O leitor escreve

Sacoleiros
Num ato de prepotência/ e abuso da autoridade,/ constatei em Niterói/ e noutras localidades,/a Polícia Estadual/ aliada à Federal/ cometendo atrocidades!
Interceptam coletivos/ lotados com sacoleiros/ oriundos do Paraguai/ país-vizinho estrangeiro./ A autoridade malvada,/ com arma e carro, fardada,/ toma a carga ou o dinheiro!
Aeronáutica e Marinha/ usam navio e avião/ transportando com franquia/ contrabando de montão/ e ninguém vai pra cadeia;/ sem ter castigo nem peia/ na mais vil depravação!
- MAURÍCIO FERNANDES LEONARDO, Ibiporã
Mordida no salário
No fim do mês, quem tem carteira profissional assinada dará um dia de trabalho suado ao seu Sindicato, de mão beijada, por força de uma lei que cheira a mofo.
Além de constituir uma aberração em si e o divórcio absoluto dos sadios princípios democráticos, trata-se de irrefutável assalto ao bolso de cada um, em nome do que não se sabe. Um chefe de família que ganhe 300,00 brutos terá no fim do mês 10,00 a menos, importância que teria destino bem mais nobre do que pagar o combustível dos carros de som dos agitadores e as viagens de avião a Brasília.
É um quadro que precisa mudar o quanto antes. Quem trabalha agradecerá.
OCIMAR MARTINS, Londrina
Professores
Mais uma vez como acontece regularmente, se armou o pé de guerra entre os professores estaduais e o governo. O pretexto, desta feita, foi o corte do repasse das mensalidades devidas ao sindicato classista e descontadas em folha de pagamento. Acresce, ainda, a revolta pelas constantes declarações oficiais de que foi dado à classe um aumento de 130% no governo Jaime Lerner. De fato, este aumento de 130% é uma grossa mentira governamental. Sou professor aposentado, com 30 anos de serviço, e coloco meus contracheques de pagamento, durante o atual governo, à disposição de quem quiser examiná-los: o fabuloso aumento de 130% não passa de míseros 14%...
Exige-se do professor uma infinidade de requisitos pessoais e técnicos, todos eles necessários, reconheçamos lealmente. Egixe-se que o professor compareça às aulas decentemente vestido. Que esteja atento aos progressos de sua disciplina através de livros e revistas. Que ele tome parte em seminários, cursos de aperfeiçoamento, simpósios, conferências, para aprimorar seus conhecimentos técnicos e pedagógicos.
Certo. Mas tudo isso produz despesas. Exige investimentos. E se o professor, para ser eficiente, se dedica apenas ao magistério, e sua remuneração mal dá para os gastos essenciais da subsistência? Eis aí um paradoxo do nosso ensino, do qual é imperativo sair o quanto antes, sob pena do magistério continuar para muitos sendo um ‘‘bico’’ e, com isso, acarretando graves prejuízos para nossa clientela estudantil.
AROLDO TEIXEIRA DE ANDRADE, Barbosa Ferraz
Educação
O novo currículo apresentado pelo Ministério da Educação e do Desporto para o ensino de 1º e 2º graus é, sem nenhuma dúvida, essencial para adequar as crianças e adolescentes às novas realidades sociais. Educação Sexual, Proteção ao Meio Ambiente e Ética são algumas das disciplinas que foram incluídas nos currículos de 1º e 2º graus que irão proporcionar aos ‘‘cidadãos do amanh㒒 uma maior compreensão e, consequentemente, maior naturalidade ao encarar essas questões, as quais são extremamente necessárias para o bem da humanidade. Entretanto, o Ministério da Educação e do Desporto pecou ao deixar de incluir no novo currículo uma matéria que possibilitaria à nova geração um conhecimento, mesmo que básico, acerca da estrutura do Estado; a Ciência Política.
Sabe-se que a grande maioria da população brasileiro não conhece a estrutura básica do Estado, ou seja, os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e suas ramificações e atribuições; portanto, a Ciência Política irá se incumbir de preencher essa lacuna tão prejudicial à nação.
GERALDO DÉCIO LEITE DE MACEDO, Curitiba
A terra não prometida
Não foi terra para mortos ou lotes em cemitérios que a Constituição prometeu e sim uma reforma agrária, para pessoas que viverem sobre a terra, com suas famílias e tirar dela seu sustento. Disto toda a sociedade brasileira está ciente. O movimento sem terra foi eficientíssimo no descortinar, no enfrentamento e na cobrança na ‘‘terra prometida’’. Não se pode, por outro lado, tirar a razão do proprietário de terra invadida quando diz não poder arcar, sozinho, com o ônus da reforma agrária protestando e buscando solução judicial para ser reintegrado na posse. Essa é a questão política mais sensível deste final de século no Brasil, inclusive com mártires. Justiça seja feita, não fosse o movimento sem terra, jamais seria colocado esse tema na agenda das prioridades da nossa nação, estaria ‘‘descansando em paz’’...
- ELIAS MATTAR ASSAD, Curitiba
Noé & Pitta
O prefeito condenado, Celso Pitta, ao invés de desentupir os bueiros, foi pular o carnaval na Bahia, onde foi recebido com entusiásticas vaias, e, retornando, como Noé, viu a cidade de São Paulo afundando nas águas da chuva.
PAOLO MARANCA, São Paulo.
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