O LEITOR ESCREVE
A caixa mágica
Aquela seria uma invenção mágica, extraordinária - uma grande caixa com pequena abertura por onde quem olhasse veria no interior, como numa tela, descortinada a época em que vivia, com todos os seus contentamentos, confusões, acertos e desacertos. E a imagem a ser vista seria tão nítida, de tamanha profundidade e amplitude, que daria ao observador uma visão perfeita até mesmo dos motivos de todos os acontecimentos do seu tempo, fossem eles grandes ou pequenos.
Mas foi enorme a surpresa dos que olharam dentro da caixa, através da fenda - nada viram a não ser a própria imagem, de corpo inteiro. Um grande sábio foi chamado a opinar sobre o fenômeno, já que o inventor não atinava o que estava acontecendo com o seu invento. - É muito fácil de explicar - observou o sábio. - O nosso tempo é simplesmente o que nós somos.
- RICARDO SATHLER, cirurgião-dentista em Londrina
37 anos
O 7 de fevereiro foi-me de gratíssima lembrança: 37 anos de minha chegada a Londrina. Ainda era pequena a cidade. Mas fervia... De primeira vista gostei. Iria fazê-la minha - mil por cento. E foi o que aconteceu. Contaminei-me com a fervura da então ‘Capital Mundial do Café’. Espantou-me, e muito, a audácia do trabalhador londrinense. Gente laboriosa e ambiciosa. ‘Pra frente’, diziam todos, nas esquinas e nas praças. A garantia era potente: os bagos vermelhos da preciosa rubiácea estourando por todos os cantos e recantos. E vi a maravilha do crescimento rápido e forte e o aprimoramento carinhoso da moça na sua robustez dos trinta anos. Amei Londrina e a tornei minha - de alma e coração. Corridos esses 37 anos ei-la se levanta aos meus olhos aturdidos gigante e bela. A despeito de mil e um obstáculos (lembrar-se de 1975) Londrina hoje continua imponente e desafiadora. E o melhor: não foi presente de ninguém. Foi e é fruto espontâneo de seus audaciosos moradores. ‘Audaces fortuna iuvat - a sorte favorece os audazes.’ Valeu sempre a expressão virgiliana e mais valeu aqui. E, sem dúvida, continuará valendo. Obrigo-me a parabenizar-me por ter dado com os costados nestas paragens. E dou graças a Deus - sobretudo pela turba enorme de amigos que conquistei e guardo ciosamente no coração. Viva Londrina, a minha cidade.
- EDUARDO AFONSO, Londrina
Fim do trabalho formal
As novas políticas sociais globalizadas e os instrumentos tecnológicos cada vez mais desenvolvidos colocados à disposição dos povos encaminham para que dia a dia, menos formalidade tenha a relação de trabalho, dentro da nova ordem econômica imposta. Com tudo isto, vemos a cada momento virar peça de ficção o trabalho formal por intermédio de contratos individuais de trabalho, em ‘‘acordos tácitos ou expressos’’. Mas toda esta ebulição, que uns dizem trazer de volta regimes escravocratas, outros clamam por maior flexibilidade do mercado, redunda em encolhimento das fontes de renda do Instituto Nacional do Seguro Social, que hoje mantém o sistema de previdência social dos trabalhadores do setor privado.
Nesta trilha liberalizante já surgiram cooperativas de trabalho e o contrato temporário. Iniciativas somadas às estimativas de mais de 17 milhões de desempregados em todo o país e dos R$ 15 bilhões anuais movimentados pelo contrabando, pelos camelôs e sacoleiros, dão a noção de quanto se evade mensalmente de contribuições que poderiam soerguer o regime previdenciário. Embora esta seja uma ótica social, sob o ponto de vista ocupacional, efetivamente adequada, devem ser pensadas alternativas de não deixar a descoberto o trabalhador e seus sucessores, na sua falta ou na sua velhice. Este será, com certeza, o grande dilema do terceiro milênio.
- VILSON ANTONIO ROMERO, São Paulo
Ônibus
D. Santina Pereira e d. Almerinda Duarte estão em tratamento por terem caído dentro de um ônibus urbano de Londrina. Caíram porque estavam de pé. Até os bancos foram diminuídos para carregar o povo, fazendo a gente lembrar da famosa música ‘Vida de Gado’. E vêm as empresas concessionárias do saturado e mal prestado serviço de transporte coletivo incentivar-me a andar de ônibus por economia. Ora, que economia é essa que fazem d. Santina e d. Almerinda? Além do mais, quando ando de carro sei das despesas que terei de arcar com combustível, desgaste do veículo, etc. E a planilha da tarifa do sistema de transporte que não é transparente e muito menos divulgada ao público, como fica?
- JOSELITO TANIOS HAJJAR, Londrina
Ponte Ayrton Senna
Foi com emoção e alegria que atravessei a ponte Ayrton Senna, inaugurada dia 24 de janeiro, que interliga o Brasil, do Sul e do Norte. Começamos a formar fazenda de pecuária em 1961, em Eldorado, MS. Naquela época não existiam estradas. Então subíamos de Guaíra, PR, pelo Rio Paraná, até o Porto de Morumbi, MS, em pequenas balsas, para levar mercadoria aos funcionários e dar assistência na formação das fazendas. Na década de 60 a travessia do Rio Paraná era por pequenas balsas, muito frágeis às vezes, apresentando problemas técnicos. Ficávamos, então, em uma ilha, amarrados por um cabo de aço, até que consertassem tudo.
Por causa dessas dificuldades sonhávamos com essa ponte sobre o Rio Paraná. Parabenizo o governador Jaime Lerner e a vice-governadora Emília Belinati, que prometeram o término daquela grande obra, a maior ponte fluvial do Brasil. Agradeço a todos os engenheiros, funcionários, motoristas, enfim, todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para tornar realidade a magnífica obra.
- JOSÉ MOACIR TURQUINO, Londrina
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