O leitor escreve
Tem rabada no hospital
O sr. Francisco Schiavon, presidente da Federação dos Hospitais do Paraná, por infelicidade ou escrachado mercantilismo, opinou que hospital particular é um comércio, paga impostos e não pode bancar sozinho o prejuízo que o atendimento pelo SUS representa. Na opinião do representante dos patrões da saúde (ou da doença?), os baixos valores pagos pelo SUS explicam a cobrança complementar por muitos médicos e hospitais, já que pelo fato de lidar com saúde, os hospitais não podem ser diferenciados de uma boutique ou supermercado. E insiste: Se você comprar um quilo de carne por R$ 3,00 e quiser pagar R$ 2,50, o comerciante não vai aceitar. Acredite se quiser, o sr. Schiavon disse isso na Folha de Londrina, do último dia 6.
Primeiramente, é preciso entender que nos tempos das vacas gordas, muitos profissionais da corporação médica e seu respectivo patronato locupletaram-se nas tetas do governo, recebendo remuneração menos aviltante que a dos tempos atuais, de vacas magras. O SUS paga mal mesmo, mas essa de comprar a saúde como um supermercado (com todo respeito aos nobres empreendedores supermercadistas e boutiqueiros), nos parece muita maldade por parte daqueles que com ou sem bisturi fazem parte da máfia de branco. Os supermercados pagam mais impostos e não gozam, como é o caso dos hospitais, de alguma benesses tributárias. Não acreditamos que o dirigente mencionado seja uma unanimidade na maneira sórdida e mercantilizada de vender saúde, visando a mais valia e o excedente de uma produção nem sempre de qualidade.
Paga-se por fora, sim. Isso é uma terrível verdade, porque o médico e o hospital-empresa precisam viver, mas não achamos certo o lucro e a mais valia em cima do doente depauperado ou do rico explorado. O mercado da doença é promissor para a rapina e a vampiragem. Que o Estado intervenha imediatamente e cancele os já minguados recursos do SUS conveniados com as supostas instituições carniceiras, que tiram o couro para oferecer coxão, costela, mocotó, rim, coração, bucho e rabada, além de sobras para a linguiça de segunda e carne estragada. Há açougues, sr. Schiavon, onde por força da pechincha e da concorrência, se consegue uma carne de qualidade, de R$ 3,00 para R$ 2,50. E ainda há alternativas em se trocar o filé mignon por coxão duro ou lombo agulha, mas nem por isso - se bem preparado - menos saboroso. É uma questão de gosto. A discriminação dos pacientes do SUS persiste de forma desaforada, porque o pagando por fora é praxe, Eureka. Evoé!
- JOSÉ A. FIORI, Curitiba.
Exame de cursos
O Conselho Nacional de Educação, consciente da necessidade da preservação do estado democrático de direito, afirma que as leis que regem o país devem ser respeitadas.
O CNE considera que episódios de violência física, como os ocorridos no Rio de Janeiro, no decorrer da aplicação da Lei nº 9131 relativa ao Exame Nacional de Cursos, são inaceitáveis e incompatíveis com o aprimoramento da educação brasileira. As divergências e polêmicas decorrentes de dispositivos legais são próprias da Democracia e devem ser resolvidas pelo diálogo.
O CNE, zelando pelo cumprimento de suas funções, entre as quais apreciar relatórios da avaliação de educação básica e superior, continuará disposto a contribuir para o aprofundamento desse diálogo.
- HESIO CORDEIRO, ÉFREM MARANHÃO E CARLOS ROBERTO J. CURY, Brasília.
Londrina despertou
Como no conto de fada em que uma bela princesa estava adormecida há vários anos e somente com um pequeno gesto o príncipe encantado a tirou da dormência, Londrina estava adormecida há várias décadas em virtude da falta de habilidade política de seus administradores que se colocavam em lados opostos ao governo do Estado, fazendo com que esta linda cidade ficasse largada a segundo plano na esfera estadual, inclusive em governos e gestões de políticos daqui.
Hoje Londrina despertou saindo da dormência política e voltando a ser parte integrante do desenvolvimento do Paraná, onde não haverá divergência política entre Estado e município e sim uma grande união.
Pouco tempo (dois anos) você, leitor, foi responsável pela grande transformação que está passando o nosso Estado votando na pessoa certa que, com certeza, fará do Paraná o melhor Estado da Federação. Hoje você passou a fazer parte ativa na história do desenvolvimento de Londrina, elegendo pela terceira vez um prefeito afinado com o governo do Estado.
Londrina despertou como nos contos de fada, mas sem príncipe encantado. Com um gesto de amor e de esperança você transformou o grande sono em realidade. Agora nós passamos a fazer parte integrante da grande mudança histórica de nossa cidade.
- ROMEU EDISON PAULINO, Londrina.
O último gaiola
Há quatro anos, pelo menos, o velho vapor (gaiola) Benjamin Guimarães está parado diante de Pirapora (MG), no Rio São Francisco, à espera de que liberem sua caldeira para navegar como o fez desde 1920, quando deixou o Mississippi River, construído em 1913 para James Rees Sons and Company, para fazer parte da frota da firma piraporense Júlio Mourão Guimarães.
Conversei bom tempo com o velho marinheiro Moacir Ângelo da Silva, popularmente conhecido em Pirapora por Sassá Mutema, sobre o Benjamin Guimarães, e dele soube que o vapor São Francisco, em que subi o Velho Chico, nos idos de 1980, pegou fogo de maneira misteriosa. Nada sobrou daquela embarcação que tantos serviços prestou às populações do Vale do São Francisco, indo e vindo na carreira de Pirapora-Juazeiro, mais de 1.300 quilômetros de percurso dos mais de 3.100 quilômetros do Rio São Francisco.
Soube lá, pelo mestre em surubim na brasa, Egnaldo Araújo, que o vapor Benjamin Guimarães está parado por brigas políticas, o que prejudica o turismo e reduz o número de empregos na velha São Gonçalo das Tabocas (a menos mineira das cidades de Minas. Quase tudo em Pirapora lembra o Nordeste. Até o sotaque!).
Peço permissão para reverenciar nesta coluna o piloto-imediato João Vianna dos Santos, que sabia tudo sobre a navegação e a vida entre Juazeiro e Pirapora, como pude aprender na viagem de estudos, em 1980. Tenho de sua lavra um ABC do São Francisco que é uma página de ironia, sutileza e de sensibilidade social. Fui procurá-lo para saber mais sobre o Velho Chico, quando soube que havia falecido há dois anos.
Sugiro aos leitores da Folha de Londrina em viagem, por acaso, pela região de Paracatu, João Pinheiro, Sete Lagoas que incluam Pirapora no roteiro. Será uma maneira de conhecer um pouco mais da história e da geografia do Brasil. A navegação fluvial entre Juazeiro e Pirapora, ainda não mereceu um estudo definitivo. Falta um livro de grande valor literário sobre o assunto.
- JORGE BALEEIRO DE LACERDA, Francisco Beltrão.





