O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Homem x máquina
O avanço tecnológico nos trouxe benefícios enormes e indiscutíveis. As máquinas, porém, não conseguem substituir o homem em funções que exigem raciocínio, sensatez e sentimentos humanos. Elas são apenas programadas (pelo próprio homem) a executar certos trabalhos e, fora disso nada mais realizam. O homem, portanto, não deve se sentir injustiçado por máquinas, nem mesmo menosprezado em sua capacidade, já que a dignidade e o esforço dos trabalhadores são indiscutíveis. Entretanto, não devemos desejar que não haja tecnologia para poder haver empregos. Os trabalhos realizados pelas máquinas geralmente têm menores custos, serviços de melhor qualidade e precisão, e maior produtividade. A evolução e o progresso são imprescindíveis para uma nação, e isto somente se consegue com a verdadeira educação.
A solução para o problema do desemprego não é simples nem rápida. A curto prazo só se pode fazer paliativos político-demagógicos. A educação, se não é a solução para este problema, promove a conscientização, o desenvolvimento e o progresso. Com isto, talvez as veredas se abram e nos mostrem a saída mais simples, eficaz e racional.
MARCOS HEIDY GUSKUMA, Londrina
Pedágio
Defendemos a eficiência como meta a nortear o trabalho tanto no setor privado como público, pois as empresas de transporte rodoviário de cargas de todo o país foram as primeiras a aplaudir os projetos de privatização das rodovias. Concordaram prontamente, junto com outros segmentos, em arcar com o custo da segurança e do conforto de um bom asfalto, pistas sinalizadas, pontes firmes e acostamentos, além de um policiamento efetivo para coibir a ação das quadrilhas de roubo de cargas.
Não podemos deixar de esquecer que pedágio, como dispõe a lei, é taxa cobrada pela prestação de um serviço, nunca um imposto disfarçado, devendo toda a parte que cabe ao Estado ser aplicada exclusivamente no setor de transporte. Quanto aos valores, não podemos deixar de questionar. Para ir e voltar de Maringá a Londrina, por exemplo, um caminhão tipo carreta, de cinco eixos, deixará em torno de R$ 50,00 nos postos de pedágio, ou seja, gastará mais em pedágio do que em combustível. Isto numa rodovia que está em perfeitas condições, onde não será necessário duplicação e por mais de 5 anos não haverá que se fazer reparos. E de Foz do Iguaçu para Paranaguá, que é uma rodovia indispensável para o Mercosul, foram colocados nada menos que 10 postos de pedágio, o que representa em torno de R$ 250,00 (ida e volta para uma carreta).
Diante de tal situação, os transportadores não ficarão de braços cruzados caso o Estado não faça valer o sacrifício que o cidadão é obrigado a arcar, uma vez que já paga o IPVA. Desta vez não será como ocorreu com o famigerado Selo Pedágio.
FERNANDO GOMES CAMACHO, assessor jurídico do Setcamar - Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de Maringá.
Carta de Curitiba
Os presidentes de Tribunais de Justiça do País, reunidos em Curitiba, nos dias 5, 6 e 7 de março de 1998, dirigem-se novamente à Nação para:
1. Renovar sua preocupação quanto aos rumos tomados pelas chamadas reformas administrativas e da previdência social, em curso no Congresso Nacional;
2. Apontar como reflexos imediatos de tais reformas, como danos irreparáveis à coletividade, o enfraquecimento do Poder Judiciário e o comprometimento de situações indispensáveis ao exercício do serviço público em geral;
3. Instituir em que a Magistratura sempre se posicionou favoravelmente às reformas, inclusive do próprio Poder Judiciário, mas o que não admite, nunca admitiu, é processem-se elas sem atentar para as suas reais consequências;
4. Alertar para o fato de que muitas das alterações em perspectiva importarão em sacrifício das garantias básicas do cidadão, secularmente conquistadas;
5. Salientar o impasse que enfrentarão os Estados e a própria União na efetivação de várias das medidas programadas, envolvendo servidores ativos e inativos;
6. Advertir, por isso, para o risco da multiplicação de conflitos e demandas, a evidenciar crescente clima de insatisfação coletiva;
7. Manifestar, finalmente, a disposição de lutar pela afirmação do Judiciário, como Poder da soberania nacional, condição indispensável ao Estado Democrático de Direito.
DES. HENRIQUE CHESNEAU LENZ CÉSAR, presidente do Tribunal de Justiça do Paraná (seguem-se outras assinaturas)
Lei do amor
O tempo mostra tudo o que podemos ter. Nada é para sempre. Tudo acaba e muda.
A própria lei da natureza, que é nascer, respirar, crescer, aprender e morrer, também tem um preço, que é o de aceitar e entender quem se ama, e quem nos ama, porque a lei do amor é incomensurável, alheia às vontades e imperceptível. Esta também é a lei da vida, é a lei da sobrevivência.
Ao inventar uma lei para o amor, e com um preço, quanto valeria? Teria um preço estipulado?
Façamos um auto-exame, um momento de reflexão, nos olhando no espelho, relembrando o nosso passado, o presente vivendo, e aguardando o futuro com leis ou sem leis, com custos ou sem custos.
Não existe preço para o que é mais importante, mas, sim, lei para tudo menos para livre arbítrio, mesmo que ele seja de arrependimento, porque ele é impagável e impalpável.
Que a lei dos anjos nos proteja!
IRENE ERICHSEN MÁXIMO, Curitiba
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