O LEITOR ESCREVE
Prematuro
Pedro Vasconcellos
Sete meses...nasceu, / Pequenino, quase nada. / Esperanças que se acumulam / No minguado ser... / Lágrimas quentes / Tombam lentamente / Inundando a alma / Franzina e pueril / No amadurecer, quanto aroma / Do fruto produzido e desejado / De toda parte assoma / Riso infantil.
Agitação de idéias e desejos / Caminham à procura / De realizações impossíveis / Em chãs e enviezadas veredas. / Desejo de conquistas / Ansiosamente esperadas / Nas manhãs de ontem e de sempre, / Desfeitas e nunca alcançadas. / Entardecer, a mente tonta... / Turbilhões de sonhos desfeitos / O coração cansado aponta, / No descompasso, os seus defeitos.../
Quanta ilusão e ansiedade / Dos sonhos de grandeza, / Desfeitos no sopro da tarde / Refletem aguda e amarga tristeza. / E, tempos depois, / Volta aquele ser à sua pequenez... / E o pó dos tempos encobre as horas / Que deveriam ser de realidade / Por que tanto sofrimento ? / E a felicidade / Prematuramente, como o ser, se foi... / Hoje, 395 dias sem você / Eu não sabia que a saudade ia doer tanto em mim. / Até quando ? / Você foi a melhor coisa que me aconteceu.
- GILDA DE VASCONCELLOS, Londrina
Imoralidade
Qualquer pessoa que lida com números nota a imoralidade e o cinismo dos bancos brasileiros, não apenas os chamados privados como também os oficiais. Porém ninguém pode tocar na questão, por causa do seu natural poderio econômico, sabendo que o dinheiro é capaz de tudo, sem qualquer discernimento ético ou moral. Dizem que a inflação mensal no Brasil não chega a meio por cento, porém os bancos podem arbitrar os juros conforme a sua conveniência, impor o que querem, praticar os maiores absurdos sem que ninguém, principalmente os governantes, faça absolutamente nada. Todo mundo é marionete dos bancos! Quando questionamos os problemas da Nação, culpamos tudo e todos, menos esses que são de fato os maiores vampiros, os maiores ladrões. Se a inflação no Brasil chega a apenas meio por cento ao mês e alguém recebe autorização do Governo para cobrar dez por cento por qualquer operação, no mesmo período de um mês, esse alguém é ladrão, safado. São dois mil por cento em relação à inflação!
Alega o Governo que o rigor do novo Código de Trânsito justifica-se para
reduzir o número de mortes no trânsito, muito acentuado no País. Mas a roubalheira bancária também causa muitas mortes, porque destrói pequenas empresas, causando, por consequência, muitos desempregos e na sequência angústia, desespero e fome.
Será que a nova Lei do Trânsito objetiva mesmo reduzir os acidentes automobilísticos ou promover um extraordinário aumento na arrecadação pela famigerada indústria da multa? Apenas perguntei. Não afirmei nada! Quanto dinheiro vai sobrar este ano para as campanhas políticas? Só o PC Farias e a Georgina Maria de Freitas Fernandes receberam o título de ladrões. E os bancos? Que moral tem um gerente de banco para virar as costas e tratar com indiferença uma pobre senhora que está no SPC só porque atrasou a
prestação do fogão.
- ALAMAR RÉGIS CARVALHO, Salvador, Bahia Fone/FAX (071) 244-6633, FAX 244-6660
Dois pesos
O Jornal Nacional, dia 10 de fevereiro, noticiou que determinado preso havia cumprido, por pequenos furtos, 11 anos de prisão. Em liberdade conseguiu emprego numa pequena fábrica e lá trabalhou por algum tempo até que a dita foi à falência. Novamente desempregado e não conseguindo o sustento para sua família honestamente, dignamente, praticou novos furtos, foi preso e condenado a 19 anos de prisão. No mesmo noticiário mostrou-se a reprise da filmagem no Rio de Janeiro onde dois militares, com viatura da polícia, fardados, tomavam dinheiro de apostadores de jogo de dadinhos - que há muito tempo é praticado defronte a uma delegacia de polícia daquela cidade. Como, anteriormente, havia sido feita a denúncia através do Jornal Nacional os militares foram presos, por trinta dias, e ‘‘podem’’ ser expulsos da polícia. O que nos causou indignação foi que um coitado, por não conseguir dignamente o sustento, novamente foi para a prisão...Os militares, aqueles, ganham para o sustento e não tinham justificativa para extorquir. Tiranos deveriam ser punidos com rigor. - Senhores legisladores, advogados, jurisconsultos e demais pessoas influentes, passou da hora de atualizar o sistema carcerário e tornar as penas modernas e racionais.
- FRATERNO MARIA NUNES, Campo Mourão
Descompasso
Não leram? Mas eu li. E concordo no todo. Realmente é inaceitável distorção. Parece-me que, em muitos, os miolos estão enferrujados, ou melhor, empestiados, na cabeça. Ou a época é mesmo de geniais inteligências e insuperáveis artistas. Sinceramente, tenho dó. Grande e redondo dó (dó é feminina, sim). - Escreveu Geraldo Mazza (Folha, dia 7): ‘Já que a camisinha está se transformando no símbolo carnavalesco por excelência, como se vê na campanha publicitária da Master, por que não nos vestimos todos, da cabeça aos pés, com ela?’ - E continua: ‘Antes se cantava o confete e a serpentina, agora é a vez da camisinha. É o fim da metáfora e da galanteria. Não separe cão transando na rua porque pode ser a comissão de frente de alguma escola de samba’. - Falou claro. Assim mesmo falou fraco. Por mim falo algo e grosso: é uma zombaria, um insulto, deslavada sem- vergonhice do eslogam do Carnaval 98: ‘Sem camisinha não tem Carnaval’ (não há, seria melhor). Como se ela - a heroína protetora - fosse a bandeira sublime do estonteante espetáculo das escolas de samba. Como se o Carnaval dependesse dela para ter brilho e brio. Como se o Carnaval fosse sinônimo de sexo. Ufa, Brasil, que grandeza. Até parece país de primeiro mundo. E o previdente e atencioso governo da nação acode o perigo com o presente de dez milhões de camisinhas, gastando dois milhões e quinhentos mil - do povo, é claro - para afugentar a temida AIDS. Como se não fosse obrigação ou cuidado de cada um armar-se em defesa do inimigo. Fico esperando o 31 de dezembro para saber, pelas pesquisas, quanto cresceu a percentagem de AIDS no país dos papagaios.
- EDUARDO AFONSO, Londrina

mockup