O LEITOR ESCREVE
Má idéia
Assisto com profunda indignação à colocação de placas de propaganda de bebida alcoólica em esquinas de Londrina, com autorização da Prefeitura, inclusive nas proximidades de colégios. São usados postes metálicos, que sustentam as placas dos nomes das ruas, em locais estratégicos das vias, beneficiando motoristas e pedestres.
Com a implantação do novo Código Nacional de Trânsito, aquelas placas, que já eram inoportunas, tornam-se agressivas à nova lei, pois com seu slogan fere o novo código, os princípios familiares e a sociedade, pois incitam ao consumo de álcool, tão desastroso para a saúde do ser humano, bem como da convivência social. As pessoas em geral são mais importantes do que o simples faturamento municipal em cima daquela propaganda. Enquanto isso, países do primeiro mundo querem eliminar esse tipo de consumo.
- OLIVIO PUNHAGUI, Londrina
Ponte Ayrton Senna
Concordamos com o autor de carta publicada nesta seção, dia 29 de janeiro, criticando a homenagem prestada ao piloto profissional Ayrton Senna, emprestando seu nome à ponte recém-inaugurada sobre o Rio Paraná, ligando Guaíra a Mundo Novo. Outras obras, relacionadas ao automobilismo, podem homenagear o campeão. Sugerimos ao Legislativo e ao Executivo daquelas cidades para que consultem a população. A ponte, importante obra de engenharia, deve ser um monumento perpetuando a lembrança das majestosas Sete Quedas, fantástica obra da natureza, submersas pelo homem em nome do progresso. Que na cabeceira do lado do Paraná seja fixada uma pedra de mármore com esta inscrição: ‘Uma nação é conhecida pelos seus monumentos’.
- FRATERNO MARIA NUNES, Campo Mourão
Déficit previdenciário
Há pelo menos 10 anos ouvimos versões insistentemente propagadas, pelo governo, de que o sistema de Previdência Social brasileira vai quebrar, que está deficitário, que os nossos aposentados e pensionistas estão ameaçados de não receber seu pagamento em dia, e que os futuros beneficiários não terão assegurados seus direitos quanto à aposentadoria ou pensão. Essas afirmações têm como base a alegação de que a arrecadação efetuada por meio da folha de salários não é suficiente para o pagamento dos benefícios previdenciários. Gera-se, desta forma, com base em premissas não devidamente explicadas, o grande mito do déficit previdenciário, que impulsiona toda a reforma da Previdência apenas sob o prisma do caixa. Trata-se do velho exercício do sofisma, que verdades ficam ocultas e meias-verdades são expostas de modo a se chegar a falsas conclusões aparentemente incontestáveis.
A constituinte de 1988, exatamente por prever a possível queda de arrecadação com base apenas na folha de pagamentos, criou fontes múltiplas de financiamento, não só para a Previdência, como também para a Saúde e Assistência Social, que constituem o conjunto da Seguridade.
A competência de arrecadação e fiscalização desses recursos passou a ficar dividida entres órgãos distintos: as contribuições sobre a folha de salários ficaram a cargo do INSS/MPAS, enquanto que as contribuições do COFINS e sobre o lucro ficaram a cargo da Receita Federal. Foi aí que se criou o grande calcanhar de Aquiles, porque ano após ano o Tesouro Nacional vem retendo recursos arrecadados pela Receita Federal que constitucionalmente pertencem à Seguridade Social.
O governo tenta convencer a população de que o sistema previdenciário está falido, o que motivaria todo o esforço e suposta necessidade de reformar a Previdência. O que o governo não consegue explicar é como o sistema está deficitário se houve uma arrecadação, em 1997, na Seguridade Social, de R$ 77,74 bilhões, para uma despesa de R$ 71,25 bilhões, gerando um saldo positivo de R$ 6,49 bilhões.
- SEVERINO CAVALCANTE DE SOUZA, Brasília
Ano menos ruim
Este será um ano menos ruim do que foi 1997. É necessário manter a consciência absoluta de que essa pequena mudança não representa ainda a aproximação de uma época de ouro e flores. As despesas financeiras ainda continuarão altas, os reajustes salariais deverão ocorrer e ainda será necessário diversificar produtos e mercados. Enfim, será preciso lutar para manter-se de pé. No próximo ano haverá melhoria na performance geral da economia do País, cujos reflexos poderão ser sentidos através da redução dos níveis de desemprego, crescimento da economia e das empresas. Esse otimismo, no entanto, deve ser encarado com reservas, pois não se passa, como num passe de mágica, de um período difícil, de crise e recessão, para um período de franco desenvolvimento.
Nesse intervalo haverá um período de acomodação e conscientização, onde os empresários poderão avaliar a real situação de suas empresas, para programar seu desempenho futuro em face das novas perspectivas. Um voltará a tentar recuperar aquela fatia de mercado que deixou de atender na época difícil, outro tentará penetrar naquela parcela de mercado que deixou de ser atendida pelo concorrente que fechou as portas; novos concorrentes vão entrar no mercado motivados pelas boas perspectivas; enfim, deverá haver um início de movimentação geral, onde havia apatia e paralisação. Essa movimentação deverá ser a responsável pelo sucesso ou não dos planos de recuperação econômica traçados pelos homens do governo. Nessa nova luta que se inicia levará vantagem aquele que estiver melhor preparado; que tenha conseguido se manter estruturado durante a fase difícil.
- ANTONIO ROBERTO GARINI, São Paulo
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.

mockup