserabilidade. Quem sabe com fé, trabalho, esperança e amor, unidos, de mãos dadas, teremos uma sociedade mais justa e consciente.
- OSVALDO CARDOSO RIBEIRO, Londrina
Fraternidade
Das diversas perguntas que chegam para serem respondidas para todo o Brasil pela Rádio Vaticano, esta me fez refletir muito: Como cristão e exercendo uma função política, sinto-me impossibilitado de realizar os projetos da comunidade que me elegeu. O que faço? A fé cristã não despreza a atividade política, pelo contrário, a valoriza e a tem em alta estima. A Igreja sente como dever e direito estar presente neste campo da realidade; porque o cristianismo deve evangelizar a totalidade da existência humana, inclusive a dimensão política...
Efetivamente, a necessidade da presença da Igreja, no âmbito político, provêm do mais íntimo da fé cristã: do domínio de Cristo que se estende a toda a vida(C. fraternidade / 96 - nº 46). Como repetidamente afirmam os Padres Sinodais, todos e cada um têm o direito e o dever de participar na política, embora em diversas complementaridade de formas, níveis, funções e responsabilidades( nº 153).
Penso que as comunidades mais organizadas resolveram, com toda a motivação de uma Campanha da Fraternidade/96, de uma pastoral, em incentivar os leigos vocacionados para isto a entrarem na política. Inclusive foram formados: escolas de conscientização política, a pastoral política, grupos de assessoria para montar projetos e etc. É claro! Nisto tudo com a participação da comunidade, pois senão, não teriam sido eleitos.
Pe. PEDRO ODAIR MACHADO, Roma





