O leitor escreve


Tim Maia
Dia 18 me deparei com um exemplo de como não deve ser uma carta dirigida a um jornal. Um leitor aproveita-se do passamento de uma personalidade (no caso, o cantor Tim Maia) para fazer considerações no mínimo antiéticas contra o falecido. É fácil tripudiar sobre os mortos, já que eles já não têm como se defender. Queria ver esse leitor criticar os vivos e influentes, como Tim Maia fazia contra pessoas de seu próprio meio de atuação (Roberto Marinho, o colega mascarado Roberto Carlos etc.), dando mostras de caráter no país da média e do corporativismo, onde só se jogam pedras no quintal alheio. Tim Maia não morreu sozinho e vazio, morreu fazendo o que gostava na frente dos fãs, cantando ‘‘não quero dinheiro, só quero amar’’. Não só no caso de talentos como o referido, como diante de qualquer outra morte, deveriam prevalecer o respeito e saberia que ecoam nos famosos versos de John Donne: ‘‘Jamais pergunte por quem os sinos dobram, pois eles dobram por ti’’.
CARLOS JOSÉ RIBEIRO, Londrina
Zagallo
Já que o Zagallo é o técnico da seleção, ele deve saber o que está fazendo, ao cortar Leonardo e chamar Zinho. Mas tem uma coisa, o Leonardo é um ótimo jogador e tem muita experiência; já o Zinho tem uma característica de armação e toques leves, e é disso que o Brasil está precisando - de marcação e armação de jogadas, pois o nosso ataque não consegue ter uma ótima perfomace. E sem essas duas coisas, nenhuma seleção vai para frente.
GILBERTO VIANA DO NASCIMENTO, Londrina
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Palace 2
Não só de programas ruins que agridem principalmente as crianças vive a Rede Globo. No Fantástico de 01/03/98, todos os que o assistiram devem ter ficado no mínimo chocados com a reportagem sobre o desabamento do Palace 2 e, principalmente, com as gravações do nobre deputado, que é um dos proprietários da empresa construtora. Brincadeira tem hora, e o que mais me espanta é o momento em que o mesmo está numa reunião, que me parece que é na Câmara Municipal de algum município, e diz claramente que falsifica documentos e assinaturas e os presentes dão risada do fato. Políticos como este deputado (com certeza existem bons políticos) sobem em palanques e são aplaudidos por uma camada da sociedade e, consequentemente, são eleitos por vários mandatos. E o povo sem acesso a uma melhor educação, saúde, emprego, moradia, segurança, transporte, pagando uma tonelada de impostos e juros absurdos aos bancos. É ruim, eiiii!
ALUISIO SCHELLER, Centenário do Sul.
El Ni¤o
Estamos vivendo sob o seu império. E que império! De desassossego e apreensões. Muito embora pequenino ele seja - de nome. Nada respeita, muito menos respeita o poderio crescente dos homens. Pelo contrário, desrespeitando, e muito. E o melhor, ou pior, do caso é que ele é indiferente, não faz a mínima distinção de pessoas, e de nações. Tão pequeno no nome, quão grande nos efeitos. Terrível contradição: pequeno gigante. Minúsculo David, frente a tamanhos Golias. Dos quais zomba com insistentes provocações. Atira pedrinhas e pedrões e vai derrubando muralhas e paredões. Haja miolos para entendê-lo, haja foles para suportá-lo. E até quando? Perguntem aos cientistas, provoquem os supercomputadores, ou, se quiserem, aqueles charlatães que a imprensa convoca no fim do ano para anúncio dos notáveis acontecimentos futuros que depois não se atrevem a conferir. E eu fico quilatando a pequenês do homem. Quanto mais sobe, e cresce e engorda, mais deduz descida, diminuição, emagrecimento. Estúpida - e a palavra não é outra! a soberba humana. Titanics mastodônticos que os icebergs arrebentam e aniquilam. Por isso é que o Livro Santo afirma: Deus detesta o orgulhoso. Seus amores são para os pequeninos, no meio dos quais se deleita. É oportuna a lição. Aprendamo-la. E a tornemos vida - vida tranquila, com permanente esperança. E sem temor dos EL NI¥OS ameaçadores. Como os céus cantemos a glória de Deus e como o firmamento anunciemos a suas obras.
EDUARDO AFONSO, Londrina.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.

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