O leitor escreve Quaresma
‘... jejuou quarenta dias e quarenta noites. (Mt.4,2). Levado ao deserto pelo Espírito preparou-se Cristo, severamente, para sua árdua e elevada missão: converter os homens, isto é, tirá-los dos maus caminhos e pô-los na estrada luminosa de Deus. E não foi fácil, pois que eram de cabeça dura e de coração amolecido. Ninguém duvida, porém, dos resultados positivos de seus suores e, em imolação suprema, de seu sangue. - A Igreja Católica, dois mil anos faz, segue suas pegadas, age conforme seus esquemas. A conversão, isto é, a passagem do mal para o bem e, também, do bom para o melhor, foi a insistência do Mestre e continua sendo a insistência da Mestra.
Indiscutivelmente, todos devemos progredir, e sempre. Não nos contentemos de estar parados aqui ou ali, ser isso ou ser aquilo, e pronto. Está em nós, lá dentro, o vírus impulsionador: para a frente e para cima. Do contrário estagnamo-nos, ou deterioramo-nos. O que ninguém deseja para si próprio. Então, mais uma vez, o incentivo da Igreja: conversão. Sabemo-lo, prioritariamente, ela é educadora. À imitação do Mestre, evidente. Sabe ela que para Deus o que vale é a autenticidade. Nada de fachada, ou de adereços. Ele quer o suco, a verdade consciente, o amor puro. Fora, pois, os panos quentes, o meio-termo, o blablablá.
Está escrito: ‘Dizei somente ‘sim’, se é sim; e ‘não’, se é não. (Mt.5,37). Aqui a presença solícita da educadora. Educadora, como a Igreja, com dois mil anos de cátedra, e um acervo soberbo de cultura e de virtudes. A Quaresma é um período letivo de eficazes lições. Mais oração, mais moderação e, sobretudo, mais reflexão - reflexões serenas e sinceras. Pessoais, sem transferência. Cada um por si e para si. Transbordar se a concha encher-se. Nesse empenho a aprovação será sonora e brilhante na inefável aurora da Páscoa.
- EDUARDO AFONSO, Londrina
Juventude sem rumo
Caminhamos para novo milênio. Avizinham-se grandes transformações no mundo. A máquina do tempo acelera drásticas mudanças em tudo. Os cientistas criam o que destrói e o que constrói, um misto de coisas do bem e do mal. Mesmo diante de tanta ciência e conhecimento empírico, as grandes doenças continuam desafiando e ceifando vidas.
Embora o ser pensante tente criar e recriar, a sociedade vem perdendo em valores morais. A idéia do ‘tudo pode’ invade principalmente a camada jovem. É a modernidade livre, suplantando velhos valores morais que ficam em nostálgica lembrança. Meios de comunicação empobrecem a mentalidade, mostram explicitamente a imoralidade, o sexo, a droga, a violência, como coisas corriqueiras, normais, mostrando que nos dias atuais tudo pode, sendo meros prazeres descompromissados. Jamais dizem: ‘Jovens, sexo é coisa séria, é compromisso, é amor, afetividade, sensibilidade, algo mais sublime que acontece entre dois seres. Não faça sexo sem amor. O amor é remédio para todos os males e solução de paz.
Meios de comunicação social não alertam claramente que as drogas dão euforia passageira, depois levam a um viver triste. Se experimentarem algo semelhante procurem ajuda. Caiam fora dessa canoa furada. É triste, mas a juventude está sem rumo. Os jovens estão desorientados, não sabem o que fazer. Os formadores de opinião, os pais, as igrejas, as escolas, os psicólogos, enfim, têm que estar unidos para encontrar soluções. Observar atentamente os locais de afluência juvenil, os bares, boates, clubes sociais no mundo ilusório das noites coloridas. Ali tudo é permitido.
- OSVALDO CARDOSO RIBEIRO, Londrina
Homero Oguido
O tempo passa, voa e mal percebemos. Já é 24 de fevereiro, pleno Carnaval. Exatamente há um ano perdíamos Homero Oguido, um personagem da nossa história. Sensível, inteligente, político competente, deixou sua marca no trabalho desenvolvido, pelo exemplo semeado. Um ano sem Homero, tristeza, saudade e um vazio imenso para sua família, que vem superando os momentos difíceis pela união e o apoio de todos, trilhando os caminhos por ele traçados. Seus amigos, por desígnios diferentes, também seguem em frente, dando continuidade ao ideal, aos princípios e objetivos que solidariamente compartilhavam com ele. E neste ano eleitoral, em que o povo se prepara para escolher novamente seus líderes, aflora à lembrança Homero Oguido. Que sua memória, seu exemplo de vida, como cidadão e político iluminem nosso povo, para que os mais capacitados e indicados sejam realmente os escolhidos. Nosso respeito à memória de Homero Oguido e um grande abraço à sua família.
- ROBERTO KANASHIRO, Londrina
Promoção
Findos os dias de festa de fim-de-ano, as campanhas filantrópicas são produzidas com um espírito de solidariedade para com os pobres e os humildes. Algumas instituições aproveitam para comover os caridosos. Como sempre as festas de fim-de-ano se cercam de uma etiqueta curiosa: De repente o chique é encenar uma pose de desprendimento e prodigalidade na temporada que antecede o Natal. Dar é mais importante que receber. É assim que o espírito de Papai Noel toma conta do comércio dos interesses em vender mais. São shows de confraternização, jogos de futebol beneficentes, gente chorando, duplas sertanejas cantando de mãos dadas e publicidade para pedir dinheiro para causas humanas. Ótimo que elas funcionem. No final um desgraçado terá encontrado auxílio, remédios, agasalho, comida. Mas isso é somente momentâneo, pois o mundo continua selvagem.
Um doente em estado grave, de emergência, procura socorro num hospital ou pronto-socorro. Será atendido? Encontrará vaga para internação? Com dinheiro a situação é outra. Mesmo nos dias de Natal seria socorrido? Encontraria vaga? Um governo arrecada 8,5 bilhões com o famigerado CPMF, destinados à saúde, e crianças morrem num hospital do Rio de Janeiro. Hospitais falidos por falta de dinheiro e falta de competência da sua diretoria. Ou será que o próximo Natal será melhor, mais feliz, com mais igualdade de condições de vida? Resta uma esperança: o poder divino e que Deus abençoe os menos favorecidos pela sorte.
- BENJAMIN GIL, Londrina

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